<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Diário Cinzento]]></title><description><![CDATA[Um diário para quem não acredita em milagres. Dedicado a quem quer aprender sobre Acções, ETF's e Criptomoedas, sem hypes nem atalhos.]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SKE9!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2c60b5a3-978a-4d74-b754-25494e38ddbc_300x300.png</url><title>Diário Cinzento</title><link>https://www.diariocinzento.pt</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 03 Sep 2026 17:15:40 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.diariocinzento.pt/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Diário Cinzento]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[diariocinzento@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[diariocinzento@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Diário Cinzento]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Diário Cinzento]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[diariocinzento@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[diariocinzento@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Diário Cinzento]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Investir é uma aventura pessoal]]></title><description><![CDATA[Como o auto-conhecimento influencia os teus investimentos]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/investir-e-uma-aventura-pessoal</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/investir-e-uma-aventura-pessoal</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 02 Sep 2026 06:52:32 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2b8c0c31-20c0-48ef-8e41-a4f03252e93c_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O rascunho de hoje j&#225; estava escrito h&#225; algum tempo mas com tantos temas para abordar, a sua publica&#231;&#227;o foi sendo adiada.</p><p>Setembro acabou de come&#231;ar &#8212; &#233;poca de recome&#231;os para muita gente &#8212; e pareceu-me boa altura para falar deste assunto, at&#233; porque o plano para as pr&#243;ximas semanas do <em>DC</em> passa por responder a quest&#245;es/sugest&#245;es vossas, bem como come&#231;ar a falar mais da cria&#231;&#227;o/gest&#227;o de portfolios.</p><p>Antes disso, h&#225; algumas bases que considero essenciais estabelecer.</p><div><hr></div><div><hr></div><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Se a cria&#231;&#227;o/gest&#227;o de portfolios te interessa, considera tornar-te subscritor/a para acesso a conte&#250;dos exclusivos.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p></p><div><hr></div><p>Durante os meus anos de estudo desta &#225;rea, al&#233;m dos livros e document&#225;rios, j&#225; acompanhei v&#225;rios canais de YouTube, j&#225; estive inscrito em grupos privados (Discord e Telegram) e j&#225; participei em alguns f&#243;runs online sobre investimentos &#8212; at&#233; chegar &#224; conclus&#227;o de que <strong>investir &#233; uma aventura pessoal</strong>.</p><p>Passando uns anos nisto, &#233; f&#225;cil identificar as perguntas mais frequentemente em f&#243;runs e comunidades online, das quais destaco:</p><ul><li><p><em>&#8220;Tenho xxxx&#8364; para investir, o que recomendam?&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Se tivesse xxxx&#8364;, que percentagem colocariam em fundos, PPR, certificados, ac&#231;&#245;es?&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Quero come&#231;ar a investir. Por onde come&#231;o?&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Qual &#233; a pr&#243;xima BTC em que voc&#234;s est&#227;o a investir?&#8221;</em></p><p></p></li></ul><p>O &#250;ltimo tipo de pergunta denota uma mentalidade de apostador/a &#8212; algu&#233;m que quer colocar o seu dinheiro na pr&#243;xima cripto ou ac&#231;&#227;o que acha que vai explodir. E esta &#233; logo a primeira distin&#231;&#227;o importante: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>investir <strong>&#8800;</strong> apostar</p></div><p>Quem n&#227;o conseguir entender esta diferen&#231;a vai ter grandes desilus&#245;es.</p><p>Os outros tipos de perguntas, s&#227;o perfeitamente normais mas podem tornar-se perigosas na medida em que s&#227;o feitas por pessoas que querem investir, n&#227;o sabem bem como e esperam obter de respostas de:</p><ul><li><p>an&#243;nimos na internet,</p></li><li><p>opini&#245;es nem sempre fundamentadas,</p></li></ul><p>Para depois decidirem o que fazer com o seu dinheiro.</p><p>Antes de continuar, gostaria de deixar claro &#8212; como em todas as outras &#8220;p&#225;ginas&#8221; deste Di&#225;rio &#8212; nada do que aqui est&#225; deve ser considerado como aconselhamento financeiro e que, as classifica&#231;&#245;es de &#8220;apostador/a&#8221; e de perguntas &#8220;perigosas&#8221; mencionadas, <strong>n&#227;o devem ser entendidas como cr&#237;ticas, mas sim, como alertas &#224; navega&#231;&#227;o.</strong></p><p>O objectivo deste Di&#225;rio continua a ser o de apresentar informa&#231;&#245;es, dados e <strong>convidar os/as leitores/as &#224; reflex&#227;o</strong>. Cada pessoa sabe aquilo que &#233; melhor para si.</p><p>&#201; precisamente por esta &#250;ltima frase que devemos come&#231;ar - <em><strong>cada pessoa sabe aquilo que &#233; melhor para si</strong></em>. </p><p>Parece retirada de um livro de auto-ajuda, mas &#233; o que melhor me ocorre e &#233; uma afirma&#231;&#227;o f&#225;cil de sustentar.</p><p>Foi por isso que escolhi o t&#237;tulo &#8220;investir &#233; uma aventura pessoal&#8221; para hoje. Ir &#224; aventura, implica ir &#224; descoberta do desconhecido, que pode facilmente traduzir-se para o campo dos investimentos com:</p><ol><li><p><mark data-color="#fff2cc" style="background-color: rgb(255, 242, 204); color: rgb(0, 0, 0);">A rela&#231;&#227;o com o dinheiro</mark> &#8212; que nem sempre &#233; bem a que imagin&#225;vamos antes de come&#231;armos a investir.</p></li><li><p><mark data-color="#fff2cc" style="background-color: rgb(255, 242, 204); color: rgb(0, 0, 0);">A auto-descoberta</mark>, hoje em dia, este termo j&#225; &#233; meio <em>cringe</em>, mas se leres at&#233; ao fim, vais perceber porque faz sentido;</p></li><li><p><mark data-color="#fff2cc" style="background-color: rgb(255, 242, 204); color: rgb(0, 0, 0);">Os objectivos</mark>, as metas.</p></li></ol><div><hr></div><h3>A rela&#231;&#227;o com o dinheiro</h3><p>O dinheiro &#233; uma ferramenta &#8212; n&#227;o tem sexo, nem pol&#237;tica, nem religi&#227;o. </p><p>&#201; uma ferramenta frequentemente usada como moeda de troca de bens e servi&#231;os. Mas dado o peso que tem na nossa sociedade, num n&#237;vel mais metaf&#243;rico, o dinheiro tamb&#233;m pode ser considerado um espelho. </p><p>A forma como nos relacionamos com o dinheiro, reflecte o tipo de pessoa que somos.</p><p>Quem nasceu/cresceu num contexto de escassez ou onde o dinheiro era considerado como algo sujo, vai ver isso reflectido na forma como encara a &#225;rea dos investimentos e, na verdade, tudo o que envolva dinheiro. Quando n&#227;o se entende bem esta natureza, surgem coment&#225;rios como:</p><ul><li><p><em>&#8220;Se tem dinheiro, &#233; porque est&#225; metido em neg&#243;cios obscuros&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Se fala muito de dinheiro, &#233; um ganancioso, &#233; preciso cuidado com ele&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Trabalho honesto &#233; do nascer ao p&#244;r do sol. Isso do trabalhar de forma inteligente, &#233; conversa de aldrab&#245;es&#8221;</em></p></li></ul><p>Por outro lado, temos tamb&#233;m as pessoas que t&#234;m uma rela&#231;&#227;o muito mais desprendida com o dinheiro. Normalmente, &#233; junto destas pessoas que ouvimos coment&#225;rios, como:</p><ul><li><p><em>&#8220;Chapa ganha, chapa gasta&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Quando morrer, n&#227;o levo nada comigo, por isso, mais vale gastar agora&#8221;</em></p></li><li><p><em>&#8220;Investir? E deixar de aproveitar as coisas boas da vida? Est&#225; bem, espera a&#237;...&#8221;</em></p></li></ul><p>S&#227;o duas posi&#231;&#245;es opostas e que podem parecer exageradas mas que, certamente, j&#225; todos ouvimos repetidamente e, se as analisarmos bem, n&#227;o surgem do nada. N&#227;o s&#227;o apenas coisas ditas da boca para fora. Derivam de cren&#231;as profundamente enra&#237;zadas que, como seria de esperar, se reflectem no comportamento das pessoas.</p><div><hr></div><h3>A auto-descoberta</h3><p>Se olharmos para os Investimentos como um processo, uma viagem, podemos considerar a auto-descoberta, como a segunda etapa. </p><p>Come&#231;a quando ganhamos consci&#234;ncia de como &#233; a nossa rela&#231;&#227;o com o dinheiro e de como isso se manifesta nas nossas decis&#245;es, nas nossas escolhas.</p><p>Algumas pessoas, ganham esta consci&#234;ncia cedo e partem em vantagem nessa viagem/aventura. Outras, s&#243; aprendem com a experi&#234;ncia dos anos ou quando as coisas apertam.</p><ul><li><p><strong>Costumas comprar activos depois de subirem e vendes quando caem?</strong> Isto &#233; t&#237;pico de pessoas impacientes.</p></li><li><p><strong>Deixas-te atrair por esquemas ou &#8220;oportunidades de uma vida&#8221;?</strong> Isto &#233; comum em pessoas gananciosas ou desesperadas.</p></li><li><p><strong>O mercado teve uma correc&#231;&#227;o e come&#231;aste a dormir mal ou a ter dores de barriga?</strong> Isto &#233; comum em pessoas ansiosas e/ou mal preparadas.</p></li></ul><p>Estas s&#227;o apenas algumas das reac&#231;&#245;es mais comuns. Todos n&#243;s temos uma &#8220;bagagem emocional&#8221; e &#233; normal passarmos por estas situa&#231;&#245;es ou outras. Todos n&#243;s crescemos num determinado enquadramento socio-cultural e vivemos num certo contexto. </p><p>Nada disto nos define, mas pode condicionar-nos consideravelmente, se n&#227;o tivermos consci&#234;ncia disso. &#201; aqui que entra a auto-descoberta e o auto-conhecimento como caminho para a solu&#231;&#227;o das situa&#231;&#245;es descritas ou outras.</p><div><hr></div><h3>Os objectivos</h3><p>Por fim, temos de <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/a-importancia-dos-objectivos">voltar a falar dos objectivos</a>. Qualquer pessoa que comece a investir, f&#225;-lo porque tem alguns objectivos, tem algo em mente que quer alcan&#231;ar.</p><p>E, como tamb&#233;m j&#225; vimos em cima, todos temos contextos diferentes:</p><ul><li><p>A m&#227;e solteira;</p></li><li><p>O casal com dois filhos;</p></li><li><p>A pessoa empreendedora;</p></li><li><p>O jovem de 20 anos que mora com os pais;</p></li><li><p>Etc.</p></li></ul><p>Ora, se os contextos s&#227;o t&#227;o variados, como &#233; poss&#237;vel responder &#224;s perguntas do in&#237;cio deste artigo em 2 ou 3 par&#225;grafos sem conhecer o enquadramento pessoal/familiar/profissional da pessoa? J&#225; para nem falar, do seu <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/qual-o-teu-perfil-de-risco">perfil de risco</a>.</p><p>Sim, algumas das respostas obtidas nos f&#243;runs/comunidades/redes sociais, podem apontar para poss&#237;veis caminhos.</p><p>Mas, respostas de 2 ou 3 par&#225;grafos dificilmente superam o estudo, a leitura, o informar-mo-nos sobre as op&#231;&#245;es existentes no mercado e como adapt&#225;-las aos nossos pr&#243;prios contextos e aos diferentes objectivos.</p><p>Por isso, sim, investir &#233; uma jornada, uma aventura de descoberta pessoal. Podemos aprender com as experi&#234;ncias dos outros mas, segui-las sem a devida auto-an&#225;lise e sem a respectiva adapta&#231;&#227;o, &#233; entrar num caminho perigoso.</p><p><strong>Investir n&#227;o &#233; s&#243; sobre multiplicar dinheiro. </strong></p><p><strong>&#201; sobre conhecermos as nossas cren&#231;as e limita&#231;&#245;es. &#201; sobre gerir medos. &#201; sobre paci&#234;ncia. &#201; sobre aprender. &#201; sobre praticar. &#201; sobre n&#227;o repetir erros. &#201; sobre pensar pela pr&#243;pria cabe&#231;a.</strong></p><p>E &#233; por isso tamb&#233;m que este Di&#225;rio existe. N&#227;o conhe&#231;o o teu contexto pessoal/familiar/profissional, nem o teu perfil de risco. Mas estudo regularmente os activos (Ac&#231;&#245;es, ETFs e Criptos) de que falo por aqui. Partilho os meus estudos, an&#225;lises e formas de pensar para que tu encontres algumas direc&#231;&#245;es e ideias que possas adaptar ao teu caso.</p><p>Considera este <em>Di&#225;rio Cinzento,</em> como o meu pr&#243;prio di&#225;rio de investimentos. S&#243; que em vez de estar guardado numa estante a ganhar p&#243;, est&#225; aqui exposto na internet para quem o quiser ler e (espero eu) aprender algo.</p><p></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se conheces quem tenha interesse nos estudos e an&#225;lises do DC, partilha este post.</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/investir-e-uma-aventura-pessoal?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/investir-e-uma-aventura-pessoal?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Bonds — o empréstimo mais cinzento que podemos fazer]]></title><description><![CDATA[As Obriga&#231;&#245;es podem ser dos empr&#233;stimos mais secantes de se fazer, mas tamb&#233;m dos mais importantes...]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/bonds-o-emprestimo-mais-cinzento</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/bonds-o-emprestimo-mais-cinzento</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 26 Aug 2026 06:56:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ce64f169-2f18-40d7-8178-e805b422cd04_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; umas semanas fal&#225;mos de um dos instrumentos de investimento mais secantes &#8212; os <em>money markets</em> &#8212; hoje falamos do &#8220;primo&#8221; mais velho, <em><strong>bonds</strong></em> (obriga&#231;&#245;es, em Portugu&#234;s).</p><p>No <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/money-markets-o-activo-mais-aborrecido">artigo sobre money markets</a>, fiz a analogia de como ele &#233; aquele amigo forreta que n&#227;o compromete. J&#225; com <em>bonds</em>, a conversa &#233; um pouco mais sofisticada, pois implica opini&#245;es sobre taxas de juro, prazos e os poss&#237;veis cen&#225;rios econ&#243;micos dos pr&#243;ximos anos.</p><p>Nada disto continua a ser boa conversa de jantar, mas este Di&#225;rio existe para melhorar o teu portfolio e n&#227;o para fazeres brilharetes junto dos teus amigos ou da tua cara metade.</p><p>Se leres este artigo at&#233; ao fim, vais ficar a perceber:</p><ul><li><p>porque &#233; que as Obriga&#231;&#245;es (bonds) s&#227;o importantes e como funcionam;</p></li><li><p>os diferentes tipos de Obriga&#231;&#245;es que existem;</p></li><li><p>porque elas (quase) prev&#234;em o futuro;</p></li><li><p>como podes t&#234;-las no teu portfolio;</p></li><li><p>o papel que desempenham na tua carteira;</p></li></ul><div><hr></div><h2>O que s&#227;o exactamente as Obriga&#231;&#245;es</h2><p>Comecemos pelo essencial.