Em Agosto, escrevi sobre cartões de cashback e tinha pensado ir actualizando a informação desse artigo até me aperceber que, a frequência com que mudam as condições e a quantidade de cartões que vão chegando ao mercado, tornam essas actualizações num trabalho sem sentido.
Se acompanhas este Diário há algum tempo, já sabes que há muita coisa a acontecer e com impactos maiores, que justificam mais atenção do que a competição entre as empresas que “oferecem” estes cartões.
Felizmente, descobri um site que — não fazendo o trabalho todo por nós — já nos dá uma grande ajuda na escolha dos cartões de cashback.
Importa referir que, tal como nesse artigo de Agosto, o site de que vou falar hoje foca-se em cartões de cashback com cripto, que continuam a ter ofertas mais atractivas que os cartões dos sectores tradicionais. A maioria deles oferecem cashback em stablecoins (inclusivé baseadas em EUR), por isso, não vejo motivos para os ignorarmos.
Para quem chegou agora: se stablecoins ainda são um conceito estranho, sugiro a leitura destes dois artigos:
Se algum dos artigos do Diário Cinzento já te foi útil, considera apoiar este projecto.
CARD MAP
cardmap.org é a ferramenta que me fez esquecer a folha de excel que usava até Agosto.
Importa referir que este artigo não é patrocinado — estou apenas a partilhar uma ferramenta que uso.
O cardmap.org é um comparador de cartões cripto que — parece-me a mim — utiliza muita informação gerada por IA, por isso, há que confirmar sempre que a informação está actualizada antes de subscrevermos qualquer serviço.
Ainda assim, continuo a preferir utilizar este site, do que seguir a rotina antiga de pesquisar projectos, analisar individualmente cada um, recolher e colocar no excel os dados mais relevantes para mim e por fim fazer uma comparação de todos.
O site é bastante intuitivo e a forma mais rápida de o utilizar é começarmos por uma primeira pesquisa baseada no nosso país de residência:
Este é o filtro mais básico e essencial, já que muitos cartões que são publicitados nas redes sociais, têm restrições geográficas ou não estão (ainda) disponíveis em todos os países.
A partir daqui, temos logo uma lista e basta clicar em cada uma delas, para acedermos aos detalhes.
A chamada de atenção anterior é realmente importante porque sendo o Card Map um agregador automático, pode cometer alguns erros. Por exemplo, o MEXC Card aparece logo no topo das opções para Portugal mas, a MEXC é uma corretora que — à data da publicação deste artigo — ainda não consta na lista de CASPs (prestadores de serviços de criptoactivos autorizados para actuar na Europa de acordo com o MiCA). A lista oficial pode ser encontrada aqui.
Alerta feito, a partir daqui, o site torna-se muito útil. Permite-nos:
Usar uma calculadora para perceberemos o que podemos receber efectivamente em cashback (considerando limites mensais, taxas cambiais e escalões). Por outras palavras, a calculadora mostra-nos o valor líquido e não aquele número bonito usado pelo marketing;
Comparar cartões lado a lado — em 3 ou 4 clicks, este site faz-nos o equivalente ao que eu fazia no excel e que me custava umas horas.
Um guia simples e essencial para quem acabou de chegar ao mundo dos cartões de cashback.
Outros cuidados a ter
Além do já mencionado, outros cuidados/filtros que me parecem relevantes:
“Quando a esmola é muita, o pobre desconfia” — 1% de cashback é o mais comum. Empresas novas podem oferecer 2 a 3% numa fase inicial para conquistar utilizadores. Cashbacks superiores a estes, normalmente, exigem staking de um token cuja utilidade temos de validar ou o pagamento de uma anualidade para subir de escalão.
Onde fica o nosso dinheiro? Depende. Se for um cartão custodial, o dinheiro fica na plataforma que estamos a usar (se ela tiver problemas, arriscamo-nos a ficar sem o nosso dinheiro). Se for um cartão de auto-custódia (aqui entra a beleza da blockchain), então os fundos ficam na nossa carteira, sob a nossa responsabilidade.
O token do cashback. Para residentes em Portugal (e na Europa, de forma geral), os que interessam mais são USDC ou EURC — stablecoins indexadas ao Dólar ou ao Euro. Algumas plataformas pagam o cashback no seu próprio token e, por isso, costumam aliciar os utilizadores com cashbacks mais altos (já vi 6 a 8%). O problema destes tokens próprios, é o seu valor intrínseco... a maioria não tem grande utilidade e são super voláteis, ou seja, esses 6 ou 8%, na realidade, podem traduzir-se em 1 ou 2% (para não dizer 0).
Taxas cambiais — pormenor importante para quem recebe numa criptomoeda qualquer e depois quer trocar por Euros tradicionais ou fazer compras directamente com essa mesma criptomoeda. Nestes casos, aplica-se sempre uma taxa de cambial. Convém confirmar que estamos confortáveis com essa taxa e alguma outra comissão que decidam aplicar, antes de começarmos a usar o cartão.
