Mercado Cripto - ponto de situação
Ponto de partida para 2026
Nas primeiras semanas de cada ano, há sempre a tendência de fazer projecções e de tentar adivinhar quais serão os activos ou classes de activos que se irão destacar.
Mas, uma das formas mais produtivas de olhar para o novo ano, é saber de onde partimos - o que nos mostrou o passado recente?
É disso que vamos falar hoje - os 3 grandes vectores que marcaram 2025:
As regulamentações
A entrada em força das instituições
A expansão das stablecoins
E que servem de rampa de lançamento para 2026. Sobre o novo ano, guardarei os meus comentários para a parte final, numa secção dedicada aos apoiantes do Diário Cinzento.
O contexto, sempre o contexto!
Ainda antes de irmos aos 3 vectores que marcaram 2025, podemos olhar rapidamente para como 2025 começou para que ninguém pense que 2026 vai ser igual.
Se recuarmos até 2024, veremos que os sectores que mais se destacaram foram os da Inteligência Artificial (IA) e o das Memecoins.
Parêntesis interessante (para fazer um paralelismo com os mercados tradicionais): as criptos de IA tiveram o seu boom em 2024. Em 2025, foram as Acções ligadas a IA a brilharem. Fica esta curiosidade.
Voltando ao mercado Cripto, em 2025, as Memecoins ainda deram sinais de vida nas primeiras semanas, principalmente as ligadas à política, na ressaca das eleições americanas. Mas, tanto as Memecoins como as de Inteligência Artificial, foram perdendo gás à medida que o ano se foi desenrolando.
Foi neste contexto que arrancou 2025. Olhemos agora para os 3 grandes marcos do ano.
As regulamentações
Durante muitos anos, o mercado Cripto foi olhado de lado devido, em grande medida, à falta de regulação. Em 2025, isso mudou.
2025 começou com a entrada em vigor da MiCA - a regulamentação europeia que cobre toda a actividade relacionada com Criptoactivos no espaço europeu.
Os Emirados Árabes Unidos colocaram também em prática a sua própria regulamentação. Pode parecer meio irrelevante estar a falar deste país, mas Dubai e Abu Dhabi, são dos pólos mais relevantes no sector Cripto a nível mundial.
A importância destas cidades não se deve apenas aos regimes fiscais favoráveis, mas também à claridade da regulamentação que entrou em vigor em 2025 e que oferece maiores garantias às empresas que actuam neste sector.
Em 2025, os EUA viraram a página na forma como encaravam este sector. A actual Administração rompeu completamente com a perseguição que a anterior tinha feito às empresas do sector Cripto e colocou em marcha um plano para mudar todo o enquadramento legal do sector.
Até à data, foi aprovado o Genius Act - a primeira lei que regula a utilização de stablecoins. Em curso está o Clarity Act, que irá finalmente esclarecer qual a classificação (e enquadramento legal) a atribuir às criptos: Securities ou Commodities?
O Clarity Act deveria ter sido aprovado até final de 2025, mas com o shutdown de mais de um mês de que falei aqui, acabou por ser adiado para 2026. A expectativa está agora entre o 1º e o 2º trimestre deste ano.
No resto do mundo, são vários os países a posicionarem-se também para terem leis claras sobre a utilização de Criptoactivos:
Reino Unido tem actualmente uma proposta em discussão para que os Criptoactivos sejam integrados na regulamentação já existente, em vez de serem tratados como excepções.
No Butão, o destaque não é tão regulamentar, mas mais operacional. O governo local reforçou, em 2025, o investimento na expansão das operações de mineração de Bitcoin, que já decorrem desde 2019.
O Brasil aprovou um novo regime para os prestadores de serviços de Criptoactivos, bem como as stablecoins, que passaram a estar integradas no enquadramento legal de supervisão de moedas estrangeiras.
A Banco Nacional da República Checa colocou em curso um projecto piloto para a compra de Bitcoin. O objectivo? Avaliar um modelo operacional tendo em vista a inclusão de Bitcoin no seu Tesouro.
Na Ásia, Japão, Singapura e Hong Kong, continuam a ser os países que lideram na adopção em termos regulamentares, com regras e leis claras para quem opera neste sector.
A entrada das grandes instituições e empresas
Com base em tudo o que foi dito anteriormente, 2025 ficou oficialmente marcado pela entrada das grandes instituições e empresas - fundos de investimentos, fundos de pensões, gestores de activos e empresas cotadas em bolsa.
Os ETF’s (que já tinham começado a ser aprovados em 2024) não trouxeram nada de novo - são iguais aos outros que já conhecemos - mas facilitaram, e muito, o acesso destas grandes instituições aos Criptoactivos, sem terem de aprender a usar a blockchain ou a gerir digital wallets e afins.
Do lado do Bancos, as mudanças em 2025 foram igualmente notáveis. Alguns já tinham iniciado projectos piloto em anos anteriores e outros, mudaram completamente o seu discurso sobre cripto: há uns anos consideravam que era um esquema, uma fraude. Em 2025, criaram a infraestrutura necessária para os seus clientes terem acesso. O caso mais emblemático deste “vira-casacas”? JPMorgan, o maior banco americano.
Entre os bancos mundialmente conhecidos, destaque para o BNY Mellon, Deutsche Börse, BBVA, Citibank, JPMorgan e Goldman Sachs. Sozinhos ou em parceria com empresas especializadas, todos estes bancos criaram infraestruturas que lhes permitem oferecer serviços de compra/venda e/ou custódia de criptoactivos, nomeadamente Bitcoin, Ethereum e stablecoins seleccionadas.
Além das instituições tradicionais, destaque também para empresas cotadas em bolsa, que começaram a criar as suas próprias reservas de Bitcoin ou Ethereum, com duas em destaque:
A Strategy (ex-MicroStrategy), segundo dados de final de 2025, detém já cerca de 3% de toda a Bitcoin em circulação.
A BitMine, também segundo dados do final de 2025, detém também entre 3% e 3,4% (depende das fontes) de toda a Ethereum em circulação.
A expansão das stablecoins
Este terceiro vector, acaba por ser uma sequência lógica dos dois anteriores - a aposta nas stablecoins.
Este foi um dos grandes investimentos feitos em 2025, por parte de empresas de pagamentos (Stripe e PayPal, por exemplo) e fintechs - o lançamento de novas stablecoins ou a disponibilização do acesso a stablecoins já estabelecidas (USDT ou USDC) - como forma de pagamento.
A oferta começa a ser variada neste campo e prova uma das utilidades há muito conhecidas da Blockchain: como veículo de pagamentos e transferências internacionais a baixo custo.
Em resumo
2025 ficou claramente marcado por:
O início da adopção da Bitcoin como reserva de valor;
A criação de infraestruturas reguladas para a adopção de criptomoedas;
O investimento em stablecoins como instrumentos monetários;
Isto são dados factuais de 2025 e que servem de ponto de partida para aquilo que podemos esperar em 2026.
A próxima secção, dedicada aos apoiantes do Diário Cinzento, partilho então as minhas expectativas para 2026 - aquilo a que vou prestar atenção, com base no que foi dito em cima.