</p><p>Imagina que emprestas dinheiro a um amigo. Ele promete devolver-to numa data combinada e, j&#225; agora, paga-te uns juros pelo inc&#243;modo de teres ficado sem esse dinheiro entretanto. </p><p>Uma Obriga&#231;&#227;o &#233; basicamente isto &#8212; s&#243; que este &#8220;amigo&#8221; costuma ser um Governo ou uma empresa, e o contrato &#233; escrito por advogados em vez de selado com um aperto de m&#227;o.</p><p>Tecnicamente: uma Obriga&#231;&#227;o &#233; um t&#237;tulo de d&#237;vida. Quando a compramos, estamos a emprestar dinheiro ao emissor (Estado, empresa, ou outra entidade) durante um prazo definido, chamado <strong>maturidade</strong>. Em troca, o <strong>emissor </strong>(quem recebe o nosso dinheiro) compromete-se a pagar-nos juros peri&#243;dicos &#8212; o famoso <strong>cup&#227;o</strong> &#8212; e a devolver o valor total emprestado (o <strong>valor nominal</strong>) na data de vencimento.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SiH8!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49bf2976-66e1-435d-9e02-3aabd5dbd3e2_1200x400.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!SiH8!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49bf2976-66e1-435d-9e02-3aabd5dbd3e2_1200x400.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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Quando compramos Obriga&#231;&#245;es, n&#227;o somos donos de nada &#8212; &#233; como se fossemos o banco. &#201; menos entusiasmante (n&#227;o temos direito a lucros, caso eles existam), mas corremos menos riscos e o retorno &#233; muito mais previs&#237;vel.</p><div><hr></div><h2>Porque se fala tanto de Obriga&#231;&#245;es ultimamente</h2><p>H&#225; alturas em que se ouve falar mais de certos instrumentos e, de certa forma, podemos dizer que isto &#233; como a moda: estes instrumentos s&#227;o c&#237;clicos. Mas ao contr&#225;rio da moda, nunca desaparecem totalmente. Simplesmente, h&#225; alturas em que s&#227;o muito mais usados do que noutras.</p><p>Isto &#233; especialmente vis&#237;vel em alturas de maior incerteza e de elevado risco nos mercados (curiosamente, algo que define bem 2026).</p><p>As Obriga&#231;&#245;es s&#227;o importantes nestas alturas (e n&#227;o s&#243;) porque:</p><ul><li><p><strong>Servem de contrapeso &#224;s Ac&#231;&#245;es.</strong> Historicamente, quando as Ac&#231;&#245;es caem com mais drama do que gostar&#237;amos, as Obriga&#231;&#245;es tendem a comportar-se de forma mais est&#225;vel (n&#227;o sempre &#8212; mas mais vezes do que as Ac&#231;&#245;es). </p></li><li><p><strong>O pre&#231;o mexe-se &#8212; e a maioria das pessoas n&#227;o sabe porqu&#234;.</strong> Uma Obriga&#231;&#227;o n&#227;o &#233; um Certificado de Aforro que fica quietinho at&#233; ao vencimento. O pre&#231;o sobe e desce todos os dias, principalmente por causa das taxas de juro. Por isso &#233; preciso entender a mec&#226;nica das taxas de juro &#8212; evitamos sustos desnecess&#225;rios ou euforias infundadas.</p></li><li><p><strong>Aparecem na maioria dos produtos financeiros tradicionais </strong>&#8212; fundos de pens&#245;es, PPRs, fundos mistos, ETFs multi-activos &#8212; as Obriga&#231;&#245;es est&#227;o l&#225; dentro, discretamente, a fazer o trabalho sujo enquanto as Ac&#231;&#245;es ficam com os holofotes todos.</p></li></ul><div><hr></div><h2>Os diferentes tipos de Obriga&#231;&#245;es</h2><p>Nem todas as Obriga&#231;&#245;es s&#227;o iguais &#8212; algumas s&#227;o desenhadas para dormirmos descansados, outras nem por isso. Os principais tipos s&#227;o:</p><p><strong>Obriga&#231;&#245;es do Tesouro (d&#237;vida soberana).</strong> Emitidas por governos. As alem&#227;s (<em>Bunds</em>) e as norte-americanas (<em>Treasuries</em>) s&#227;o consideradas dos activos mais seguros do mundo, ao ponto de servirem de refer&#234;ncia para tudo o resto. </p><p><strong>Obriga&#231;&#245;es corporate (d&#237;vida de empresas).</strong> Aqui j&#225; h&#225; mais variedade &#8212; e mais risco. De forma geral, subdividem-se, em duas categorias:</p><ul><li><p><em><strong>Investment grade</strong></em> &#8212; empresas com boa sa&#250;de financeira, risco de incumprimento baixo, juros mais modestos.</p></li><li><p><em><strong>High yield</strong></em> (tamb&#233;m conhecidas como <em>&#8220;junk bonds&#8221;</em>) &#8212; empresas com risco mais elevado, que por isso pagam juros mais apetitosos. O nome j&#225; diz tudo. Para quem precisa de tradu&#231;&#227;o: <em>junk</em> = porcaria.</p></li></ul><p><strong>Obriga&#231;&#245;es indexadas &#224; infla&#231;&#227;o.</strong> O cup&#227;o e/ou o capital ajustam-se &#224; infla&#231;&#227;o, o que as torna interessantes em alturas de infla&#231;&#227;o elevada.</p><p><strong>Consoante a maturidade.</strong> Podem ser de curto prazo (at&#233; 3 anos), m&#233;dio prazo (3 a 10 anos) ou longo prazo (10+ anos). Regra geral: quanto mais longa a maturidade, mais sens&#237;vel &#233; o pre&#231;o &#224;s varia&#231;&#245;es da taxa de juro &#8212; para o bem e para o mal.</p><p><strong>Certificados de Aforro e do Tesouro.</strong> Tecnicamente, n&#227;o s&#227;o Obriga&#231;&#245;es no sentido cl&#225;ssico (n&#227;o se transaccionam livremente no mercado), mas faz sentido falar deles num artigo destes, porque cumprem uma fun&#231;&#227;o semelhante: emprestamos dinheiro ao Estado portugu&#234;s em troca de juros. A diferen&#231;a &#233; que aqui o pre&#231;o n&#227;o oscila diariamente como uma Obriga&#231;&#227;o normal &#8212; fica &#8220;congelado&#8221;, o que tem vantagens e desvantagens, consoante o que estiver a acontecer &#224;s taxas de juro.</p><div><hr></div><h2>Porque importam as Obriga&#231;&#245;es &#8212; mesmo que n&#227;o queiramos ter nenhuma</h2><p>Esta &#233; a parte que costuma ficar de fora quando se fala de Obriga&#231;&#245;es &#8212; e &#233; talvez a mais importante de todas. </p><p><strong>Mesmo que n&#227;o queiramos ter uma &#250;nica Obriga&#231;&#227;o no portfolio, elas acabam por nos afectar na mesma </strong>&#8212; da&#237; ser importante dar-lhes aten&#231;&#227;o.</p><p>H&#225; uma express&#227;o que alguns economistas usam e que, por uma vez, n&#227;o &#233; exagero medi&#225;tico: <strong>as Obriga&#231;&#245;es s&#227;o a</strong> <strong>espinha dorsal dos mercados financeiros</strong>. N&#227;o porque sejam o activo mais empolgante &#8212; j&#225; sabemos que est&#227;o longe disso &#8212; mas porque o pre&#231;o a que os Governos e as empresas se financiam diz-nos, directa ou indirectamente, o pre&#231;o de praticamente tudo o resto.</p><p>Resumindo este mecanismo:</p><ul><li><p><strong>A </strong><em><strong>yield</strong></em><strong> das Obriga&#231;&#245;es do Tesouro funciona como &#8220;taxa livre de risco&#8221;.</strong> &#201; a refer&#234;ncia contra a qual se compara o retorno de qualquer outro investimento &#8212; Ac&#231;&#245;es, imobili&#225;rio, Ouro, o que for. Se uma Obriga&#231;&#227;o do Tesouro americano a 10 anos paga 4% de juros, qualquer activo mais arriscado tem de justificar porque merece o nosso dinheiro em vez desta op&#231;&#227;o mais tranquila. Por outras palavras: preferes investir num activo que tanto pode subir como cair 10% ou preferes 4% garantidos?</p></li><li><p><strong>Quando as </strong><em><strong>yields</strong></em><strong> sobem, as Ac&#231;&#245;es costumam sentir o choque.</strong> Isto acontece por dois motivos: </p></li></ul><ol><li><p>Se as Obriga&#231;&#245;es passam a pagar mais, tornam-se concorr&#234;ncia mais s&#233;ria &#224;s Ac&#231;&#245;es &#8212; parte do dinheiro que estaria em Ac&#231;&#245;es &#224; procura de retorno migra para Obriga&#231;&#245;es, que agora oferecem mais por menos risco. </p></li><li><p>Motivo mais t&#233;cnico: o valor de uma empresa (sobretudo empresas de crescimento, tipo tecnol&#243;gicas) &#233; calculado a &#8220;descontar&#8221; os lucros futuros, e taxas mais altas tornam esse desconto ainda maior. Foi basicamente isto que aconteceu na queda de 2022 &#8212; as <em>yields</em> subiram a bom ritmo e as Ac&#231;&#245;es de crescimento levaram com a factura.</p></li></ol><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B48D!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa82add7b-3976-43e9-ab5d-a06cbf71865f_1200x400.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B48D!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa82add7b-3976-43e9-ab5d-a06cbf71865f_1200x400.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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Quando esta rela&#231;&#227;o se inverte (Obriga&#231;&#245;es curtas a pagar mais do que as longas), chama-se <strong>invers&#227;o da curva de </strong><em><strong>yields</strong></em>, e historicamente tem sido um dos sinais mais fi&#225;veis de que se aproxima uma recess&#227;o. N&#227;o &#233; garantido nem infal&#237;vel, mas o certo &#233; que os mercados prestam-lhe uma aten&#231;&#227;o quase religiosa e isso costuma reflectir-se nos pre&#231;os dos activos.</p></li><li><p><strong>O Ouro tamb&#233;m dan&#231;a ao som das Obriga&#231;&#245;es.</strong> O Ouro tem fama de ser um &#8220;activo de ref&#250;gio&#8221; (&#233; mesmo esta a express&#227;o). Mas n&#227;o paga juro nenhum &#8212; &#233; um metal armazenado algures, brilhante &#233; certo, mas nada mais. Isto significa que o &#8220;custo de oportunidade&#8221; de ter Ouro em vez de Obriga&#231;&#245;es sobe quando as <em>yields</em> sobem (estamos a abdicar de mais juro para termos um metal que n&#227;o paga nada) e desce quando as <em>yields</em> descem. &#201; por isso que, muitas vezes, vemos o Ouro a subir precisamente quando as <em>yields</em> das Obriga&#231;&#245;es caem &#8212; n&#227;o por coincid&#234;ncia, mas por serem activos que competem pelo mesmo dinheiro dos investidores mais cautelosos.</p></li></ul><p>Na pr&#225;tica, isto quer dizer que quando ouvimos nas not&#237;cias frases como <em>&#8220;a yield da obriga&#231;&#227;o a 10 anos subiu para X%&#8221;</em>, n&#227;o devemos ignorar.</p><p>Isto n&#227;o &#233; conversa de nicho para gestores de fundos &#8212; &#233;, muitas vezes, a explica&#231;&#227;o do porqu&#234; das nossas carteiras de Ac&#231;&#245;es terem um dia mau. Tamb&#233;m explica porque &#233; que &#224;s vezes o Ouro dispara, numa semana em que parece n&#227;o ter acontecido assim nada de novo. </p><p>Portanto, <strong>n&#227;o precisamos propriamente de saber negociar Obriga&#231;&#245;es para beneficiar delas. Basta compreender a sua filosofia e mec&#226;nica de funcionamento, para sabermos que quando elas se mexem, raramente se mexem sozinhas</strong> e isso, significa risco ou oportunidade (dependendo do movimento) para os activos das nossas carteiras.</p><p><em>Trabalho de casa para ti:</em> isto pode parecer muito te&#243;rico. A parte boa &#233; que podes validar estes dados por ti. Compara o desempenho das US Treasuries a 10 Anos (US10Y) com um &#237;ndice de Ac&#231;&#245;es de crescimento ou com o Ouro. Acho que vais chegar a conclus&#245;es bem interessantes.</p><div><hr></div><p></p><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje, dedicada aos<em> <strong><a href="http://diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes deste Di&#225;rio</a></strong>, </em>vemos como podemos investir em Obriga&#231;&#245;es e o papel que elas desempenham num portfolio.</p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/bonds-o-emprestimo-mais-cinzento">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[És tu que vais pagar a IA?]]></title><description><![CDATA[Os riscos conhecidos, a nova amea&#231;a e dicas para te protegeres]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/es-tu-que-vais-pagar-a-ia</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/es-tu-que-vais-pagar-a-ia</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 19 Aug 2026 06:50:28 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2986246c-ef82-40ed-8c03-52769ef128a0_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A conversa da &#8220;bolha de IA&#8221; j&#225; come&#231;a a ser um bocado repetitiva.</p><p>Mas, na semana passada, entre a Reuters e o Financial Times, surgiu a not&#237;cia de uma nova forma de financiamento que a NVIDIA quer colocar em marcha e que pode ter um impacto bastante significativo, tanto para investidores comuns, como para pessoas que n&#227;o querem ter nada a ver com a Intelig&#234;ncia Artificial.</p><p>Peguei nessa not&#237;cia, juntei-lhe os riscos que a maioria de n&#243;s j&#225; conhece e aproveitei o fim-de-semana para escrever a minha (actual) tese sobre o risco da bolha da IA.</p><p>N&#227;o revires os olhos com o comprimento do artigo de hoje. A vers&#227;o de 30 segundos j&#225; deve andar no TikTok/Reels &#8212; mas possivelmente n&#227;o te explicam o impacto estrutural nem como te podes proteger.</p><p>Felizmente est&#225;s aqui, por isso, quando chegares ao final do artigo ficar&#225;s a perceber:</p><ul><li><p>os riscos mais prov&#225;veis da IA;</p></li><li><p>a nova amea&#231;a;</p></li><li><p>dicas para quem quiser precaver-se.</p></li></ul><div><hr></div><h2>Os riscos j&#225; conhecidos</h2><h3>Um crash da IA </h3><p>O racioc&#237;nio dos mercados, hoje, &#233; mais ou menos este: &#8220;a IA vai mudar tudo, portanto vale a pena investir milhares de milh&#245;es.&#8221; </p><p>GPUs, <em>data centers</em>, redes el&#233;tricas, terrenos... s&#227;o muitas as empresas a precisar deste financiamento.</p><p>Agora imagina que daqui a tr&#234;s anos a IA continua a ser fant&#225;stica, mas n&#227;o t&#227;o lucrativa como se prev&#234; hoje. </p><p>Talvez os modelos fiquem mais eficientes e passem a precisar de muito menos hardware. Ou talvez surjam ainda mais chips concorrentes. Ou talvez a procura de computa&#231;&#227;o abrande.</p><p>Por outras palavras:</p><p><strong><mark data-color="#fce5cd" style="background-color: rgb(252, 229, 205); color: rgb(0, 0, 0);"><span>menos receitas &#8594; menos capacidade de pagar d&#237;vida &#8594; incumprimentos &#8594; perdas para quem emprestou dinheiro.</span></mark></strong></p><p><span>Do outro lado (quem emprestou dinheiro), podemos ter:</span></p><p><strong><span>Fundos de pens&#245;es, seguradoras, fundos de investimento, bancos, cr&#233;dito privado.</span></strong></p><p>Isto n&#227;o &#233; especula&#231;&#227;o minha. <span>O Bank of England fala disto no relat&#243;rio de Julho passado &#8212; a d&#237;vida ligada &#224; IA est&#225; a espalhar-se por mercados p&#250;blicos, financiamento alavancado e estruturas de financiamento complexas. </span></p><h3>Uma queda das bolsas</h3><p>Este &#233; o cen&#225;rio mais vis&#237;vel &#8212; e o mais previs&#237;vel. Hoje tudo o que cheira a IA vale ouro: a NVIDIA, as empresas de <em>data centers</em>, as el&#233;ctricas, os fabricantes de chips.</p><p>Mas, basta que apare&#231;a um modelo novo capaz de fazer o mesmo trabalho com 90% menos computa&#231;&#227;o (&#243;ptimo para os consumidores, p&#233;ssimo para quem gastou uma fortuna a construir capacidade) para o mercado come&#231;ar a pensar &#8220;se calhar n&#227;o precis&#225;vamos de tantos <em>data centers</em> assim&#8221;.