Market Cap, Volatilidade e Liquidez
Termos que fazem bocejar, mas que também podem fazer a diferença entre ganhar ou perder...
Hoje vamos falar de 3 “palavrões” frequentemente utilizados no meio dos mercados financeiros e de investimentos e que podem parecer chinês, principalmente para quem está a dar os primeiros passos nesta área.
Entender o significado de Market Cap, Volatilidade e Liquidez e as suas implicações, faz toda a diferença na hora de escolhermos em que activos ou classe de activos investir.
Além disso, quando chegares ao final deste artigo, deverás ficar também a perceber porque a Volatilidade não é demónio que muitos pintam por aí.
O artigo é longo e detalhado - se fosse rápido e básico, seria um TikTok ou Reel.
Este artigo é também dedicado a todas aquelas pessoas que, quando vêm uma cripto subir/cair 20% ou 30% num dia, dizem que é normal porque as “criptos são um scam”.
Curiosamente, quando uma Ação de uma empresa tem uma movimentação similar no mesmo espaço de tempo, essas mesmas pessoas têm sempre uma justificação 🤷
Vai buscar a tua bebida favorita, senta-te confortável e aproveita. No final, vais começar a ver peças do puzzle a encaixarem-se 😉
NOTA: se o teu serviço de email não apresentar o artigo completo, clica aqui!
Market Cap
Ou, em português, Capitalização de Mercado.
O Market Cap mostra-nos o valor e o tamanho de uma empresa cotada em Bolsa. É uma métrica importante para se comparar empresas e percebermos se estamos a falar de uma empresa grande, média ou pequena.
Este valor muda todos os dias, porque ele é calculado da seguinte forma:
preço actual da Ação x número total de Ações em circulação
A empresa mais valiosa do mercado continua a ser a NVIDIA, com um Market Cap de cerca de $4 Triliões (sim, Triliões):
No sector das Criptomoedas, o Market Cap é uma métrica igualmente importante e é calculada de forma similar:
preço actual da criptomoeda x número de moedas em circulação
Também neste sector, é uma métrica importante para avaliar o tamanho do projecto, a sua aceitação no mercado e a sua estabilidade.
Regra geral - quanto maior o Market Cap, mais estável é o projecto. Importa realçar que, esta métrica, não considera aspectos como a receita ou o potencial tecnológico.
Não encontrei um gráfico comparativo similar ao de cima mas, consultando sites dedicados - como o CoinMartketCap - e olhando apenas para as 10 maiores criptomoedas, são bem visíveis as diferenças de Market Cap:
Resumindo:
Tanto no sector tradicional como no sector das Criptomoedas, o Market Cap, mede o tamanho da empresa ou do projecto.
Importante considerar:
Muitas pessoas têm tendência a olhar para o preço unitário de uma Ação ou de uma Cripto, quando estão a decidir onde investir. Ver uma Ação com um preço “baixo” (5 ou 10€), pode fazer com que pareça ter potencial de valorização maior do que uma Ação mais “cara” (que custa 200 ou 300€ por unidade). No entanto, estas contas não são assim tão lineares.
É aqui que o Market Cap entra e faz toda a diferença. Se a tal “Ação barata” (de 5-10€) for de uma empresa com milhões de Ações em circulação, isso faz com que tenha uma Market Cap elevado, tornando a sua valorização mais difícil. Por oposição, se a tal “Ação cara” (200 ou 300€) for de uma empresa com poucas Ações em circulação (Market Cap baixo), então o potencial de crescimento é maior.
Por isso se diz que o preço de uma Ação ou Cripto não significa muito. Quando queremos entender o seu potencial de crescimento/valorização, é muito mais importante analisar métricas como o Market Cap.
Volatilidade
Todas as famílias têm aquele primo que anda sempre de um lado para o outro, que se mete em tudo e parece que ninguém lhe tem mão. Chamam-lhe instável.
Na família dos mercados financeiros e dos investimentos, também há um primo assim, chama-se Volatilidade.
Tão depressa está em altas, como no dia seguinte está em baixo (quando não no próprio dia).
As pessoas mais conservadoras tendem a criticá-la. Quando vêm um activo que tem este comportamento, classificam-no rapidamente de “activo de risco”. Não é que estejam totalmente erradas mas, não é a Volatilidade por si só, que faz com que um activo ou classe de activos seja de risco.
Uma vez que a característica essencial da Volatilidade é a sua constante movimentação, isto também pode ser encarado como uma oportunidade, por quem compreende e sabe ler essas movimentações constantes.
