Solana: a alternativa rápida e barata
por vezes, rápida demais para a sua própria segurança...
Bitcoin e Ethereum, são geralmente os primeiros nomes sérios que se ouve, quando se entra no mundo das criptomoedas.
Já falámos delas em vários artigos anteriores e numa versão hiper-ultra-resumida, já sabemos que:
Bitcoin → dinheiro digital
Ethereum → aplicações e finanças
Mas, depois de surgirem estas duas, começaram a aparecer outras blockchains, geralmente, sempre com a mesma promessa: mais rápidas, mais baratas, melhores.
A Solana é uma das poucas que conseguiu ir além da promessa… e ganhar utilização real, por isso, merece um artigo aqui no Diário.
A ideia da Solana
A Solana é uma blockchain lançada em 2020, criada pelo engenheiro Anatoly Yakovenko, com um objectivo bastante claro:
ser extremamente rápida e barata.
Ao contrário da Ethereum (que começou mais lentamente e foi evoluindo), a Solana foi desenhada desde início para:
processar muitas transacções (mais de 50.000 transacções por segundo contra cerca de 15 por segundo na Ethereum),
com custos muito baixos (geralmente abaixo de $1),
e com uma experiência próxima das aplicações tradicionais que a maioria das pessoas conhece.
Conforme já vimos aqui, todas as blockchains enfrentam o trilema Escalabilidade-Segurança-Descentralização.
A Solana, além da rapidez e custo, queria resolver também a questão da escalabilidade, algo com que a Ethereum se debatia, mesmo com a ajuda das Layer 2.
Ou seja, o cenário do trilema das blockchains (até ao surgimento da Solana), era:
Bitcoin → segura, mas lenta
Ethereum → flexível, mas cara em momentos de maior utilização
A solução da Solana (sem entrar muito na parte técnica) foi utilizar o Proof of History, uma espécie de relógio interno da sua blockchain, que lhes permite:
ordenar transacções de forma mais eficiente;
reduzir a necessidade de comunicação entre os nós que validam as transacções;
aumentar significativamente a velocidade.
E a criptomoeda $SOL?
Tal como na rede Ethereum existe a cripto $ETH, no caso da Solana, existe a $SOL - a criptomoeda que serve para 3 coisas fundamentais:
Pagar transacções - as chamadas gas fees. Como já sabemos, todas as transacções em qualquer blockchain incorrem em custos, no caso da Solana, o pagamento é feito com SOL.
Staking - os utilizadores são incentivados a “bloquear” as suas SOL, contribuindo para a segurança da rede. Em troca, recebem uma pequena recompensa, uma espécie de dividendo.
A base do ecossistema da Solana - a SOL é usada por aplicações de DeFi, em jogos, para NFT’s e claro, para pagamentos.
As principais críticas e problemas da Solana
Andar muito depressa tem as suas consequências também na blockchain. E no caso da Solana, são bem conhecidos:
Interrupções da rede
entre 2021 e 2023 a rede sofreu várias paragens totais - excesso de transacções, bugs e bots, foram as causas apontadas. Neste período de 2 anos, foram contabilizadas 7 paragens, tendo a máxima tido uma duração de 19 horas.
A última paragem, registada em Fevereiro de 2024, durou perto de 5 horas.
Estas paragens além de afectarem a confiança na rede, prejudicam no imediato os seus utilizadores que ficam impedidos de aceder aos seus fundos, transaccioná-los e usar aplicações que corram na blockchain da Solana.
Centralização
A Descentralização, uma das bandeiras de muitas blockchains, é uma crítica apontada à Solana devido aos requisitos de hardware para validadores da rede.
Isto significa que o número de validadores é menor, o que aumenta o risco de concentração / centralização.
Histórico
A Solana (2000) tem menos anos de existência/operação que a Ethereum (2015) e, como se isso não bastasse, ainda tem um histórico de interrupções de funcionamento que põe em causa a sua estabilidade.
Apesar das melhorias recentes, a Solana ainda tem um histórico para construir que atraia mais investidores institucionais.
A adopção da Solana - o que sabemos
Não obstante os problemas conhecidos da Solana, esta não deixa de ser uma das maiores criptomoedas (por Market Cap), bem como um dos ecossistemas mais utilizados, surgindo logo a seguir à Ethereum:
A diferença para a Ethereum (em termos de utilização) é abismal, mas os 5,94% da Solana no contexto total da indústria tem relevância, quando se quer perceber para que servem as criptomoedas, como estão a ser usadas, quais são relevantes, quais são especulativas, etc.
Para quem está a ouvir falar de TVL (Total Value Lock) pela primeira vez - é uma das métricas mais importantes para avaliar a relevância de uma blockchain.
O TVL indica o valor total que está “bloqueado” na rede - valor que está a ser usado em protocolos de DeFi. No caso da Solana, nesta fase de baixa do mercado, o TVL é de cerca $5.4 biliões.