</p><p>As repercuss&#245;es disto ser&#227;o algo como:</p><p><strong><mark data-color="#fce5cd" style="background-color: rgb(252, 229, 205); color: rgb(0, 0, 0);">as avalia&#231;&#245;es descem <span> &#8594;</span> o investimento &#233; cortado <span> &#8594;</span> o cr&#233;dito fica mais caro <span> &#8594; menos procura por infraestruturas  &#8594; menores receitas  &#8594; maior dificuldade em pagar d&#237;vida  &#8594; mais perdas  &#8594; o cr&#233;dito fica ainda mais caro  &#8594; menos investimento </span></mark><mark data-color="rgb(252, 229, 205)" style="background-color: rgb(252, 229, 205); color: rgb(0, 0, 0);">&#8594;</mark><mark data-color="#fce5cd" style="background-color: rgb(252, 229, 205); color: rgb(0, 0, 0);"><span> estagna&#231;&#227;o</span></mark></strong></p><p>E, de repente, uma hist&#243;ria que come&#231;ou na tecnologia transforma-se numa hist&#243;ria de economia geral.</p><p>Mais uma vez, volto aos alertas do FMI: <strong>alavancagem elevada sem os retornos esperados = choques econ&#243;micos</strong>.</p><h3>A quest&#227;o energ&#233;tica</h3><p>Este risco &#233; mais f&#225;cil de entender &#8212; nem tudo no tema da IA se resume a financiamento sofisticado &#8212; h&#225; tamb&#233;m f&#237;sica b&#225;sica. </p><p>J&#225; sabemos que os <em>data centers</em> de IA bebem electricidade como se n&#227;o houvesse amanh&#227;. Construir tudo isto depressa exige novas centrais, subesta&#231;&#245;es, linhas de transmiss&#227;o, baterias. E essa factura tem de ser paga por algu&#233;m: empresas, investidores, contribuintes ou, mais provavelmente, uma combina&#231;&#227;o de todos &#8212; atrav&#233;s da nossa factura da luz.</p><p>Ou seja, mesmo quem n&#227;o quer ter nada a ver com IA, pode acabar por pagar parte da factura.</p><h3>O problema menos &#243;bvio</h3><p>A quest&#227;o da d&#237;vida costumava ser simples de perceber: a empresa X pediu dinheiro emprestado ao banco Y. Isso reflectia-se nos relat&#243;rios de contas e era f&#225;cil de perceber quanto &#233; que uma empresa devia.</p><p>Hoje, a mesma sofistica&#231;&#227;o usada para desenvolver a IA, est&#225; a ser usada tamb&#233;m para a financiar e quase que obriga a um <em>masters</em> para se entender os termos &#8212; <em><span>special purpose vehicles</span></em><span> (SPVs)</span>, <em>asset-backed securities</em>, <em>joint ventures</em>, <em>leasing</em>, d&#237;vida estruturada, garantias cruzadas... </p><p>Tudo perfeitamente legal, mas cada vez mais dif&#237;cil de seguir pelo comum dos mortais.</p><p>&#201; como olhar para uma tomada el&#233;trica e ver s&#243; um cabo, sem fazer ideia de que, atr&#225;s da parede, h&#225; catorze extens&#245;es, tr&#234;s adaptadores e algu&#233;m a rezar. </p><p>O Bank of England tamb&#233;m destacou que estas estruturas fora do balan&#231;o tornam mais dif&#237;cil saber onde est&#225;, realmente, o risco. E o risco que ningu&#233;m consegue localizar tem o h&#225;bito de aparecer sempre no pior momento. </p><p>Um exemplo disto:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>Uma empresa de IA deve $20 mil milh&#245;es a v&#225;rios investidores e deixa de conseguir pagar.</p><p>O investidor A perde dinheiro.</p><p>Mas este investidor A tinha pedido dinheiro emprestado ao investidor B.</p><p>Entretanto, h&#225; um <em>data center</em> que tamb&#233;m entra em dificuldades.</p><p>Os pre&#231;os dos activos descem.</p><p>Os bancos come&#231;am a querer proteger-se mais e a exigir mais garantias.</p><p><span>Empresas saud&#225;veis passam a ter dificuldade em obter cr&#233;dito.</span></p><p><span>E, de repente, uma empresa de IA que muitos n&#227;o conheciam, consegue contribuir para encarecer o cr&#233;dito de uma empresa perfeitamente normal em Portugal.</span></p></div><p>&#201; assim que funciona o risco sist&#233;mico. &#201; isto que preocupa o Bank of England e o FMI e n&#227;o propriamente o risco da NVIDIA, AMD e companhia irem &#224; fal&#234;ncia.</p><div><hr></div><h3>O financiamento circular (agora com dinheiro de terceiros) &#8212; mais lenha para a fogueira</h3><p>E assim chegamos &#224; parte mais interessante (e potencialmente perigosa) desta hist&#243;ria &#8212; a tal not&#237;cia da Reuters e FT sobre a ideia que a NVIDIA agora quer implementar para optimizar o financiamento de tudo isto. </p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>As an&#225;lises e estudos mais aprofundados s&#227;o um dos exclusivos dos <strong><a href="http://diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes deste Di&#225;rio</a></strong>.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cartões cashback em Portugal — Agosto 2026]]></title><description><![CDATA[Mudaram as condi&#231;&#245;es do melhor cart&#227;o cashback que havia em Portugal, fiz nova consulta ao mercado e os resultados...]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/cartoes-cashback-portugal-agosto-2026</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/cartoes-cashback-portugal-agosto-2026</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 12 Aug 2026 06:52:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8b23800c-c268-4ef0-98fc-5387029ba8b0_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje trago-vos um artigo um pouco diferente do habitual, mas que est&#225; totalmente ligado &#224;s quest&#245;es de que habitualmente falamos por aqui.</p><p>Suponho que a maioria das pessoas esteja familiarizada com o conceito de <em>cashback</em>.</p><p>Muito resumidamente: s&#227;o cart&#245;es que nos permitem receber de volta uma pequena parte daquilo que gastamos no nosso dia a dia &#8212; 1 a 3% &#233; o mais comum, embora existam promo&#231;&#245;es pontuais onde se pode obter um pouco mais.</p><p>Se ainda n&#227;o usas um cart&#227;o de <em>cashback</em>... sugiro que te informes rapidamente do que s&#227;o e como funcionam. Todos gastamos dinheiro diariamente e &#233; uma pena n&#227;o aproveitar para receber algum dele de volta. O objectivo deste artigo &#233; ser algo mais pr&#225;tico, pelo que n&#227;o irei alongar-me sobre as quest&#245;es mais te&#243;ricas do <em>cashback</em>.</p><p>Tenho usado um dos melhores cart&#245;es de <em>cashback</em> dispon&#237;vel em Portugal &#8212; o da ByBit EU, que oferecia um <em>cashback</em> de 2% sobre todas as compras, bem como um <em>cashback</em> de 100% sobre as subscri&#231;&#245;es de alguns servi&#231;os.</p><p>Infelizmente, o que &#233; bom n&#227;o dura para sempre e as condi&#231;&#245;es da ByBit EU mudaram. As novas condi&#231;&#245;es fizeram-me torcer o nariz, fui analisar alternativas e &#233; isso que partilho hoje.</p><p>Encontrei 4 alternativas que merecem considera&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><p></p><h3>Nota sobre os crit&#233;rios de compara&#231;&#227;o</h3><p>Antes de partilhar a tabela comparativa, algumas notas importantes.</p><p>Considerei apenas cart&#245;es de empresas de cripto &#8212; que pagam o <em>cashback</em> em <em>stablecoins. </em><strong>Se por acaso n&#227;o tens qualquer interesse em criptos, l&#234; at&#233; ao fim. Mesmo estas empresas de cripto, t&#234;m op&#231;&#245;es para quem s&#243; quer Euros </strong>(&#8364;)<strong>.</strong></p><p>Se ainda n&#227;o est&#225;s a par de como funcionam <em>stablecoins</em>, estes artigos respondem &#224;s tuas d&#250;vidas:</p><ul><li><p><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/stablecoins-aquilo-que-precisas-de">Stablecoins &#8212; aquilo que precisas de saber</a></p></li><li><p><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/usdt-usdc-o-que-precisas-de-saber">USDT x USDC: o que distingue as maiores stablecoins</a></p></li></ul><p><strong>Deixei de fora</strong> cart&#245;es banc&#225;rios que implicam cr&#233;ditos, domicilia&#231;&#227;o de ordenado, contratar algum seguro ou outras condi&#231;&#245;es, a troco de um <em>cashback</em> que raramente compensa o que as alternativas desta tabela oferecem.</p><p><strong>Deixei tamb&#233;m de fora</strong> cart&#245;es de cripto que implicam a subscri&#231;&#227;o de algum servi&#231;o ou que implicam ter em carteira tokens espec&#237;ficos que s&#243; acrescentam risco com a sua volatilidade. </p><p>O que eu procurava era uma verdadeira alternativa ao cart&#227;o da ByBit EU &#8212; <strong>algo que fosse s&#243; carregar e usar</strong> e, preferencialmente, que oferecesse mais do que 1% de <em>cashback</em>.</p><p>Dito isto, cheguei a uma lista de 4 alternativas que n&#227;o apresentam grandes barreiras de entrada &#8212; &#233; s&#243; instalar a app, passar pelo processo de identifica&#231;&#227;o habitual neste tipo de servi&#231;os e carregar o cart&#227;o (virtual e/ou f&#237;sico) com o dinheiro que tencionamos utilizar nas nossas despesas.</p><p>Porque as condi&#231;&#245;es destes cart&#245;es mudam com alguma regularidade, tentei incluir o m&#225;ximo de links oficiais poss&#237;veis para que cada pessoa possa validar por si mesma.</p><p>Por fim, os crit&#233;rios que utilizei para comparar estes cart&#245;es, foram aqueles que mais impacto t&#234;m na utiliza&#231;&#227;o no dia a dia e que eu pr&#243;prio senti na pele enquanto utilizador (o valor do <em>cashback</em>, limites mensais, taxas menos &#243;bvias, etc).</p><div><hr></div><h3>A tabela comparativa</h3><p>As an&#225;lises e estudos mais aprofundados s&#227;o um dos exclusivos dos <strong><a href="http://diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes deste Di&#225;rio</a></strong>. </p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ponto de situação dos mercados]]></title><description><![CDATA[O que se passou nos mercados na primeira metade de 2026]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/ponto-de-situacao-dos-mercados-2026-h1</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/ponto-de-situacao-dos-mercados-2026-h1</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 06:55:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/eaa4b670-7a7c-4276-9ae0-72fbdb369872_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Metade do ano j&#225; se foi (mais do que isso at&#233;). Isto normalmente &#233; motivo para crise existencial (<em>para onde foi o Tempo?</em>), mas hoje vamos canalizar essa ansiedade para algo mais produtivo: perceber o que raio aconteceu nos mercados nos &#250;ltimos meses.</p><p>Bancos a bater recordes hist&#243;ricos, Bitcoin a perder metade do valor, a Fed com um novo <em>chairman</em> que se recusa a dizer o que vai fazer a seguir (o equivalente monet&#225;rio de responder &#8220;depois vemos&#8221; quando te perguntam se queres ir jantar fora), e um Mundial de futebol que, ao que parece, n&#227;o trouxe assim tantos empregos como prometeu. J&#225; vamos aos detalhes.</p><p>Sim, estou a par da incoer&#234;ncia no t&#237;tulo. Mencionei <em>metade</em> <em>de 2026</em>, apesar de j&#225; estarmos em Agosto. Mas houve um bom motivo para isso &#8212; <em>earnings</em> <em>season! </em>As empresas cotadas em bolsa come&#231;aram a divulgar os resultados mais recentes em finais de Julho e resolvi esperar antes de enviar este mail de ponto de situa&#231;&#227;o. E &#233; por aqui que come&#231;amos.</p><div><hr></div><h2><em>Earnings season:</em> a culpa &#233; do <em>capex</em></h2><p>A &#233;poca de resultados do 2&#186; trimestre de 2026 ainda decorre, mas os pesos-pesados j&#225; falaram, dos EUA &#224; Europa, e h&#225; dois pontos em comum: a factura do investimento em Intelig&#234;ncia Artificial e claro, a boa e velha infla&#231;&#227;o.</p><p><strong>No sector tecnol&#243;gico</strong>, Google, Microsoft, Meta, Amazon e Apple reportaram todas receitas em linha ou acima do esperado &#8212; e mostraram que a procura por IA continua bem viva. Mas o mercado, ansioso e nervoso, deixou de se contentar com a mera ideia de &#8220;a receita cresceu&#8221;. </p><p>Se no trimestre anterior, os investidores j&#225; tinham mostrado preocupa&#231;&#245;es, agora, o que o mercado quer mesmo saber &#233; se a despesa gigantesca com centros de dados e outros investimentos em IA ainda fazem sentido. Juntas, a Amazon, Google, Meta e Microsoft est&#227;o a apontar para perto de <strong>740 mil bili&#245;es de d&#243;lares</strong> de investimento em infraestrutura de IA em 2026 &#8212; um salto de cerca de 77% face a 2025. &#201; dinheiro suficiente para comprar um pequeno pa&#237;s.</p><p>Apesar de todos os zeros alocados &#224; IA, nem todas as gigantes tecnol&#243;gicas est&#227;o a comportar-se da mesma maneira e o mercado est&#225; avaliar isso de formas diferentes.</p><p>A Microsoft defendeu com sucesso as suas despesas dizendo que &#8220;a procura por Azure &#233; maior do que aquilo que conseguimos fornecer&#8221;. Al&#233;m disso, sinalizaram tamb&#233;m que n&#227;o tencionam aumentar mais o capex em 2026. O mercado adorou isto e a ac&#231;&#227;o chegou a saltar ~13% nesse dia.</p><p>A Amazon subiu ~10%, muito gra&#231;as aos resultados hist&#243;ricos do AWS (o servi&#231;o de cloud), mostrando tamb&#233;m que a procura n&#227;o p&#225;ra de aumentar. </p><p>A Meta, apesar de ter batido as expectativas de receita (mais 27-28% do que h&#225; um ano), afundou por n&#227;o ter convencido ningu&#233;m de que a despesa avultada em <em>capex</em> est&#225; a ser puxada pela procura. </p><p>A Apple tamb&#233;m ficou para tr&#225;s, penalizada pela aus&#234;ncia de novidades apelativas, falhas nos servi&#231;os e por restri&#231;&#245;es de fornecimento &#8212; os aumentos dos pre&#231;os dos Macs, iPads e possivelmente dos iPhones por causa da escassez global de mem&#243;ria, n&#227;o convenceram ningu&#233;m. </p><p>Do lado europeu, quem deu nas vistas foi a alem&#227; SAP, que disparou 10% depois de reportar uma carteira de encomendas na <em>cloud</em> acima do esperado.</p><p>Temos de falar tamb&#233;m do cavalo de corrida da IA europeu, a ASML &#8212; a maior empresa do mundo a fabricar as m&#225;quinas necess&#225;rias para produzir os chips mais avan&#231;ados de IA. Nos resultados do segundo trimestre, superaram as expectativas e a empresa voltou a subir as previs&#245;es para o resto do ano. A ASML disse tamb&#233;m que a procura por chips de mem&#243;ria e de l&#243;gica avan&#231;ada continua t&#227;o forte que a empresa vai aumentar 30% da sua capacidade de produ&#231;&#227;o para 2027. A reac&#231;&#227;o do mercado foi mais modesta que o esperado &#8212; mas conv&#233;m lembrar que a ASML j&#225; subiu ~77% desde Janeiro. Depois de uma subida destas, seria preciso apresentarem algo verdadeiramente revolucion&#225;rio para convencer as pessoas a investirem ainda mais numa empresa que j&#225; estava no pico no dia que apresentou os resultados.</p><p><strong>Resumindo o sector tecnol&#243;gico</strong> nesta <em>earnings season</em>: j&#225; n&#227;o basta gastar em IA, &#233; preciso provar que vale a pena. Quem convence, sobe. Quem n&#227;o convence, cai. Simples e implac&#225;vel.