Custos do cartão físico — nem todas as empresas disponibilizam cartão físico — mais um filtro importante de considerar para quem quer mesmo um. Outras disponibilizam cartão físico mas com um custo associado (geralmente faz parte das anuidades já mencionadas). Pontualmente, podem haver campanhas em que o cartão físico é oferta. Todas elas disponibilizam cartão digital de forma gratuita, que costuma ser compatível com Apple/Google Pay.
Disponibilidade — mesmo que o Card Map indique que o cartão está disponível em Portugal, convém validar essa informação no site da própria empresa, antes de subscrever.
KYC (Know Your Customer) — procedimento burocrático legal pelo qual temos de passar ao aderir à maioria destes cartões. Demora 5-10 minutos e exige: uma cópia de um documento de identificação, uma cópia de um comprovativo de morada e uma fotografia/vídeo da nossa cara.
Impostos — qualquer informação relativa a este ponto que conste no Card Map ou que encontremos na internet, deve ser validada sempre com um contabilista. Existem diversas variáveis, desde o enquadramento legal de cada país até às particularidades da situação fiscal de cada pessoa.
Resumindo
O Card Map não faz o trabalho todo por nós, mas já reduz bastante a selecção e torna o processo de escolha mais rápido.
Permite filtrar pelos aspectos essenciais, comparar opções lado a lado, ajudando-nos a chegar a uma shortlist de duas ou três opções. A partir daqui, só temos de validar os dados nos sites oficiais das respectivas empresas e fazer a nossa escolha.
Nunca esquecer que quaisquer dados relativos às condições de determinado cartão estão sempre sujeitos a alteração sem aviso prévio, por parte das próprias empresas. Devemos sempre validar os dados e ofertas disponíveis, antes de subscrever.
Uma shortlist para considerar*
À data da publicação deste artigo, estes são aqueles que considero mais interessantes:
ByBit EU — cartão emitido por uma corretora com boa reputação, em parceria com a Mastercard. Oferece 1% de cashback sem limites mensais. Tem cartão físico e o cartão digital é compatível com Apple/Google Pay. O cashback é pago em USDC, BTC ou pontos que podem depois ser convertidos em BTC, ETH ou até bónus em cartão para gastar em compras. O utilizador pode escolher qual destas opções prefere. Apesar do cashback de apenas 1%, continua a ser a opção mais fácil de usar e não tem anuidades nem compromissos adicionais.
Bleap — uma alternativa ao anterior, também em parceria com a Mastercard. Também com 1% de cashback, sem anuidades nem compromissos adicionais. Também funciona com Apple/Google Pay. Vantagens: actualmente oferece 20% de cashback na subscrição de serviços de streaming (Netflix, Amazon Prime, YouTube, Disney+), 20% de serviços de IA (Claude, ChatGPT, Gemini) e 3% das compras na Uber, UberEats, Bolt e Glovo. O cashback é pago em USDC, é disponibilizado logo após a confirmação de uma compra e pode ser gasto com cartão, convertido noutra criptomoeda ou transferido on-chain. Desvantagens: cartão físico ainda não está disponível em Portugal. Existem limites mensais para as diferentes categorias de despesas.
Solid — esta é uma opção muito recente no mercado e que não tem ainda provas dadas como os restantes nomes aqui apresentados. É uma opção para quem prefere usar a rede Visa. Também funciona com Apple/Google Pay. O cashback é pago em USDC, mas demora 14 dias a ser creditado na conta. Tal como na Bleap, estes USDC podem ser gastos em compras, convertidos para outra cripto ou podem ser transferidos on-chain. A vantagem de ser novo: esforça-se mais para atrair novos utilizadores e actualmente oferece 3% de cashback. Desvantagens: cartão físico ainda não está disponível em Portugal. O cashback tem um limite mensal de $50.
Ether.Fi — mais uma opção para quem prefere a rede Visa, também compatível com Apple/Google Pay. Era a minha opção preferida por oferecer 3% em USDC, mas isso mudou em Setembro e agora o cashback passou a ser pago em ETHFI (o token da própria empresa) e demora 7 dias a ficar disponível. Passado este período, o cashback tem de ser reclamado e pode ser usado de várias formas: em compras, convertido para outra cripto, fazer staking ou transferir on-chain. Depois da empresa ter trocado o cashback de USDC para ETHFI, a vantagem que sobra é a do “modo crédito” que permite fazermos compras com o cartão sem vendermos os nossos criptoactivos — estes são colocados num vault e usados como garantia para aquilo que podemos gastar. Convém não esquecer que estamos a falar de um crédito e como tal, exige um controlo maior e outros custos. Desvantagens: o cartão físico não está disponível no plano gratuito. O cashback está limitado a gastos de $800/mês, o que se traduz em pouco mais de ~$25/mês.
Nota adicional: para simplificar, destaquei apenas os dados da Solid e da Ether.Fi para os planos gratuitos. Estas duas empresas oferecem subscrições anuais e programas de staking dos seus tokens que dão acesso a recompensas maiores.
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Uma vez que as campanhas promocionais para novos utilizadores estão sempre a mudar, se quiseres saber o que está em vigor, diz-me na caixa de comentários em baixo.
NOTA: Como de costume, nada do que aqui foi dito é recomendação de investimento. Este é um artigo meramente informativo/educacional.