Se quisermos simplificar a coisa, esta é a separação que podemos fazer, no que toca à Volatilidade:
elevada Volatilidade: é uma métrica que contribui para o aumento do nível de risco de um activo ou classe de activos - óptimo para traders e investidores profissionais de curto prazo.
baixa Volatilidade: contribui para a classificação de nível de risco mais baixo, porque o preço tende a manter-se estável ao longo do tempo.
Um motivo pelo qual a Volatilidade deve ser relativizada (e não demonizada) tem a ver com um dos princípios básicos dos investimentos: ter um horizonte temporal de longo prazo.
Quem tem um perfil mais conservador, não precisa de fugir de activos voláteis, se tiver um horizonte temporal de longo prazo.
Um exemplo clássico disso, é a Bitcoin. Considerada como um activo volátil, no entanto, não há ninguém que tenha investido nela há 5 ou mais anos, que esteja no prejuízo.
Em todo o caso, para quem está a começar e ainda não compreende bem os motivos pelos quais certos activos são tão voláteis - continua a ler este Diário, que vais acabar por perceber 😉 - o importante é saber identificá-los e, talvez até, evitar esse tipo de activos, até se sentir mais confortável com a Volatilidade.
A forma mais fácil/eficaz de ver a Volatilidade de uma Ação, é através de indicadores técnicos como as Bollinger Bands, no entanto, para quem está a dar os primeiros passos, isto pode ser demasiado técnico.
Se for o teu caso, não há motivo para te assustares nem desmotivares.
Podes ir ao site investing.com . No campo de pesquisa, introduz o ticker da Ação ou nome da empresa que queres analisar e depois, vai à secção “Historical Data”.
Aqui, a informação é apresentada com dados Diários (por defeito), mas podes alterar para Semanal, se quiseres ter uma melhor percepção. E, na coluna da direita consegues ver logo as variações dos preços no período que estás a analisar (diário, semanal ou mensal).
Seguem-se dois exemplos, de duas empresas no sector tecnológico, mas com níveis de volatilidade bem distintos:
Nos dois exemplos em cima, apliquei o filtro Weekly (semanal) e basta olharmos para a coluna da direita (Change %) de cada uma das Ações, para se perceber de imediato qual é a mais volátil.
No caso dos ETF’s, esta análise é ainda mais fácil. Relembro que já falámos aqui dos aspectos a considerar na hora da escolha de ETF’s.
Olhando especificamente para a volatilidade, basta ir à tab “Risk” do ETF que nos interessa e temos logo acesso às % dos últimos 1, 3 e 5 anos:
Se isto fosse um curso ao vivo, agora faria a pergunta: consegues adivinhar a que ETF’s correspondem estes diferentes tipos de volatilidade? 🙂
Escolhi estes de propósito, para ilustrar as diferenças na Volatilidade.
Existem ETF’s mais voláteis, que chegam a ultrapassar os 40%, no entanto, como são recentes e ainda não têm grande histórico, achei que não fazia sentido para esta análise.
À esquerda está a Volatilidade de um ETF que replica o desempenho da Prata e à direita, está um ETF que replica o Core MSCI World.
Portanto, como podes ver, estamos a falar de dois activos “clássicos”, com boa reputação e que, ainda assim, têm uma Volatilidade bem distinta.
No caso das Criptomoedas, aplica-se o mesmo que foi dito para Ações. Os indicadores técnicos são os melhores para se medir a volatilidade.
Em alternativa, o procedimento descrito em cima - através do site investing.com - também funciona para as principais criptomoedas.
Para as mais pequenas ou de nicho, há o CoinMarketCap ou o Coingecko, que permitem ter acesso a dados históricos similares aos apresentados pelo investing.com embora sem as % que facilitam a análise. A alternativa, é descarregar esses dados históricos e fazer as contas no excel.
Regra geral, quanto maior for o Market Cap de uma Criptomoeda, menor tenderá a ser a sua Volatilidade.
Liquidez
Este termo, de forma muito simples, refere-se à facilidade/rapidez com que conseguimos movimentar os nossos investimentos.
Ou seja, queremos comprar uma Ação, um ETF ou uma Cripto, vamos a um broker ou exchange, damos a ordem de compra e depois... é preenchida rapidamente ou não?
O inverso é ainda mas importante: temos uma Ação, um ETF ou uma Cripto em carteira e, por algum motivo, precisamos do nosso dinheiro de volta. Conseguimos vender esse activo imediatamente?
A resposta a estas perguntas é: elevada Liquidez. Activos com elevada liquidez, vão permitir-nos responder SIM às perguntas anteriores.
Como avaliamos a Liquidez?