</p><p><strong>No sector financeiro</strong>, os cinco maiores bancos dos EUA &#8212; JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo &#8212; anunciaram resultados no mesmo dia, e todos bateram as estimativas de forma confort&#225;vel. O JPMorgan registou o lucro trimestral mais alto de sempre na banca norte-americana. O Goldman Sachs teve o seu melhor trimestre de sempre, com lucro por ac&#231;&#227;o quase a duplicar face ao ano anterior, muito gra&#231;as &#224;s comiss&#245;es do IPO da SpaceX. </p><p>Os bancos europeus, sem IPOs gigantes para lhes engordar as comiss&#245;es, tiveram um trimestre mais discreto mas ainda assim s&#243;lido, dentro de um &#237;ndice STOXX 600 que est&#225; a surpreender pela positiva: com mais de metade das empresas j&#225; reportadas, o crescimento agregado de resultados ronda os <strong>20-23% hom&#243;logos</strong> &#8212; o melhor trimestre europeu desde finais de 2022. </p><p>Mas estes n&#250;meros escondem um pormenor importante: grande parte deste crescimento vem do sector energ&#233;tico, cujos lucros dever&#227;o disparar mais de <strong>120%</strong> este trimestre, gra&#231;as &#224; subida do petr&#243;leo e &#224; tens&#227;o no M&#233;dio Oriente. Se tirarmos a energia da equa&#231;&#227;o, o crescimento europeu cai para uns modestos <strong>6-7%</strong> &#8212; ainda positivo, mas claramente menos empolgante. </p><p><strong>No sector de consumo</strong>, a hist&#243;ria divide-se. Nos EUA, destaque para a Coca-Cola que surpreendeu pela positiva, ajudada pela campanha de marketing do Mundial que, segundo a empresa, chegou a mais de 80 milh&#245;es de consumidores. Junte-se a isto um aumento do volume de vendas e j&#225; se percebe o salto de ~7% da Coca-Cola. Na Europa, o consumo discricion&#225;rio &#8212; moda, retalho, viagens n&#227;o essenciais &#8212; est&#225; a mostrar os pontos mais fracos nesta &#233;poca de resultados, tal como as telecomunica&#231;&#245;es. Isto ajuda a explicar porque os 20-23% de subida do STOXX 600, n&#227;o s&#227;o assim t&#227;o entusiasmantes quanto possam parecer.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Este Di&#225;rio n&#227;o paga dividendos, mas traz informa&#231;&#227;o &#250;til todas as semanas. Ao tornares-te Subscritor/a, garantes a continuidade deste trabalho e a sua independ&#234;ncia.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>Taxas de juro: <em>tudo na mesma como a lesma...</em></h2><p>Quem esperava alguma clareza sobre as taxas de juro, ficou na mesma: a Reserva Federal (Fed) est&#225; actualmente a ser liderada por algu&#233;m cuja estrat&#233;gia de comunica&#231;&#227;o parece ser &#8220;dizer o m&#237;nimo poss&#237;vel para ver se n&#227;o me comprometo&#8221;.</p><p>Em Julho, a Fed voltou a n&#227;o mexer nas taxas, numa decis&#227;o que gerou a maior divis&#227;o de votos desde 2016: nove membros a favor de manter, tr&#234;s a defender uma subida. O novo chairman, Kevin Warsh &#8212; que substituiu Jerome Powell em Maio &#8212; tem repetido &#224; exaust&#227;o que o objectivo &#233; 2% de infla&#231;&#227;o e &#8220;n&#227;o h&#225; meta impl&#237;cita suave&#8221;. Claro e objectivo, mas tamb&#233;m n&#227;o deu uma &#250;nica pista sobre como o vai fazer, alegando que prefere focar-se nas condi&#231;&#245;es que levariam a uma ac&#231;&#227;o, e n&#227;o em promessas sobre o futuro. Ou seja: quem gosta de especula&#231;&#227;o, est&#225; nas sete quintas desde que Warsh chegou.</p><p>Do lado de c&#225; do Atl&#226;ntico, a novela &#233; parecida. Muda o sotaque. O Banco Central Europeu (BCE) come&#231;ou 2026 a cortar taxas, com a infla&#231;&#227;o a parecer controlada &#8212; e depois, em Fevereiro, a guerra entre os EUA e o Ir&#227;o estragou a festa. Os pre&#231;os da energia dispararam na Europa, e o BCE inverteu a marcha: em 11 de Junho, voltou a subir as tr&#234;s taxas directoras em 25 pontos base &#8212; a primeira subida desde 2023. Em Julho, manteve tudo na mesma, mas a presidente Christine Lagarde deixou o mercado com a pulga atr&#225;s da orelha ao admitir press&#245;es para novo aumento. Traduzindo: o BCE n&#227;o subiu taxas em Julho, mas deixou claro que Setembro est&#225; em cima da mesa &#8212; o mercado j&#225; d&#225; essa subida como praticamente garantida, a menos que os pre&#231;os da energia arrefe&#231;am de forma significativa.</p><p>Ou seja, Fed e BCE est&#227;o essencialmente a cantar a mesma m&#250;sica: ambas cortaram taxas no in&#237;cio do ano, ambas foram apanhadas de surpresa pelo choque energ&#233;tico do conflito no M&#233;dio Oriente, e ambas est&#227;o agora a equacionar subidas em vez de cortes &#8212; o oposto do que se esperava no in&#237;cio do ano. </p><p>Mas h&#225; diferen&#231;as: nos EUA a infla&#231;&#227;o e a incerteza s&#227;o maiores, e por isso a Fed hesita mais; na Europa, a infla&#231;&#227;o est&#225; mais perto da meta (2,8% em Julho, contra os 2% desejados) mas o crescimento est&#225; a abrandar &#8212; a economia da zona euro chegou a contrair 0,2% no primeiro trimestre &#8212; o que complica ainda mais a decis&#227;o do BCE entre travar a infla&#231;&#227;o e n&#227;o sufocar uma economia j&#225; fraca. </p><p>Resumindo: ningu&#233;m sabe ao certo o que vai acontecer em Setembro, nem nos EUA nem na Europa.</p><div><hr></div><h2>Emprego: o Mundial prometeu empregos e entregou... uma desculpa estat&#237;stica</h2><p>Uma anedota para tornar este artigo mais leve. Antes do Mundial de 2026, disputado nos EUA, Canad&#225; e M&#233;xico, a FIFA previu que o torneio criaria 185 mil empregos s&#243; nos Estados Unidos. A Casa Branca adoptou o n&#250;mero com entusiasmo.</p><p>O que aconteceu na realidade? Em Junho, os EUA criaram apenas 57 mil empregos, bem abaixo das expectativas. An&#225;lises posteriores, comparando cidades anfitri&#227;s com cidades sem jogos, n&#227;o encontraram diferen&#231;as significativas no emprego local. Ou seja: o maior evento desportivo do planeta passou pelos EUA e o mercado de trabalho parece n&#227;o ter dado por ele.</p><p>Porque &#233; que isto interessa para l&#225; da anedota? Porque complica a leitura dos dados de emprego nos pr&#243;ximos meses. O consenso dos analistas &#233; que os ganhos associados ao Mundial foram tempor&#225;rios e dever&#227;o inverter-se em Agosto, &#224; medida que os postos de trabalho ligados ao evento desaparecem &#8212; o que pode fazer os n&#250;meros de emprego parecerem piores do que a tend&#234;ncia real. Junte-se a isto a queda da taxa de participa&#231;&#227;o na for&#231;a de trabalho para o n&#237;vel mais baixo em 50 anos (61,5%) &#8212; o mercado de trabalho norte-americano est&#225; mais dif&#237;cil de ler do que o habitual e talvez isto ajude a dar um certo desconto &#224; postura da Fed. </p><p>O que se retira daqui &#233; que os n&#250;meros do emprego devem ser vistos com desconfian&#231;a j&#225; que, por esta amostra, podem n&#227;o reflectir a realidade.</p><p>Na Europa, a hist&#243;ria &#233; mais aborrecida, no bom sentido. A taxa de desemprego na zona euro tem oscilado entre <strong>6,1% e 6,3%</strong> ao longo do primeiro semestre de 2026, sem grandes sobressaltos. Nenhum Mundial para complicar as contas por c&#225; &#8212; s&#243; a rotina de sempre: Alemanha com desemprego baixo (3-4%), Espanha e Finl&#226;ndia l&#225; em cima nos dois d&#237;gitos, e o desemprego jovem persistentemente mais alto que a m&#233;dia geral. Previs&#237;vel e quase reconfortante depois de olhar para os EUA.</p><div><hr></div><h2>Cripto: a Bitcoin ca&#237;u, as stablecoins subiram e os americanos continuam a discutir regras</h2><p>Quem comprou Bitcoin (ou alguma altcoin) no final do ano passado, deve estar a revirar os olhos sobre tudo o que tenha a ver com cripto. Mas esta &#233; o problema de se comprar nos picos de entusiasmo e de se olhar s&#243; para os pre&#231;os.</p><p>Recapitulando: a Bitcoin atingiu um m&#225;ximo hist&#243;rico de ~<strong>125 mil d&#243;lares em Outubro de 2025</strong> e, desde ent&#227;o, caiu para metade (desde Junho que anda na zona dos <strong>61-63 mil d&#243;lares)</strong>. </p><p>As causas n&#227;o foram um esquema fraudulento nem uma exchange a rebentar (como nos dramas de 2022); desta vez foram as for&#231;as macro a somarem-se: conflito entre EUA e Ir&#227;o a aumentar os receios de infla&#231;&#227;o descontrolada, d&#243;lar mais forte, Fed com postura bem defensiva, e semanas seguidas de sa&#237;das de dinheiro dos ETFs de Bitcoin. Resumindo: a Bitcoin tem-se comportado como um verdadeiro activo de risco tradicional &#8212; sobe quando h&#225; optimismo e cai com o medo. Coincid&#234;ncia ou n&#227;o, o certo &#233; que o <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/ciclos-de-mercado-criptomoedas">ciclo da Bitcoin</a> continua a repetir-se.</p><p>Mas &#8212; e este &#233; o ponto mais interessante do semestre &#8212; enquanto o pre&#231;o da Bitcoin apanhava uma tareia, o resto da infraestrutura cripto continuou a ser constru&#237;da calmamente nos bastidores, atrav&#233;s das <strong>stablecoins</strong>. </p><p>O mercado das stablecoins ultrapassou os <strong>300 mil milh&#245;es de d&#243;lares</strong> em valor, com o volume de transac&#231;&#245;es a bater os 30+ bili&#245;es de d&#243;lares em 2025 &#8212; mais do que o volume combinado processado pela Visa e Mastercard juntas. E s&#227;o precisamente a Visa e a Mastercard que est&#227;o a apostar tudo nisto, mas de formas opostas: a Mastercard comprou a empresa de infraestrutura BVNK (digno de nota por ter sido a maior aquisi&#231;&#227;o cripto da sua hist&#243;ria), enquanto a Visa preferiu construir uma rede de parcerias &#8212; j&#225; com mais de 160 programas de cart&#245;es ligados a stablecoins espalhados pelo mundo, com volumes a crescer quase 200% ano a ano. </p><p>Junta-se a isto rumores de que a pr&#243;pria Stripe, Visa e Mastercard est&#227;o a construir uma stablecoin conjunta para desafiar o duop&#243;lio da USDT (Tether) e USDC (Circle), que <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/usdt-usdc-o-que-precisas-de-saber">juntas controlam cerca de 80% do mercado</a>, e percebe-se que o verdadeiro campo de batalha cripto deste ano n&#227;o &#233; o pre&#231;o do Bitcoin &#8212; &#233; quem controla os &#8220;d&#243;lares digitais&#8221;.</p><p>Como se tudo isto n&#227;o bastasse, h&#225; que meter a IA ao barulho, nomeadamente, os agentes de IA. S&#227;o v&#225;rias as teorias que sustentam que os agentes de IA optar&#227;o por utilizar stablecoins para fazer pagamentos, devido &#224; sua efici&#234;ncia. Coincid&#234;ncia ou n&#227;o, o assunto foi falado na recente apresenta&#231;&#227;o de resultados da Mastercard, onde a empresa confirmou que continua a desenvolver a infraestrutura necess&#225;ria para o Agent Pay &#8212; o servi&#231;o que permite a agentes de IA fazerem pagamentos r&#225;pidos, em volume e de forma segura entre si, sem interven&#231;&#227;o humana.</p><p>E depois h&#225; o CLARITY Act, a lei norte-americana que tenta finalmente p&#244;r ordem nas criptos e definir se uma Bitcoin &#233; tratada como uma ac&#231;&#227;o ou como o ouro. J&#225; foi aprovado na C&#226;mara dos Representantes em 2025, e a Comiss&#227;o Banc&#225;ria do Senado aprovou a sua vers&#227;o em Maio de 2026. Desde ent&#227;o, ficou preso numa esp&#233;cie de limbo legislativo: sem data de vota&#231;&#227;o, &#224; espera de acordo entre partidos sobre pontos como &#233;tica presidencial e regula&#231;&#227;o de DeFi. </p><p>Daqui a uns dias (10 de Agosto) come&#231;a o per&#237;odo de f&#233;rias do Senado, e se a lei n&#227;o passar at&#233; l&#225;, ter&#225; de esperar por Setembro &#8212; altura em que outro assunto dever&#225; assumir maior import&#226;ncia: as elei&#231;&#245;es intercalares. </p><p>O que &#233; not&#225;vel &#233; quem est&#225; a fazer l&#243;bi: BlackRock, Fidelity, Franklin Templeton, Goldman Sachs e SoFi juntaram-se publicamente a defender a lei nas &#250;ltimas semanas &#8212; sinal de que Wall Street tem um claro interesse nesta lei.</p><p>Resumindo o panorama cripto deste in&#237;cio de Agosto de 2026: enquanto o pre&#231;o est&#225; a fazer uma <em>siesta</em>, os grandes bancos e os reguladores est&#227;o a finalizar toda uma infraestrutura que pode moldar o futuro do sistema financeiro. Pode n&#227;o parecer, mas &#233; provavelmente a hist&#243;ria mais importante do sector neste ano, s&#243; que sem aquelas movimenta&#231;&#245;es de pre&#231;os dram&#225;ticas que fazem manchetes.</p><div><hr></div><h2>Em resumo</h2><p>At&#233; agora, 2026 trouxe-nos bancos com os melhores trimestres da hist&#243;ria, tecnol&#243;gicas a decidir se a factura da IA vale a pena, uma Fed que fala pouco e n&#227;o promete nada, um Mundial que prometeu empregos e entregou estat&#237;sticas confusas, e uma Bitcoin que ca&#237;u para metade enquanto a infraestrutura &#224; sua volta vai sendo moldada pelos &#8220;donos disto tudo&#8221;.</p><p>Li&#231;&#227;o a tirar deste primeiro semestre: os mercados continuam a fazer exactamente aquilo que sempre fizeram &#8212; surpreender toda a gente, em direc&#231;&#245;es diferentes. O resto do ano promete ser, no m&#237;nimo, igualmente imprevis&#237;vel. </p><p>Daqui a uns meses, fazemos novo ponto de situa&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se achaste este artigo &#250;til, partilha-o!</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/ponto-de-situacao-dos-mercados-2026-h1?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/ponto-de-situacao-dos-mercados-2026-h1?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Stanley Druckenmiller: o homem que nunca perdeu um ano]]></title><description><![CDATA[30 anos sem preju&#237;zos anuais, como fazer a vida negra a um banco, o buraco do dot-com e outras li&#231;&#245;es que podemos aprender com Druckenmiller.]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/stanley-druckenmiller</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/stanley-druckenmiller</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 29 Jul 2026 06:49:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6147d28e-d2dc-44b3-b0e8-1b5cd044017f_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No artigo de hoje da sec&#231;&#227;o <em>Mindset</em>, falamos de mais um recordista &#8212; Stanley Druckenmiller &#8212; que, em trinta anos n&#227;o teve um &#250;nico ano negativo. Como se isso n&#227;o fosse suficiente, o retorno m&#233;dio anual do seu fundo, rondou os 30%.</p><p>Toda a gente fala de Warren Buffett, como a refer&#234;ncia no mundo dos investimentos mas, em 30 anos, Buffett teve anos negativos, Druckenmiller n&#227;o.</p><p>E, para tornar tudo isto mais not&#225;vel, quando lhe perguntam sobre os seus erros, Druckenmiller enumera-os com a mesma franqueza com que lista os seus acertos. No mundo dos bili&#245;es e dos egos inflacionados, isto &#233; raro.</p><div><hr></div><h1>Quem &#233; Stanley Druckenmiller?</h1><p>Stanley Freeman Druckenmiller nasceu em 1953 na Pennsylvania. Cresceu numa fam&#237;lia de classe m&#233;dia, mas sem qualquer ber&#231;o dourado em Wall Street. Ao contr&#225;rio de outros nomes nesta s&#233;rie, Druckenmiller n&#227;o herdou contactos nem capital. Herdou disciplina e rigor anal&#237;tico ou n&#227;o fosse filho de um engenheiro qu&#237;mico da DuPont.