Stablecoins
Tal como já referido em artigos anteriores, as Stablecoins são (actualmente), o maior caso prático de utilização no dia a dia.
E aí, a Solana cumpre totalmente. As duas maiores (USDC e USDT) estão disponíveis de forma nativa na rede Solana e o nível de utilização da USDC na Solana, é expressivo:
Em 2024, a PayPal expandiu a sua própria stablecoin (PYSUD) também para a Solana.
Além destas, existem mais stablecoins disponíveis na Solana, o que facilita a sua utilização no dia a dia - ajudando a valorizar a própria Solana.
Tokenização
A tokenização e os RWAs também passam pela Solana.
Embora ainda não sejam conhecidos muitos casos de utilização em massa, Visa, PayPal, Franklin Templeton e BlackRock têm estado a desenvolver várias iniciativas viradas para a gestão de activos tokenizados por instituições financeiras reguladas.
É curioso que os nomes sejam praticamente os mesmos que os mencionados no artigo da Ethereum? Talvez saibam de algo que nós não sabemos...
Infraestrutura institucional
Em cima, falámos dos validadores da rede da Solana. Faltou mencionar que entre eles estão nomes como a Google, a Coinbase e a Binance. O que mostra que a Solana não é usada apenas por curiosos, nerds ou especuladores.
Presença institucional - como investimento
Muito se tem falado de empresas públicas que estão a criar enormes reservas de Bitcoin (com a Strategy a liderar) e Ethereum (Bitmine lidera).
No caso da Solana, isso também tem estado a acontecer, ainda que de forma mais discreta - por não envolverem (ainda) empresas com lideres tão mediáticos.
Os dados variam consoante as fontes (até porque nem todas as empresas são públicas), mas é seguro apontar para um total de mais de $10 milhões de SOL em caixa, nas tesourarias de várias empresas.
Porque é que empresas fazem isto?
Apreciação de capital, rendimento de staking e posicionamento estratégico num ecossistema crescente.
Como já vimos, a Solana tem taxas baixas, é rápida e o staking pode gerar cerca de 6% ao ano, permitindo que estas empresas tenham rendimento on-chain além da potencial valorização do activo - no entanto, convém não esquecer a volatilidade e riscos associados.
No dia a dia, para ti e para mim
Como é que qualquer pessoa pode usar a Solana no dia a dia?
Enviar dinheiro
O mesmo descrito anteriormente para a Ethereum, é igualmente válido para a Solana - a diferença está na blockchain usada.
No caso da Solana, as digital wallets nativas mais utilizadas são a Phantom e a Solflare.
Utilizando qualquer uma delas (ou outras compatíveis com a rede da Solana), é possível enviar e receber $SOL, stablecoins ou outros tokens compatívies com a Solana.
Tudo de forma rápida (segundos), fácil e barata (geralmente, na casa dos cêntimos).
Usar aplicações financeiras
Comparando novamente com o já mencionado nos artigos da Ethereum, também na rede da Solana existem várias aplicações de DeFi que permitem trocar tokens, fazer staking e ganhar yield.
Nunca é demais lembrar que a utilização destas aplicações de DeFi requer conhecimentos adequados, para minimizar os riscos associados.
Pagamentos
Da mesma forma que algumas empresas já aceitam pagamentos com Bitcoin ou Ethereum, o mesmo acontece com Solana, embora ainda não esteja tão generalizado.
Dentro dos grandes nomes, destaque para a Shopify que já fez integração do Solana Pay. De referir que esta integração ainda tem restrições geográficas e poderá não estar disponível em todos os países.
NFT’s
As comparações com a Ethereum também se estendem aos NFT’s, já que também existem alguns marketplaces dedicados na rede da Solana, sendo o Magic Eden o mais conhecido.
A vantagem está, claro, nos custos de utilização mais baixos.
Concluindo
A Solana quer tornar a blockchain utilizável à escala da internet.
Vai conseguir? Ainda é cedo para dizer.
Já captou a atenção dos utilizadores comuns, mas falta criar o tal histórico de estabilidade e fiabilidade, que só vem com o Tempo.
Depois, falta perceber também se a concentração do interesse institucional na Bitcoin e Ethereum, pode prejudicar ou não o futuro da Solana, ou até, se esta consegue atrair parte desse interesse para si.
Mas, em pouco mais de 5 anos, já existem aplicações user friendly e “familiares” na Solana e com números de utilização bastante significativos.
Ou seja, tudo considerado, pode-se dizer que a adopção do mercado até foi rápida.
Isto prova que o produto da Solana é viável e sem custar uma fortuna.
No mundo tecnológico, a combinação destes factores costuma dar bons resultados.
NOTA: Como de costume, nada do que aqui foi dito é recomendação de investimento. Este é um artigo meramente informativo/educacional.