No caso das Ações, podemos olhar para:
volume médio de negociação diário - se o volume diário for alto, é fácil de comprar/vender.
histórico de negociações - se há consistência no volume de negociação ao longo do tempo, é um indicador de boa liquidez.
inclusão em índices importantes - se a empresa faz parte de índices importantes, que têm muita procura, como o S&P 500, o NASDAQ ou STOXX, isso costuma ser um bom sinal, embora não seja uma métrica tão eficaz como o volume médio de negociação diário.
Sendo o volume médio de negociação a métrica mais fácil de observar, ela pode ser consultada nas apps ou sites das correctoras ou em sites especializados como o Yahoo Finance ou Investing.com. O TradingView, para quem está familiarizado/a, também tem essa informação.
Para quem usa mais do que um broker ou exchange, é recomendável que consulte o volume médio de negociação em cada uma delas - brokers diferentes podem usar bolsas diferentes para nos disponibilizar o acesso às Ações. E, bolsas diferentes, têm liquidez diferente.
Exemplo: um broker pode permitir-nos comprar Ações da Google através da NASDAQ (EUA) ou através da XETRA (Alemanha). Sendo a NASDAQ a bolsa principal, a liquidez será muito maior lá.
No caso dos ETF’s, identificar a Liquidez é um processo ainda mais fácil. Tal como já foi explicado neste artigo, basta olhar para o tamanho do fundo (Fund Size) ou para a quantidade de activos sob gestão (AUM - Assets Under Management). Esta informação está disponível em sites como o justetf.com ou nos documentos oficiais de cada ETF. Regra geral, quanto maior o Fund Size ou AUM, maior o nível de Liquidez do ETF.
Para complementar os dados fornecidos pelo Fund Size/AUM, podemos também confirmar o volume médio de negociação diária do ETF que nos interessa. Essa informação costuma ser disponibilizada pelas plataformas dos maiores brokers. Ou então, podemos recorrer aos sites de referência para estes assuntos, como o Yahoo Finance ou o Investing.com
No caso das Criptomoedas, a lógica é similar à das Ações, podemos olhar para:
volume médio de negociação diário - se o volume diário for alto, é fácil de comprar/vender.
profundidade do livro de ordens - esta é uma funcionalidade avançada que, a maioria das exchanges tem, e que permite ver a quantidade de ordens de compra e venda próximas do preço actual - quanto maior o número de ordens, maior a liquidez.
número de exchanges onde essa criptomoeda está listada - a importância deste ponto, é similar às Ações que pertencem a índices.
O volume médio de negociação diário e o número de exchanges que listam determinada criptomoeda, pode ser encontrada em sites como o CoinMarketCap ou o Coingecko.
Para não estar sempre a usar a Bitcoin como exemplo, olhemos para outra das maiores, a Solana:
Para obter estes dados, basta irmos ao CoinMarketCap, pesquisar a criptomoeda que nos interessa e escolher a tab “Markets”.
Aqui, podemos olhar para as colunas do Volume 24h e Volume %. Neste caso em específico, salta logo à vista qual a exchange que tem o maior Volume de Solana para negociação. Além disso, podemos ver que existem centenas de registos - entre pares de negociação (com diferentes tipos de moedas) e exchanges que têm esta cripto em específico - tudo sinais de boa liquidez.
Por oposição - isto é um mero comparativo e não há cá clubismos, ok? - segue-se um exemplo de um token, onde a Liquidez é bem mais baixa:
Como se pode ver, há apenas 8 registos - menos pares e menos exchanges disponíveis para negociar.
No que toca ao volume diário (Volume 24h), enquanto que a principal exchange para negociar este token apresenta um volume de cerca de $175 mil, no exemplo anterior, a mesma exchange para um token maior, tinha um volume diário de cerca de $230 milhões.
Conclusão
Aqui chegados/as, espero que algumas das coisas que já ouviste por aí, comecem a fazer mais sentido 🙂
Mas, antes de terminar, vamos encaixar as peças do puzzle - para te ajudar a tomar melhores decisões:
Market Cap 🔗 Liquidez
As maiores empresas e as maiores criptomoedas (as que têm Market Cap maior), têm tendência a ter uma maior liquidez, porque atraem mais investidores - quem é que não quer investir nos vencedores?
Market Cap 🔗 Volatilidade
Empresas e criptomoedas mais pequenas (também chamadas de Low Caps) costumam ser mais voláteis.
Liquidez 🔗 Volatilidade
quando um activo tem pouca liquidez, basta uma compra/venda grande para dar um abanão no preço e, por consequência, acordar a Volatilidade.