</p><p>Formou-se com uma combina&#231;&#227;o improv&#225;vel: Economia e Literatura Inglesa. Em retrospectiva, at&#233; faz sentido, j&#225; que os melhores macro traders s&#227;o tanto historiadores e narradores quanto analistas.</p><p>Come&#231;ou a carreira no Pittsburgh National Bank. Em menos de um ano, tornou-se chefe do grupo de an&#225;lise de ac&#231;&#245;es &#8212; o que sugere uma de duas coisas: ou era extraordinariamente talentoso, ou os outros analistas eram med&#237;ocres. Ou ent&#227;o ambos.</p><p>Em 1981, fundou a Duquesne Capital Management. Em 1985, tornou-se consultor da Dreyfus Fund &#8212; gerindo simultaneamente as duas firmas, o que por si s&#243; j&#225; &#233; not&#225;vel.</p><p>Em 1988, George Soros (mais um nome que h&#225;-de passar aqui pela sec&#231;&#227;o <em>Mindset</em>) convidou-o para ser o <em>lead portfolio manager</em> do Quantum Fund. Durante doze anos, Druckenmiller tomou as decis&#245;es do dia-a-dia enquanto Soros ocasionalmente pressionava para posi&#231;&#245;es ainda maiores. Foi uma dupla improv&#225;vel &#8212; e devastadoramente eficaz.</p><p>Em 2010, Druckenmiller fechou o Duquesne Capital a investidores externos, convertendo-o num <em>family office</em>. A raz&#227;o apresentada foi o stress de gerir dinheiro alheio com um n&#237;vel de exig&#234;ncia que estava a tornar-se insustent&#225;vel. Depois de 30 anos de retornos perto dos 30% e zero anos negativos, ningu&#233;m o conseguiu demover de uma reforma parcial.</p><div><hr></div><h1>O que tornou Druckenmiller num nome relevante</h1><p>H&#225; investidores com bons <em>track records</em>. H&#225; investidores com <em>track records</em> excepcionais. E depois h&#225; Stanley Druckenmiller.</p><p>Gerir a Duquesne Capital durante aproximadamente tr&#234;s d&#233;cadas com retornos anualizados m&#233;dios de ~30% e sem qualquer ano negativo, &#233; motivo suficiente para colocar o seu nome entre os investidores mais bem sucedidos de sempre.</p><p>Para exemplificar a import&#226;ncia disto com contas simples: se tivessemos investido 10.000 euros com Druckenmiller em 1981, quando fundou a Duquesne, em 2010, ter&#237;amos aproximadamente 237 milh&#245;es de euros. Claro que isto n&#227;o quer dizer que o mercado funciona sempre assim &#8212; &#233; apenas a matem&#225;tica impiedosa dos juros compostos quando a taxa ronda os 30% ao ano durante 30 anos.</p><p>Scott Bessent, actual secret&#225;rio do Tesouro americano e tamb&#233;m ele gestor de fundos, descreveu Druckenmiller como tendo &#8220;a capacidade anal&#237;tica de Jim Rogers, o talento de trading de George Soros, e o est&#244;mago de um jogador de casino.&#8221;</p><p>O que distingue Druckenmiller n&#227;o &#233; apenas a dimens&#227;o dos retornos &#8212; &#233; a consist&#234;ncia. O facto de n&#227;o ter fechado um &#250;nico ano no vermelho, numa ind&#250;stria onde os melhores fundos t&#234;m frequentemente anos negativos, &#233; t&#227;o improv&#225;vel que quase parece estatisticamente imposs&#237;vel.</p><p>Al&#233;m disso, Druckenmiller introduziu na pr&#225;tica dos <em>hedge funds</em> uma abordagem radicalmente concentrada que contraria o consenso acad&#233;mico sobre diversifica&#231;&#227;o &#8212; e demonstrou, durante 30 anos, que essa abordagem pode superar dramaticamente o mercado, quando executada com a disciplina e o rigor certos.</p><div><hr></div><h1>Os investimentos que tornaram Druckenmiller conhecido</h1><h3>Black Wednesday, 1992 </h3><p>16 de Setembro de 1992. A libra esterlina estava sob ataque de especuladores de moeda globais &#8212; e a liderar estava Stanley Druckenmiller, na altura o estratega-chefe do Quantum Fund de George Soros.</p><p>O contexto era este: o Reino Unido estava no Mecanismo Europeu de Taxas de C&#226;mbio (MTC), obrigado a manter a libra dentro de uma banda de flutua&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao marco alem&#227;o. O problema? As taxas de juro alem&#227;s tinham subido drasticamente ap&#243;s a reunifica&#231;&#227;o, e o Banco de Inglaterra n&#227;o tinha reservas suficientes para defender a paridade da libra contra a press&#227;o do mercado.</p><p>Druckenmiller identificou esta assimetria e construiu uma posi&#231;&#227;o curta massiva. Soros, ao saber da posi&#231;&#227;o, ter&#225; dito a Druckenmiller para a aumentar &#8212; para 200% do fundo. </p><p>O Banco de Inglaterra tentou defender a libra, subindo as taxas de juro duas vezes num &#250;nico dia. N&#227;o foi suficiente. No final daquele 16 de Setembro, o governo brit&#226;nico capitulou e retirou a libra do MTC.</p><p>O Quantum Fund lucrou mais de mil milh&#245;es de d&#243;lares num &#250;nico dia. Druckenmiller n&#227;o ganhou apenas dinheiro &#8212; ganhou uma reputa&#231;&#227;o que ainda hoje define a sua lenda. E o Banco de Inglaterra ficou com a factura.</p><h3>O assalto final &#8212; a coroa sueca e as moedas asi&#225;ticas</h3><p>Depois do feito com a libra, seria razo&#225;vel imaginar que Druckenmiller tirasse umas f&#233;rias. N&#227;o foi o caso.</p><p>Poucos meses depois da <em>Black Wednesday</em>, ganhou mais mil milh&#245;es a apostar contra a coroa sueca. Ganhou ainda mais a apostar contra o baht tailand&#234;s e o ringgit malaio durante a crise asi&#225;tica de 1997.</p><p>O padr&#227;o foi o mesmo: identificar uma moeda sobrevalorizada com fundamentos insustent&#225;veis, construir uma posi&#231;&#227;o curta, e esperar que a realidade econ&#243;mica prevalecesse sobre a interven&#231;&#227;o dos bancos centrais. Os bancos centrais, invariavelmente, perdiam.</p><h3>Tecnologia em 2000 &#8212; um erro honesto?</h3><p>Esta &#233; a hist&#243;ria que Druckenmiller conta sobre si pr&#243;prio com uma mistura de vergonha e admira&#231;&#227;o pela capacidade do mercado de o humilhar.</p><p>Druckenmiller reconheceu que tinha &#8220;exagerado&#8221; com os seus investimentos em tecnologia durante a bolha <em>dot-com</em>, levando a perdas significativas para o Quantum Fund &#8212; o que acabou por levar &#224; sua sa&#237;da do fundo em 2000.</p><p>A hist&#243;ria resumida: ele sabia que as ac&#231;&#245;es tecnol&#243;gicas estavam numa bolha. Sa&#237;u. Depois, ao ver que os mercados continuavam a subir, voltou a entrar. E depois o mercado colapsou. Perdeu 3 mil milh&#245;es de d&#243;lares em apenas algumas semanas.</p><p>Esta hist&#243;ria &#233; relevante porque Druckenmiller conta-a em entrevistas, como exemplo dos seus maiores erros. Num sector onde toda a gente minimiza as perdas e amplifica os ganhos, esta honestidade &#233;, ela pr&#243;pria, uma forma de sabedoria.</p><h3>Nvidia &#8212; o lucro que morreu na praia</h3><p>Druckenmiller comprou Nvidia a aproximadamente $150, viu a ac&#231;&#227;o subir para $800 em Fevereiro de 2024 e vendeu. Semanas depois, a Nvidia atingiu $1.200 (antes do <em>stock split</em>).</p><p>A sua resposta? Uma das mais honestas para um investidor de elite: &#8220;N&#227;o consegui suportar o sucesso. Fui de 150 para 800. N&#227;o consegui aguentar, e vendi.&#8221; Depois acrescentou, com uma brutalidade que &#233; quase refrescante: &#8220;Acho que teria feito a mesma asneira h&#225; 20 anos, quando ainda era bom.&#8221;</p><p>Este epis&#243;dio &#8212; e a forma como Druckenmiller o narra &#8212; diz mais sobre o seu car&#225;cter do que qualquer dos seus sucessos.</p><div><hr></div><h2>A filosofia de investimento de Druckenmiller</h2><h3>Aposta grande quando tens convic&#231;&#227;o</h3><p>Enquanto muitos gurus do investimento pregam a import&#226;ncia da diversifica&#231;&#227;o, Druckenmiller op&#245;e-se radicalmente a ela.</p><p>Numa palestra em 2015, Druckenmiller disse: </p><blockquote><p>&#8220;O erro que eu diria que 98% dos gestores de fundos e indiv&#237;duos cometem &#233; sentir que t&#234;m de estar a jogar com muita coisa. Se realmente v&#234;s uma oportunidade, coloca todos os ovos num cesto e vigia esse cesto com muito cuidado.&#8221;</p></blockquote><h3>Investe no futuro, n&#227;o no presente</h3><blockquote><p>&#8220;O maior erro que os investidores cometem &#233; investir no presente em vez de olhar para o futuro, e manter um olho para onde a bola est&#225; a ir em vez de onde ela est&#225;.&#8221;<br></p></blockquote><p>Druckenmiller olha sistematicamente 18 a 24 meses para a frente. O que importa n&#227;o &#233; onde est&#227;o os lucros hoje &#8212; &#233; onde estar&#227;o dentro de dois anos. Esta orienta&#231;&#227;o para o futuro est&#225; na base de praticamente todas as suas grandes jogadas: identificar a assimetria macro antes de ela se tornar consenso.</p><h3>A liquidez move os mercados</h3><p>Uma das convic&#231;&#245;es mais centrais de Druckenmiller &#233; que os mercados s&#227;o, em larga medida, movidos pela liquidez &#8212; pela quantidade de dinheiro dispon&#237;vel no sistema e pela vontade dos bancos centrais de o fornecer. Esta &#233; uma lente que ele aplica antes de qualquer an&#225;lise ou avalia&#231;&#227;o.</p><p>Como ele pr&#243;prio disse: </p><blockquote><p>&#8220;Nunca uso avalia&#231;&#245;es para fazer <em>timing</em> do mercado. Uso considera&#231;&#245;es de liquidez e an&#225;lise t&#233;cnica para o <em>timing</em>. A avalia&#231;&#227;o apenas me diz at&#233; onde o mercado pode ir depois de um catalisador entrar em cena para mudar a direc&#231;&#227;o do mercado.&#8221;</p></blockquote><h3>Preserva&#231;&#227;o do capital como pr&#233;-condi&#231;&#227;o do crescimento</h3><p>Ao contr&#225;rio do que a filosofia <em>&#8220;big bet&#8221;</em> poderia sugerir, Druckenmiller &#233; absolutamente implac&#225;vel na preserva&#231;&#227;o do capital quando uma posi&#231;&#227;o vai contra ele. A regra &#233; simples: quando est&#225;s errado, sai. N&#227;o esperes. N&#227;o fa&#231;as m&#233;dias. N&#227;o te conven&#231;as de que o mercado vai virar. Sai.</p><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Stanley Druckenmiller e &#224; sua abordagem</h2><p>H&#225; uma ironia engra&#231;ada em criticar um homem com 30 anos de retornos de ~30% e zero anos negativos. Mas a honestidade intelectual exige exactamente isso &#8212; e o pr&#243;prio Druckenmiller seria o primeiro a apontar os seus pr&#243;prios limites.</p><h3>A bolha do <em>dot-com</em> &#8212; a excep&#231;&#227;o que confirma a regra</h3><p>A perda mais significativa da carreira de Druckenmiller aconteceu durante o colapso da bolha <em>dot-com</em>, quando reconheceu ter &#8220;exagerado&#8221; nos investimentos em tecnologia, levando a perdas significativas para o Quantum Fund.</p><p>Ele sabia que a bolha existia. Saiu. E depois voltou a entrar por FOMO. O mercado puniu-o imediatamente. Um cl&#225;ssico.</p><p>A li&#231;&#227;o &#233; desconfortante: mesmo o melhor macro trader da sua gera&#231;&#227;o &#233; vulner&#225;vel ao mesmo vi&#233;s emocional que afecta qualquer investidor individual. O que nos deve deixar humildes sobre a nossa pr&#243;pria capacidade de resistir a esses impulsos.</p><h3>As previs&#245;es macro nem sempre acertam no <em>timing</em></h3><p>Druckenmiller tem uma longa hist&#243;ria de an&#225;lise macro brilhante que, por vezes, chega cedo demais. Em 2020, descreveu os mercados como &#8220;uma mania absoluta e furiosa&#8221; &#8212; mas o Nasdaq continuou a subir substancialmente nos anos seguintes antes de qualquer correc&#231;&#227;o significativa.</p><p>Ter raz&#227;o na an&#225;lise mas errar no <em>timing</em> &#233; extremamente caro &#8212; especialmente quando a posi&#231;&#227;o &#233; grande e concentrada. Para o investidor comum que n&#227;o tem as reservas de capital de Druckenmiller, uma posi&#231;&#227;o curta correcta mas prematura pode ser devastadora antes de ser lucrativa.</p><h3>A filosofia da &#8220;big bet&#8221; requer uma resist&#234;ncia psicol&#243;gica rara</h3><p>A abordagem concentrada de Druckenmiller &#8212; &#8220;vai a fundo&#8221; quando tens convic&#231;&#227;o &#8212; funciona espectacularmente quando se tem raz&#227;o. Mas exige uma capacidade psicol&#243;gica para suportar a volatilidade de posi&#231;&#245;es grandes que a maioria das pessoas simplesmente n&#227;o tem.</p><p>H&#225; uma diferen&#231;a abismal entre sabermos que devemos manter uma posi&#231;&#227;o grande quando ela vai temporariamente contra n&#243;s, e realmente faz&#234;-lo quando o nosso portef&#243;lio est&#225; a cair rapidamente. Druckenmiller passou d&#233;cadas a treinar essa resist&#234;ncia. A maioria dos investidores individuais n&#227;o tem esse luxo.</p><h3>O modelo n&#227;o &#233; facilmente replic&#225;vel</h3><p>Druckenmiller &#233; mais um nome extremamente dif&#237;cil de replicar &#8212; moedas, futuros, derivados, posi&#231;&#245;es longas e curtas simult&#226;neas, e a capacidade de usar alavancagem significativa. Hoje em dia, at&#233; j&#225; existem ferramentas ao dispor dos investidores individuais que queiram faz&#234;-lo. J&#225; a agilidade mental e psicol&#243;gica para gerir tudo isto... &#233; onde a coisa se complica seriamente.</p><p>Ainda assim, h&#225; algo perfeitamente replic&#225;vel no seu m&#233;todo: a orienta&#231;&#227;o para o futuro, a aten&#231;&#227;o &#224; liquidez, a concentra&#231;&#227;o nas melhores ideias, a honestidade sobre os erros. </p><p>J&#225; a execu&#231;&#227;o t&#225;ctica de Druckenmiller... s&#243; est&#225; ao alcance de alguns.</p><h3>A Nvidia &#8212; o custo de vender demasiado cedo</h3><p>J&#225; vimos o erro que Druckenmiller cometeu com a Nvidia e a sua honestidade em rela&#231;&#227;o ao mesmo.</p><p>Esta hist&#243;ria ilustra um dos limites mais subtis do seu modelo: mesmo com d&#233;cadas de experi&#234;ncia, a press&#227;o psicol&#243;gica de ver uma posi&#231;&#227;o grande em lucros extremos gera um instinto de &#8220;realizar o ganho&#8221; que pode custar retornos monumentais. Para a grande maioria dos investidores individuais, este vi&#233;s &#233; amplificado, n&#227;o atenuado.</p><div><hr></div><h2>O que fica de Stanley Druckenmiller?</h2><p>Um macro trader com um <em>track record</em> que desafia a estat&#237;stica, uma honestidade sobre os pr&#243;prios erros que desafia as conven&#231;&#245;es do sector, e uma filosofia que &#233;, simultaneamente, simples de compreender e extraordinariamente dif&#237;cil de executar.</p><p>O que ele demonstrou, ao longo de trinta anos, &#233; que o investimento excepcional n&#227;o resulta de diversifica&#231;&#227;o excessiva, de seguir o consenso, ou de minimizar o risco atrav&#233;s da dispers&#227;o. Resulta de compreender o contexto macro profundamente, identificar assimetrias genu&#237;nas, e ter a coragem &#8212; e a disciplina psicol&#243;gica &#8212; de agir sobre elas em tamanho.</p><blockquote><p></p><p>&#8220;Aprendi muitas coisas com o Soros, mas talvez a mais importante seja que n&#227;o importa se se est&#225; certo ou errado, mas sim quanto dinheiro se ganha quando se est&#225; certo e quanto se perde quando se est&#225; errado.&#8221;<br></p></blockquote><p>&#201; uma frase que parece simples. Como todas as verdades fundamentais sobre os mercados, &#233; muito mais f&#225;cil de dizer do que de viver &#8212; especialmente quando tens uma posi&#231;&#227;o grande e ela j&#225; subiu 500% e ainda n&#227;o parou (o caso da Nvidia).</p><p>A pr&#243;xima vez que sentires a tenta&#231;&#227;o de &#8220;realizar o lucro&#8221; numa posi&#231;&#227;o que continua a funcionar, ou de &#8220;m&#233;dias&#8221; numa posi&#231;&#227;o que continua a ir contra ti &#8212; lembra-te de Druckenmiller. O homem que nunca teve um ano negativo, que &#8220;lixou&#8221; o Banco de Inglaterra, e que mesmo assim admitiu sem hesita&#231;&#227;o: &#8220;N&#227;o consegui suportar o sucesso.&#8221;</p><p>H&#225; algo de reconfortante nisto. E algo que nos devia fazer pensar bastante.</p><div><hr></div><h2>Traduzir Stanley Druckenmiller para o nosso dia a dia</h2><p>Mais uma hist&#243;ria inspiradora mas o que realmente interessa, &#233; saber como podemos aplicar isto, certo?</p><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje dedicada aos <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong>, explico isso mesmo.</p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/stanley-druckenmiller">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um ano de Diário Cinzento (sem milagres, como prometido)]]></title><description><![CDATA[Breve balan&#231;o do primeiro ano deste Di&#225;rio sobre A&#231;&#245;es, ETFs e Criptomoedas.]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/um-ano-de-diario-cinzento</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/um-ano-de-diario-cinzento</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Jul 2026 06:52:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9a6dee22-ad0f-4e3d-815d-260d0f3d59e6_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; um ano, publicava aqui o primeiro artigo. Tinha uma longa lista de t&#243;picos, sem saber se algu&#233;m ia querer ler, ou se eu pr&#243;prio teria capacidade para escrever com regularidade sobre Ac&#231;&#245;es, ETF&#8217;s e Criptomoedas sem cair na tenta&#231;&#227;o do <em>hype</em> f&#225;cil, escrevendo sobre <em>&#8220;a melhor Ac&#231;&#227;o para Agosto&#8221;</em>, <em>&#8220;o ETF para investir at&#233; &#224; reforma&#8220;</em>, <em>&#8220;a pr&#243;xima Bitcoin&#8221;</em>, etc etc.</p><p>Escolhi evitar os t&#237;tulos f&#225;ceis e optar por um formato dif&#237;cil nos tempos que correm (a escrita) em vez dos formatos da moda &#8211; v&#237;deos curtos que entret&#234;m mas pouco acrescentam.</p><p>Se h&#225; algo que aprendi ao longo dos anos a estudar esta &#225;rea, &#233; que as respostas f&#225;ceis e os atalhos levam a ruelas e becos duvidosos e perigosos.</p><p>Um ano depois, continuo a achar que a abordagem do Di&#225;rio Cinzento faz sentido, bem como uma breve pausa, para olhar para tr&#225;s e fazer as contas.</p><h2>Os n&#250;meros</h2><ul><li><p>80 artigos publicados.</p></li><li><p>Mais de 10.000 visitas ao longo do ano.</p></li><li><p>Mas apenas 62 subscritores, entre gratuitos e pagos.</p></li><li><p>Os 3 artigos mais lidos foram:</p><ul><li><p><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/como-escolher-correctoras">Como escolher corretoras</a></p></li><li><p><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/digital-wallets-introducao">Digital Wallets - introdu&#231;&#227;o</a></p></li><li><p><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/reits">REIT&#8217;s</a></p></li></ul></li></ul><p>N&#227;o vou fingir que estes n&#250;meros s&#227;o espetaculares nem que s&#227;o irrelevantes. S&#227;o o que s&#227;o: arranquei com 2-3 posts por semana, depois tive de reduzir para 1. Mas acho que mantive o importante: n&#227;o parar e trazer-te alguma informa&#231;&#227;o &#250;til todas as semanas.</p><p>Gostava de o fazer com maior regularidade, mas enquanto o n&#250;mero de subscritores regulares n&#227;o crescer substancialmente, vou seguir a mesma filosofia dos investimentos: <em>DCA</em> &#8211; aos poucos.</p><h2>Um agradecimento</h2><p>Este espa&#231;o s&#243; faz sentido porque h&#225; quem leia, responda e questione. Por isso, aqui fica o meu agradecimento &#224;s pessoas que mandaram mails, mensagens ou que me deram feedback pessoalmente.</p><p>Todos os posts t&#234;m a caixa de coment&#225;rios aberta para os apoiantes do DC. O post de hoje, sendo especial, est&#225; aberto para toda a gente. Se quiseres partilhar alguma mensagem ou sugest&#227;o, aproveita!</p><h2>O que podes esperar neste 2&#186; ano</h2><p>Salvo motivo de for&#231;a maior, tenciono manter a regularidade, para que todas as semanas continues a encontrar aqui algo que contribua para os teus conhecimentos sobre Ac&#231;&#245;es, ETFs, Criptomoedas ou o mercado em geral.</p><p>Apesar do escasso apoio de subscritores, vou come&#231;ar a considerar outras formas de o tornar financeiramente vi&#225;vel (por forma a manter regularidade) &#8211; considerando sempre que a independ&#234;ncia editorial &#233; inegoci&#225;vel.</p><p>Mas tudo isto far&#225; ainda mais sentido e ser&#225; mais &#250;til, se estes posts responderem &#224;s d&#250;vidas de quem est&#225; desse lado. Por isso, neste post de anivers&#225;rio queria saber:</p><ol><li><p><strong>Que temas gostavas de ver mais?</strong> Ac&#231;&#245;es, ETF&#8217;s, Cripto ou mais artigos sobre temas macro &#8211; os coment&#225;rios deste artigo est&#227;o abertos para isso tamb&#233;m.</p></li><li><p><strong>Formatos alternativos.</strong> Apesar dos artigos escritos serem a base deste Di&#225;rio, ao longo do ano experimentei tamb&#233;m algumas notas audio (estilo podcast). Podes <a href="https://www.diariocinzento.pt/podcast">revisit&#225;-los aqui</a>. &#201; um formato que te agrada? Ou preferes que continue a ser tudo escrito? </p></li><li><p><strong>Uma partilha tua.</strong> O teu maior arrependimento em termos de investimentos. Uma dificuldade sobre os activos de que falamos aqui que ainda n&#227;o ultrapassaste. Talvez algum dos pr&#243;ximos artigos possa responder especificamente &#224;s tuas d&#250;vidas / desafios &#128578;</p></li></ol><p>Obrigado por este primeiro ano! Sem milagres, sem atalhos, s&#243; consist&#234;ncia. Afinal de contas, &#233; nisso que se baseiam os bons investimentos.</p><p><strong>Se conheces algu&#233;m a quem o conte&#250;do deste </strong><em><strong>Di&#225;rio</strong></em><strong> possa ser &#250;til, partilha &#8211; &#233; a forma mais simples de ajudar este projecto a crescer.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share Di&#225;rio Cinzento&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.diariocinzento.pt/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Share Di&#225;rio Cinzento</span></a></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Paul Tudor Jones: o homem que ganhou enquanto o mundo desesperava]]></title><description><![CDATA[Quando se fala de investimentos, principalmente para quem est&#225; a come&#231;ar, &#233; importante entender a diferen&#231;a fundamental entre um investidor e um trader.]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/paul-tudor-jones</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/paul-tudor-jones</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 15 Jul 2026 06:55:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d4ac4654-7c5e-4951-9a5a-3790a519a132_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala de investimentos, principalmente para quem est&#225; a come&#231;ar, &#233; importante entender a diferen&#231;a fundamental entre um investidor e um trader. O investidor compra algo e espera que o mercado lhe d&#234; raz&#227;o ao longo do tempo. O trader compra ou vende algo e espera que o mercado lhe d&#234; raz&#227;o esta semana. Ou hoje. Ou daqui a 1 hora.</p><p><strong>Esta distin&#231;&#227;o &#233; essencial para entender o nome de hoje:</strong> Paul Tudor Jones que &#233;, na sua ess&#234;ncia, um trader. Um dos melhores que alguma vez existiu. E a maior prova disso &#233; o que fez numa segunda-feira de Outubro de 1987, quando o mercado de ac&#231;&#245;es americano perdeu 22,6% do seu valor num &#250;nico dia &#8211; o maior colapso di&#225;rio da hist&#243;ria moderna &#8211; e o seu fundo ganhou 62% nesse m&#234;s.</p><p>Enquanto toda a gente desesperava, Paul Tudor Jones tinha-se preparado exactamente para aquele momento. E estava a sorrir.</p><div><hr></div><h2>Quem &#233; Paul Tudor Jones?</h2><p>Paul Tudor Jones II nasceu em 1954 nos EUA. Frequentou a University of Virginia, onde foi campe&#227;o universit&#225;rio de boxe. Pormenor curioso porque mais tarde ficaria conhecido por nunca levar um soco do mercado sem estar preparado para ele. Talvez os anos a treinar boxe tenham ajudado a moldar o mindset de Paul Tudor Jones.</p><p>Licenciou-se em Economia, come&#231;ou a sua carreira na E.F. Hutton &amp; Co. em Nova Iorque, onde rapidamente se destacou como trader. Trabalhou depois na New York Cotton Exchange, sob a tutela do lend&#225;rio trader de algod&#227;o Eli Tullis, famoso pela sua frieza sob press&#227;o &#8211; uma caracter&#237;stica que Jones absorveu e ampliou.</p><p>Em 1980, fundou a Tudor Investment Corporation com 30.000 d&#243;lares de <em>seed investment</em>. Hoje, o Tudor Group gere cerca de 12 a 17 mil milh&#245;es de d&#243;lares em activos.</p><p>Em 1988, co-fundou a Robin Hood Foundation (nada relacionado com a famosa corretora dos tempos que correm), focada na redu&#231;&#227;o da pobreza em Nova Iorque. Desde ent&#227;o, a funda&#231;&#227;o arrecadou quase 3 mil milh&#245;es de d&#243;lares para combater a pobreza. Jones juntou-se tamb&#233;m ao Giving Pledge em 2019, comprometendo-se a doar a maior parte da sua fortuna. Talvez seja uma forma de equilibrar a balan&#231;a, j&#225; que estamos a falar de algu&#233;m cuja especialidade profissional &#233; ganhar dinheiro quando os outros est&#227;o a perder.</p><div><hr></div><h2>Porque &#233; que Paul Tudor Jones &#233; um nome relevante?</h2><p><em>A resposta r&#225;pida:</em> porque fez o que ningu&#233;m fez &#8211; gerir um fundo que nunca perdeu dinheiro durante os seus primeiros cinco anos, num dos per&#237;odos mais turbulentos da hist&#243;ria financeira moderna.</p><p><em>A resposta mais completa:</em> porque redefiniu o que &#233; poss&#237;vel em gest&#227;o de risco, e demonstrou que o trading pode ser tanto uma disciplina intelectual rigorosa quanto uma forma de arte psicol&#243;gica.</p><p>Desde a sua funda&#231;&#227;o em 1980, os fundos da Tudor Investment Corporation entregaram retornos l&#237;quidos anualizados de aproximadamente 19% at&#233; ao in&#237;cio dos anos 2010, superando significativamente o S&amp;P 500, que em per&#237;odos similares teve uma m&#233;dia de cerca de 10-11% ao ano.</p><p>Jones foi tamb&#233;m um dos primeiros grandes gestores de fundos a devolver capital aos investidores quando o fundo se tornou demasiado grande para executar a sua estrat&#233;gia com a mesma efic&#225;cia &#8211; uma decis&#227;o extraordinariamente rara numa ind&#250;stria onde as comiss&#245;es crescem com o tamanho do fundo. </p><p>No mundo dos <em>hedge funds</em>, isto &#233; o equivalente a um restaurante famoso fechar a reservas quando a qualidade da comida come&#231;a a sofrer. Isto n&#227;o acontece &#8211; mas aconteceu com Jones.</p><p>Foi ainda imortalizado no livro <em>Market Wizards</em> de Jack Schwager, uma colec&#231;&#227;o de entrevistas com os maiores traders da hist&#243;ria. A sua entrevista continua, d&#233;cadas depois, a ser considerada uma das mais valiosas j&#225; publicadas sobre psicologia de trading.</p><div><hr></div><h2>Os investimentos que o tornaram conhecido</h2><h3><em>Black Monday</em>, 1987 &#8211; a previs&#227;o que ficou para a Hist&#243;ria</h3><p>Esta foi <em>A</em> jogada. O momento que definiu a carreira e a lenda de Paul Tudor Jones.</p><p>Usando an&#225;lise t&#233;cnica e padr&#245;es hist&#243;ricos, a equipa da Tudor identificou semelhan&#231;as perturbadoras entre as condi&#231;&#245;es do mercado de 1929 e as de 1987 &#8211; e construiu posi&#231;&#245;es curtas massivas antes do colapso</p><p>19 de Outubro de 1987 &#8211; conhecida at&#233; hoje como a &#8220;Black Monday&#8221; &#8211; o &#237;ndice Dow Jones perdeu 22,6% do seu valor num &#250;nico dia. O fundo de Jones ganhou 62% nesse m&#234;s de Outubro e terminou o ano com um retorno de 200%.</p><p>Para se entender melhor estes n&#250;meros: no dia em que o mercado americano registou a sua maior queda di&#225;ria de sempre, Jones triplicou o dinheiro dos seus investidores. </p><h3>Jap&#227;o, 1990 &#8211; repetir a <em>Black Monday</em> mas numa l&#237;ngua diferente</h3><p>Em Fevereiro de 1990, Jones comprou op&#231;&#245;es <em>Put</em> sobre o mercado de ac&#231;&#245;es japon&#234;s, que viria a colapsar mais tarde. O fundo de Jones registou um retorno de 87,4% nesse ano.</p><p>O mercado accionista japon&#234;s tinha entrado numa bolha especulativa extraordin&#225;ria nos anos 80. Jones identificou os padr&#245;es, posicionou-se &#8211; e esperou. O &#237;ndice Nikkei n&#227;o voltaria aos n&#237;veis de 1989 at&#233; d&#233;cadas depois. Jones j&#225; tinha sa&#237;do muito antes disso.</p><h3>Tecnologia, 2001-2002 &#8211; mais uma moeda, mais uma voltinha</h3><p>Entre 2001 e 2002, durante o rebentamento da bolha da internet, o fundo de Jones ganhou mais de 48% em apostas contra ac&#231;&#245;es tecnol&#243;gicas.</p><p>Tr&#234;s crises. Tr&#234;s apostas contr&#225;rias correctas. Com d&#233;cadas de dist&#226;ncia entre elas. Perante este hist&#243;rico, &#233; dif&#237;cil dizer que o tipo teve sorte. </p><h3>Bitcoin como cobertura contra a Infla&#231;&#227;o, 2020</h3><p>Em Maio de 2020, Jones escreveu uma carta aos seus investidores &#8211; intitulada &#8220;The Great Monetary Inflation&#8221; &#8211; declarando que estava a comprar Bitcoin como cobertura contra a infla&#231;&#227;o provocada pelas pol&#237;ticas monet&#225;rias extraordin&#225;rias dos bancos centrais em resposta &#224; pandemia.</p><p>Na altura, o Bitcoin estava abaixo de $10.000. Jones comparou o investimento a estar presente nas fases iniciais do Ouro como activo de reserva &#8211; ou, nas suas pr&#243;prias palavras, era como investir em Steve Jobs e na Apple ou na Google nos seus primeiros anos. O Bitcoin ultrapassou $60.000 em 2021 e atingiu um m&#225;ximo hist&#243;rico de $126.080 em Outubro de 2025.</p><p>Jones n&#227;o &#233; um cripto-entusiasta como <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/tim-draper-investir-no-futuro-sem">Tim Draper</a>. &#201; um macro trader que identificou uma assimetria &#8211; e agiu sobre ela com a mesma frieza com que apostou contra o mercado em 1987.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png" width="1200" height="200" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:200,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:23911,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/203819490?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Se algum termo deste artigo for novidade para ti, espreita o <strong>Dicion&#225;rio</strong> de apoio.</figcaption></figure></div><div><hr></div><h2>A Filosofia de Investimento de Paul Tudor Jones</h2><blockquote><p><em>&#8220;The most important rule is to play great defence, not great offence. Every day I assume every position I have is wrong.&#8221;</em><br>&#8211; Paul Tudor Jones</p></blockquote><h3>1. A defesa primeiro</h3><p>A diferen&#231;a entre Jones e a maioria dos traders n&#227;o est&#225; na sua capacidade de identificar oportunidades de ganho. Est&#225; na sua obsess&#227;o com a protec&#231;&#227;o do capital.</p><blockquote><p><em>&#8220;I&#8217;m always thinking about losing money as opposed to making money. Don&#8217;t focus on making money, focus on protecting what you have.&#8221;</em><br>&#8211; Paul Tudor Jones</p></blockquote><p>Esta invers&#227;o &#8211; pensar em perder em vez de ganhar &#8211; &#233; contraintuitiva mas matematicamente poderosa. Uma perda de 50% exige um ganho de 100% para recuperar o ponto de partida. Evitar perdas grandes &#233;, a longo prazo, mais valioso do que acumular ganhos grandes.</p><h3>2. A regra do 5:1</h3><p>Jones procura oportunidades onde a recompensa potencial &#233; pelo menos cinco vezes superior ao risco assumido:</p><blockquote><p><em>&#8220;Five to one means I&#8217;m risking one dollar to make five. What five to one does is allow you to have a hit ratio of 20%. I can actually be a complete imbecile. I can be wrong 80% of the time, and I&#8217;m still not going to lose.&#8221;</em><br>&#8211; Paul Tudor Jones</p></blockquote><p>Esta &#233; uma das ideias mais libertadoras em toda a filosofia de trading: se o ratio risco/recompensa &#233; de 5:1, podemos estar errados na maioria das vezes e ainda assim ganhar dinheiro. O objectivo n&#227;o &#233; ter sempre raz&#227;o &#8211; &#233; garantir que, quando temos raz&#227;o, ganhamos muito mais do que perdemos quando estamos errados.</p><h3>3. An&#225;lise t&#233;cnica e macro global</h3><p>O estilo de trading macro global de Jones baseia-se principalmente em an&#225;lise t&#233;cnica, com &#234;nfase em factores de <em>momentum</em> que movem os mercados. Jones procura padr&#245;es hist&#243;ricos que se repetem &#8211; e usa indicadores como a m&#233;dia m&#243;vel de 200 dias como ferramenta de defesa. Quando o pre&#231;o de um activo cai abaixo da sua m&#233;dia de 200 dias, &#233; um sinal de alerta. Quando est&#225; acima, o ambiente &#233; mais favor&#225;vel.</p><h3>4. O ego &#233; o inimigo</h3><blockquote><p><em>&#8220;Don&#8217;t be a hero. Don&#8217;t have an ego. Always question yourself and your ability. Don&#8217;t ever feel that you are very good. The second you do, you are dead.&#8221;</em><br>&#8211; Paul Tudor Jones</p></blockquote><p>Os apreciadores da filosofia est&#243;ica rapidamente reconhecer&#227;o esta forma de pensar. Jones passou d&#233;cadas a cultivar uma forma paradoxal de confian&#231;a: a confian&#231;a de saber que pode estar errado. A sua regra de assumir diariamente que todas as suas posi&#231;&#245;es est&#227;o erradas n&#227;o &#233; pessimismo &#8211; &#233; uma forma de se manter vigilante, humilde, e preparado para agir quando a realidade n&#227;o confirma as suas expectativas.</p><h3>5. &#8220;Losers average losers&#8221;</h3><p>Esta frase &#8211; uma das mais citadas de Jones &#8211; &#233; um princ&#237;pio de gest&#227;o de posi&#231;&#245;es que vai contra o instinto humano mais b&#225;sico - a tenta&#231;&#227;o de melhorar a m&#233;dia das posi&#231;&#245;es perdedoras.</p><p>Quando uma posi&#231;&#227;o est&#225; a perder dinheiro, o instinto da maioria das pessoas &#233; manter ou aumentar &#8211; para &#8220;baixar o pre&#231;o m&#233;dio&#8221; e recuperar mais facilmente quando o mercado virar. Jones faz exactamente o contr&#225;rio: reduz posi&#231;&#245;es quando est&#225; a perder, e aumenta quando est&#225; a ganhar. &#201; psicologicamente dif&#237;cil. &#201; tamb&#233;m a diferen&#231;a entre sobreviver aos mercados e ser destru&#237;do por eles.</p><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Paul Tudor Jones </h2><p>Tal como os grandes nomes j&#225; destacados <a href="https://www.diariocinzento.pt/t/mindset">aqui</a>, a abordagem de Paul Tudor Jones tamb&#233;m tem os seus pr&#243;prios &#226;ngulos cegos.</p><h3>1. A dificuldade de replica&#231;&#227;o pelo comum dos mortais</h3><p>O trading de macro global que Jones pratica exige acesso a mercados de futuros, op&#231;&#245;es e derivados sofisticados, bem como capital suficiente para diversificar adequadamente entre m&#250;ltiplas estrat&#233;gias e classes de activos. </p><p>Muitos destes instrumentos, hoje em dia, j&#225; est&#227;o acess&#237;veis &#224; maioria das pessoas. No entanto, isto &#233; apenas uma parte da equa&#231;&#227;o. A maioria n&#227;o tem acesso ao capital que Jones tem &#224; sua disposi&#231;&#227;o, nem &#224;s suas ferramentas de an&#225;lise.</p><p>A filosofia &#233; transfer&#237;vel. A execu&#231;&#227;o, na sua forma original, n&#227;o &#233;.</p><h3>2. Os retornos abrandaram significativamente</h3><p>Depois do in&#237;cio dos anos 2000, os retornos de Jones abrandaram, provavelmente devido a uma abordagem de investimento mais conservadora. O fundo passou tamb&#233;m por per&#237;odos de <em>underperformance</em> prolongada &#8211; em 2016, o Tudor BVI Fund perdeu cerca de 2% num ano em que o S&amp;P 500 subiu 12%. Em resposta, o fundo reduziu as suas comiss&#245;es e despediu 15% dos colaboradores.</p><p>O que isto sugere &#233; que mesmo a melhor estrat&#233;gia tem os seus limites temporais &#8211; e que as condi&#231;&#245;es de mercado que favorecem o trading macro global n&#227;o s&#227;o permanentes.</p><h3>3. As comiss&#245;es elevad&#237;ssimas</h3><p>O fundo de Jones chegou a cobrar 4% de comiss&#227;o anual de gest&#227;o (face ao standard de 2% da ind&#250;stria) + 23% dos lucros. Para o investidor que pretende ter acesso aos retornos de Jones, uma parte significativa desses retornos fica na firma. Esta estrutura de comiss&#245;es pode fazer sentido para os melhores <em>performers</em> da hist&#243;ria &#8211; mas &#233; uma compara&#231;&#227;o muito desfavor&#225;vel face a um &#237;ndice de baixo custo para quem n&#227;o consegue o acesso.</p><h3>4. Controv&#233;rsias p&#250;blicas &#8211; o custo da personalidade</h3><p>Tal como outros nomes j&#225; abordados anteriormente, Jones tem tamb&#233;m uma personalidade p&#250;blica que por vezes joga contra ele. Em 2013, uma grava&#231;&#227;o de uma reuni&#227;o na University of Virginia mostrou Jones a afirmar que as mulheres n&#227;o conseguem focar-se adequadamente no trading de alta intensidade depois de terem filhos. Jones acabou depois por pedir desculpa pelas suas palavras.</p><p>Em 2025, o Wall Street Journal reportou liga&#231;&#245;es entre o seu fundo e Jeffrey Epstein nos anos anteriores &#224; sua morte &#8211; com o fundo alegadamente a transferir 13,5 milh&#245;es de d&#243;lares para Epstein. A natureza exacta desta rela&#231;&#227;o nunca foi totalmente esclarecida, sendo um rumor que vai continuar a pairar sobre o seu nome.</p><p>Estas controv&#233;rsias s&#227;o irrelevantes para avaliar a sua filosofia de investimento &#8211; mas s&#227;o relevantes para quem valoriza a coer&#234;ncia entre princ&#237;pios declarados e comportamento.</p><h3>5. O estilo de trading n&#227;o &#233; para todos &#8211; psicologicamente falando</h3><p>Jones diz que assume diariamente que todas as suas posi&#231;&#245;es est&#227;o erradas. Sai de posi&#231;&#245;es imediatamente quando o mercado vai contra ele. Reduz exposi&#231;&#227;o quando est&#225; a perder. Tudo isto soa razo&#225;vel em teoria &#8211; mas &#233; psicologicamente devastador na pr&#225;tica para a maioria das pessoas.</p><p>O n&#237;vel de controlo emocional que a abordagem de Jones exige &#233; extraordin&#225;rio. A investiga&#231;&#227;o em finan&#231;as comportamentais sugere que a grande maioria dos investidores individuais &#233; sistematicamente incapaz de tomar decis&#245;es racionais sob stress financeiro. </p><p>Aprender as regras de Jones &#233; f&#225;cil. Execut&#225;-las num mercado em queda livre, com o nosso pr&#243;prio dinheiro, &#233; completamente diferente.</p><div><hr></div><h2>Resumindo Paul Tudor Jones</h2><ul><li><p>Paul Tudor Jones &#233; uma prova de que a gest&#227;o de risco n&#227;o &#233; a parte aborrecida do investimento &#8211; &#233; a parte mais importante. </p></li><li><p>Ser humilde perante a incerteza do mercado n&#227;o &#233; uma fraqueza &#8211; &#233; a &#250;nica postura inteligente. </p></li><li><p>Ganhar dinheiro nos mercados n&#227;o requer ter sempre raz&#227;o &#8211; requer garantir que, quando estamos errados, a perda &#233; ger&#237;vel, e que, quando estamos certos, o ganho &#233; transformador.</p></li></ul><blockquote><p><em>&#8220;Ninety percent of any great trader is going to be the risk control.&#8221;</em><br>&#8211; Paul Tudor Jones</p></blockquote><p>&#201; uma frase que inverte a narrativa popular do &#8220;g&#233;nio financeiro&#8221; que identifica sempre a oportunidade certa. A genialidade de Jones n&#227;o est&#225; no ter previsto o <em>crash</em> de 1987. Est&#225; em ter constru&#237;do um sistema que o protegeria mesmo que estivesse errado &#8211; e que o posicionou para ganhar extraordinariamente quando estava certo.</p><p>O mercado vai continuar a fazer o que sempre fez: subir, descer, surpreender, e humilhar os arrogantes. Jones sabia disso em 1987. Continua a saber hoje. E os melhores investidores do mundo sabem que a &#250;nica resposta inteligente a esta realidade &#233; exactamente aquela que Jones pratica h&#225; quarenta anos: jogar uma defesa impec&#225;vel, procurar assimetria, e assumir que se &#233; bom o suficiente para dispensar a humildade.</p><div><hr></div><h2>Traduzir Paul Tudor Jones para o nosso dia a dia</h2><p>Apesar das cr&#237;ticas que lhe s&#227;o apontadas, h&#225; uns quantos pontos pr&#225;ticos que a maioria das pessoas pode usar no dia a dia.</p><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje dedicada aos <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong>, explico isso mesmo... </p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/paul-tudor-jones">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Money Markets: o activo mais aborrecido que convém conhecer]]></title><description><![CDATA[H&#225; investimentos que d&#227;o para conversa de jantar - Nvidia, a cripto que &#8220;vai ser a pr&#243;xima Bitcoin&#8221;. E h&#225; investimentos que n&#227;o d&#227;o para conversa nenhuma, porque o argumento mais honesto &#233; "serve para uns c&#234;ntimos por dia"...]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/money-markets-o-activo-mais-aborrecido</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/money-markets-o-activo-mais-aborrecido</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 08 Jul 2026 06:48:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ab2be6f3-8bd7-4960-b94d-94f69c56aad7_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; investimentos que d&#227;o para conversa de jantar - Bitcoin, Nvidia, aquela cripto que <em>&#8220;vai ser a pr&#243;xima Ethereum&#8221;</em>. E h&#225; investimentos que n&#227;o d&#227;o para conversa nenhuma, porque a resposta mais honesta a <em>&#8220;e como &#233; que isso funciona?&#8221;</em> &#233; <em>&#8220;ganha uns c&#234;ntimos por dia e mais nada&#8221;</em>. Os <em>Money Markets</em>, ou mercados monet&#225;rios, pertencem inteiramente a esta segunda categoria. </p><p>Ningu&#233;m organiza um podcast sobre eles. Ningu&#233;m aparece na televis&#227;o de fato e gravata a explicar a sua &#8220;tese de investimento&#8221; em mercados monet&#225;rios. E, ainda assim, &#233; prov&#225;vel que sejam um dos activos mais &#250;teis para ter na carteira - especialmente em alturas em que &#8220;esperar sentado&#8221; pode, de facto, valer a pena.</p><p>No final do artigo de hoje, vais ficar a perceber: o que s&#227;o, como funcionam, porque interessam e que op&#231;&#245;es existem para quem vive em Portugal.</p><div><hr></div><h2>O que s&#227;o exactamente os <em>Money Markets</em></h2><p>Um <em>Money Marke</em>t &#233;, resumidamente, um s&#237;tio onde o dinheiro fica &#8220;estacionado&#8221; a ganhar juros, em vez de ficar parado numa conta &#224; ordem a ganhar zero. </p><p>Agora a parte t&#233;cnica sem complicar: os fundos de mercado monet&#225;rio investem em d&#237;vida de muito curto prazo e baixo risco - dep&#243;sitos <em><span>overnight</span></em>, d&#237;vida p&#250;blica com maturidades curt&#237;ssimas, papel comercial de empresas com bom n&#237;vel de cr&#233;dito. Nada de Ac&#231;&#245;es, nada de obriga&#231;&#245;es a 10 anos, nada de dramas.</p><p>O objectivo destes fundos n&#227;o &#233; ajudar-nos a aumentar o nosso capital. &#201; ajudar-nos a preserv&#225;-lo e, j&#225; agora, ir rendendo qualquer coisa pr&#243;xima da taxa de juro de refer&#234;ncia do momento. </p><p>Todos temos aquele amigo forreta e respons&#225;vel que nunca nos vai levar a jantares caros, mas que tamb&#233;m n&#227;o nos vai ligar do nada a pedir dinheiro emprestado. No mundo dos investimentos, o <em>Money Markets</em> &#233; esse amigo.</p><div><hr></div><h2>Como funcionam</h2><p>O mecanismo &#233; simples. O gestor do fundo (ou do ETF) pega no dinheiro de todos os investidores e empresta-o, essencialmente de um dia para o outro, a bancos e outras institui&#231;&#245;es financeiras, seguindo taxas pr&#243;ximas da<span> taxa </span><em><span>overnight</span></em><span> </span>da zona euro - o famoso &#8364;STR (Euro Short-Term Rate). </p><p>Esta taxa, por usa vez, acompanha a taxa de dep&#243;sito definida pelo BCE, que em Junho de 2026 subiu para 2,25%.</p><p>Ou seja: se a taxa do BCE sobe, o rendimento do nosso <em>Money Marke</em>t sobe tamb&#233;m, quase em tempo real. Se desce, acontece o mesmo ao valor do <em>Money Market</em>. &#201; um activo de rendimento vari&#225;vel e de prazo curt&#237;ssimo - o oposto de se comprar um Certificado de Aforro e ficar &#8220;preso&#8221; a uma taxa durante anos.</p><p>No caso dos ETF&#8217;s de mercado monet&#225;rio, grande parte replica a evolu&#231;&#227;o do &#8364;STR. Compra-se uma unidade de participa&#231;&#227;o como se compra qualquer outro ETF, e o valor da unidade vai subindo lentamente, dia ap&#243;s dia, &#224; medida que os juros se v&#227;o acumulando. Nada de dividendos a cair-nos na conta - &#233; tudo reinvestido automaticamente, o que, como j&#225; veremos, tamb&#233;m tem a sua vantagem fiscal.</p><div><hr></div><h2>Porque s&#227;o &#250;teis </h2><p>Raz&#245;es pr&#225;ticas para se considerarem <em>Money Markets</em>:</p><ul><li><p><strong>Alternativa a deixar dinheiro parado.</strong> Se temos dinheiro numa conta &#224; ordem &#8220;s&#243; porque sim&#8221;, estamos literalmente a perder poder de compra para a infla&#231;&#227;o.</p></li><li><p><strong>Gest&#227;o de liquidez.</strong> Precisamos de ter dinheiro dispon&#237;vel para uma despesa que pode acontecer daqui a 3, 6 ou 12 meses? Um <em>Money Market</em> permite-nos ganhar juros sem estarmos exposto &#224; volatilidade das Ac&#231;&#245;es.</p></li><li><p><strong>&#8220;Parqueamento&#8221; de capital entre investimentos.</strong> Vendemos uma posi&#231;&#227;o e ainda n&#227;o sabemos bem onde re-alocar esse capital? Em vez de o deixarmos a apanhar p&#243; ou a engordar algum banco, podemos usar um <em>Money Market</em> para render, enquanto decidimos com calma o que fazer a seguir.</p></li><li><p><strong>Amortecedor num portfolio mais agressivo.</strong> Como j&#225; se falou por aqui noutras alturas de incerteza nos mercados, ter uma fatia em activos pouco sexy mas previs&#237;veis, ajuda a equilibrar posi&#231;&#245;es mais vol&#225;teis.</p></li></ul><p>Volto a frisar, n&#227;o &#233; um activo para fazer crescer o patrim&#243;nio. &#201; um activo para n&#227;o se perder terreno enquanto decidimos o pr&#243;ximo passo - ou para quem simplesmente prefere dormir descansado.</p><div><hr></div><h2>As op&#231;&#245;es dispon&#237;veis para quem vive em Portugal</h2><p>Vamos &#224; parte pr&#225;tica. </p><p>N&#227;o existe (ainda) o equivalente portugu&#234;s a uma &#8220;<em>money marke</em>t <em>account</em>&#8221; banc&#225;ria tal como existe nos EUA, mas h&#225; alternativas bem acess&#237;veis atrav&#233;s de corretoras.</p><p><strong>Contas remuneradas ou dep&#243;sitos a prazo -</strong> a op&#231;&#227;o mais tradicional e mais f&#225;cil de entender - o banco paga-nos um juro fixo (ou indexado) para termos l&#225; o dinheiro. Costuma ter menos flexibilidade do que um ETF e, dependendo do banco, taxas menos competitivas. </p><p>Alguns <em><span>neobanks</span></em> e corretoras tamb&#233;m oferecem esta facilidade. Basta criar conta, transferir para l&#225; dinheiro, activar a op&#231;&#227;o de rentabilizar dinheiro n&#227;o investido e ele &#233; automaticamente aplicado em <em>Money Markets </em>escolhidos pela pr&#243;pria corretora. Nestes casos, a taxa de juro pode ser ligeiramente inferior ao de um ETF. Como diz o povo, &#8220;quem parte e reparte e n&#227;o fica com a melhor parte...&#8221;.</p><p><strong>ETF&#8217;s de mercado monet&#225;rio em euros -</strong> s&#227;o a forma mais simples e l&#237;quida de nos expormos a isto. <span>Os nomes mais conhecidos no mercado europeu s&#227;o o Xtrackers II EUR Overnight Rate Swap UCITS ETF (XEON) e o Amundi/Lyxor Smart Overnight Return UCITS ETF (CSH2), ambos acumulativos e com comiss&#245;es de gest&#227;o (TER) tipicamente entre 0,09% e 0,12% ao ano. </span>Tal como qualquer outro ETF, podemos compr&#225;-los em qualquer uma das corretoras j&#225; mencionadas em artigos anteriores. </p><p>Como sempre, os nomes aqui mencionados servem apenas de exemplo e n&#227;o s&#227;o recomenda&#231;&#227;o - faz a tua pr&#243;pria pesquisa antes de decidir.</p><p><strong>Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro.</strong> N&#227;o s&#227;o <em>Money Markets</em>, mas cumprem uma fun&#231;&#227;o parecida para muita gente em Portugal: capital protegido pelo Estado e uma taxa que tamb&#233;m acompanha, de forma indirecta, o contexto de juros. A diferen&#231;a &#233; que aqui o dinheiro &#233; menos l&#237;quido (h&#225; penaliza&#231;&#245;es por resgates antecipados nalguns casos) e a taxa n&#227;o se ajusta ao minuto, ao contr&#225;rio de um ETF de mercado monet&#225;rio.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png" width="1200" height="200" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:200,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:23911,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/204639277?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mprx!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c90fa82-e629-4471-ac45-b13f79991bb1_1200x200.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><span>Se algum termo deste artigo for novidade para ti, espreita o </span><strong>Dicion&#225;rio</strong><span> de apoio.</span></figcaption></figure></div><div><hr></div><h2>Os riscos dos Mercados Monet&#225;rios</h2><p>A palavra &#8220;monet&#225;rio&#8221; tem um efeito calmante sobre as pessoas, como se estiv&#233;ssemos a falar de dinheiro guardado numa gaveta. N&#227;o &#233; bem assim. Como em qualquer investimento, aqui tamb&#233;m h&#225; riscos que conv&#233;m conhecer.</p><h3>Riscos inerentes aos pr&#243;prios <em>Money Markets</em></h3><ul><li><p><strong>N&#227;o h&#225; garantia de capital.</strong> Ao contr&#225;rio de um dep&#243;sito banc&#225;rio, um <em>Money Market</em> n&#227;o &#233; coberto pelo Fundo de Garantia de Dep&#243;sitos. Estamos a investir, n&#227;o a depositar - a distin&#231;&#227;o parece subtil at&#233; ao dia em que deixa de ser. </p></li><li><p><strong>Risco de contraparte.</strong> O fundo empresta o nosso dinheiro a bancos e institui&#231;&#245;es financeiras. Se uma dessas contrapartes falhar, o fundo (e, por extens&#227;o, n&#243;s) vamos sentir uma pancada. &#201; um risco baixo, sobretudo porque os prazos s&#227;o curt&#237;ssimos e a diversifica&#231;&#227;o &#233; elevada, mas &#8220;baixo&#8221; n&#227;o &#233; o mesmo que &#8220;zero&#8221;.</p></li><li><p><strong>Risco de taxa de juro em sentido inverso.</strong> O mesmo mecanismo que faz o rendimento subir quando o BCE sobe as taxas, faz o rendimento descer quando o BCE as corta. Se estamos &#224; espera de um rendimento fixo e previs&#237;vel ano ap&#243;s ano, h&#225; risco de desilus&#227;o - isto acompanha o mercado, para o bem e para o mal.</p></li><li><p><strong>Risco de liquidez em cen&#225;rios extremos.</strong> Em condi&#231;&#245;es normais, podemos entrar e sair em <em>Money Markets</em> quando quisermos. Em alturas de crises financeiras graves (2008 &#233; o exemplo cl&#225;ssico), alguns fundos monet&#225;rios nos EUA tiveram dificuldades em cumprir resgates ao ritmo esperado. &#201; raro, mas n&#227;o &#233; imposs&#237;vel.</p></li></ul><h3>Riscos inerentes &#224;s contas remuneradas (bancos e corretoras)</h3><ul><li><p><strong>A taxa &#8220;atractiva&#8221; costuma ter prazo de validade.</strong> Muitas contas remuneradas de bancos e corretoras oferecem uma taxa promocional nos primeiros meses e depois baixam-na silenciosamente. Vale sempre a pena ler as letras pequenas, n&#227;o as letras que aparecem nos an&#250;ncios. H&#225; institui&#231;&#245;es que s&#243; baixam quando o BCE baixa e h&#225; outras que v&#227;o baixando &#224; medida que v&#227;o angariando novos clientes.</p></li><li><p><strong>Nem todo o dinheiro &#8220;remunerado&#8221; est&#225; protegido da mesma forma.</strong> Depende se estamos a falar de um dep&#243;sito banc&#225;rio tradicional (coberto at&#233; 100 mil euros pelo Fundo de Garantia de Dep&#243;sitos) ou de <em>cash</em> numa corretora, que geralmente est&#225; a investir esse dinheiro em fundos monet&#225;rios por tr&#225;s dos panos - e a&#237; aplicam-se os riscos do ponto anterior, mesmo que a interface da app nos mostre um saldo t&#227;o sereno como uma conta &#224; ordem. As corretoras s&#227;o obrigadas a divulgar esta informa&#231;&#227;o, mas costuma estar em letras bem pequenas ou sec&#231;&#245;es da app que poucos v&#227;o ver.</p></li><li><p><strong>Risco de contraparte da pr&#243;pria corretora ou banco.</strong> Corretoras n&#227;o s&#227;o todas iguais em termos de solidez financeira, regula&#231;&#227;o e jurisdi&#231;&#227;o. Antes de confiarmos uma fatia significativa do nosso patrim&#243;nio a uma plataforma, conv&#233;m perceber onde e como est&#225; guardado o dinheiro - a segrega&#231;&#227;o de fundos &#233; o m&#237;nimo indispens&#225;vel que devemos confirmar antes de come&#231;ar a usar qualquer corretora.</p></li><li><p><strong>Condi&#231;&#245;es que mudam discretamente.</strong> Limites m&#237;nimos, comiss&#245;es de manuten&#231;&#227;o, altera&#231;&#245;es &#224; taxa - tudo isto pode mudar de um m&#234;s para o outro, normalmente comunicado num email ou numa notifica&#231;&#227;o discreta na app. Mais uma vez, as corretoras s&#227;o obrigadas as comunicar estas altera&#231;&#245;es - mas nem toda a gente l&#234; os mails que recebe ou a notifica&#231;&#227;o que importa no meio de tantas outras.</p></li></ul><h3>Riscos inerentes &#224; compra via ETF</h3><ul><li><p><strong>Risco de mercado do pr&#243;prio ETF.</strong> &#201; baixo, mas existe - o valor da unidade de participa&#231;&#227;o pode, em teoria, descer, sobretudo em per&#237;odos de tens&#227;o extrema nos mercados de cr&#233;dito de curto prazo. N&#227;o &#233; algo que aconte&#231;a com frequ&#234;ncia, mas &#8220;ETF de mercado monet&#225;rio&#8221; n&#227;o &#233; sin&#243;nimo de &#8220;imposs&#237;vel perder dinheiro&#8221;.</p></li><li><p><strong>Risco cambial, se escolheres o ETF errado.</strong> Existem ETF&#8217;s de mercado monet&#225;rio em d&#243;lares, libras e outras moedas. Se vives e gastas em euros mas compras um ETF em USD, est&#225;s a assumir <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/risco-cambial">risco cambial</a> sobre um activo cujo objectivo era, precisamente, ser previs&#237;vel. Ironia &#224; parte, o recomend&#225;vel &#233; escolher sempre a vers&#227;o em EUR se &#233; essa a tua moeda do dia-a-dia.</p></li><li><p><strong>Risco de r&#233;plica sint&#233;tica.</strong> Alguns destes ETF&#8217;s replicam a taxa atrav&#233;s de swaps com contrapartes banc&#225;rias, em vez de deterem os activos directamente. Isto acrescenta uma camada extra de risco de contraparte, ainda que regulada e limitada pelas regras UCITS. <a href="https://www.diariocinzento.pt/i/169384220/o-tipo-de-replicacao">Expliquei aqui</a> como identificar o tipo de replica&#231;&#227;o de um ETF.</p></li><li><p><strong>Comiss&#245;es e spreads que comem o j&#225; pouco que rende.</strong> O TER costuma ser baixo (0,09% a 0,12%), mas a isso soma-se a comiss&#227;o da tua corretora e o spread de compra/venda. Num activo cujo rendimento anual anda &#224; volta de 2%, cada d&#233;cima de comiss&#227;o pesa proporcionalmente muito mais do que pesaria num ETF de ac&#231;&#245;es.</p></li><li><p><strong>Risco de liquida&#231;&#227;o do fundo.</strong> Gestoras de activos fecham ou fundem fundos com alguma regularidade, normalmente por falta de escala. N&#227;o perdes o capital por isso, mas &#233; um inc&#243;modo administrativo que ningu&#233;m pede.</p></li></ul><p>Em resumo: o risco existe, &#233; geralmente pequeno e bem gerido pelas entidades reguladoras europeias - mas fingir que n&#227;o existe &#233; precisamente o tipo de coisa que, mais tarde, se paga caro.</p><div><hr></div><h2>E os impostos?</h2><p>Em Portugal, os ganhos obtidos com ETF&#8217;s (incluindo os de Mercado Monet&#225;rio) est&#227;o sujeitos &#224; taxa de 28% sobre as mais-valias, no momento em que os vendemos. Como os ETF&#8217;s mencionados acima s&#227;o de acumula&#231;&#227;o (n&#227;o distribuem dividendos), n&#227;o h&#225; reten&#231;&#227;o na fonte ao longo do caminho - o imposto s&#243; &#233; apurado quando for vendido. Isto tende a ser fiscalmente mais eficiente do que op&#231;&#245;es que v&#227;o pagando juros regularmente, sujeitos a tributa&#231;&#227;o a cada pagamento. </p><p>Comparando com as op&#231;&#245;es das contas remuneradas, a op&#231;&#227;o ETF pode ser mais vantajosa para quem esteja a pensar recorrer a <em>Money Markets</em> durante v&#225;rios anos. Apesar das mais valias dos ETFs estarem sujeitas a 28%, o imposto baixa para 25,2% para os casos em que as vendas s&#227;o feitas 2 anos ap&#243;s a aquisi&#231;&#227;o. E quem aguardar mais de 5 anos para vender esse ETF, estar&#225; sujeito uma taxa de IRS ainda menor (22,4%).</p><p>Dito isto, conv&#233;m mencionar que n&#227;o sou fiscalista, nem contabilista e a tua situa&#231;&#227;o pode ter especificidades - vale sempre a pena confirmar com um profissional antes de tomares decis&#245;es com base nisto.</p><div><hr></div><h2>Conclus&#227;o</h2><p>Money Markets s&#227;o activos bem <em>cinzentos</em>, dificilmente dar&#227;o boas hist&#243;rias para contar num jantar, mas &#233; provavelmente um dos activos mais subestimados por quem est&#225; a come&#231;ar a investir. </p><p>&#192;s vezes, o aborrecido &#233; exactamente aquilo de que uma carteira precisa.</p><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje dedicada aos <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong>, partilho 3 sugest&#245;es diferentes sobre como integrar <em>Money Markets</em> num portfolio...</p><p></p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/money-markets-o-activo-mais-aborrecido">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Tim Draper: investir no futuro sem o conhecer]]></title><description><![CDATA[Do marketing viral &#224;s gravatas mais coloridas de Wall Street]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/tim-draper-investir-no-futuro-sem</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/tim-draper-investir-no-futuro-sem</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 01 Jul 2026 06:51:28 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/683fa06d-4aa1-45b0-9878-e1f566979bb2_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Imagina que o teu av&#244; foi um dos primeiros investidores de <em><span>venture capital</span></em><span> </span>da hist&#243;ria. O teu pai continuou a tradi&#231;&#227;o. Tu pr&#243;prio cresceste a ouvir conversas sobre <em>startups</em> ao jantar - antes da palavra sequer existir. E mesmo assim, com toda esta vantagem, consegues ser o mais exc&#234;ntrico, o mais vocal, e provavelmente o mais colorido dos tr&#234;s.</p><p>Este &#233; o universo de Tim Draper. Onde as previs&#245;es s&#227;o em alta, os erros s&#227;o t&#227;o espectaculares quanto os acertos e as gravatas s&#227;o de Bitcoin (a s&#233;rio, basta procurares fotografias dele).</p><p>Mas como se costuma dizer, n&#227;o avaliemos um livro pela capa.</p><div><hr></div><h2>Quem &#233; Tim Draper?</h2><p>Timothy Cook Draper nasceu em 1958 na Calif&#243;rnia, numa fam&#237;lia que, naquela altura j&#225; tinha o <em>venture capital</em> no ADN. </p><p>O seu av&#244;, William Henry Draper Jr., fundou a Draper, Gaither and Anderson em 1958, uma das primeiras empresas de <em>venture capital</em> dos Estados Unidos, e serviu como primeiro Embaixador dos EUA na NATO. O pai de Tim, William Henry Draper III, foi tamb&#233;m um <em>venture capitalist</em>  bem sucedido. </p><p>Tim &#233;, portanto, a terceira gera&#231;&#227;o de capital de risco. O equivalente financeiro a crescer numa fam&#237;lia de chefs - s&#243; que em vez de aprender a cozinhar, aprendeu a identificar empresas disruptivas antes de toda a gente.</p><p>Licenciou-se em Engenharia El&#233;ctrica em Stanford. Mais tarde, obteve o MBA na Harvard Business School. Ou seja: engenharia + gest&#227;o, Stanford + Harvard. Com um curr&#237;culo destes, s&#243; mesmo as escolhas de investimento v&#227;o tornar este artigo interessante - mas o contexto importa!</p><p>Depois de uma breve passagem pelo banco de investimento Alex, Brown &amp; Sons, fundou a Draper Associates em 1985, conseguindo para isso um empr&#233;stimo de 6 milh&#245;es de d&#243;lares junto do Small Business Administration. Os primeiros anos foram dif&#237;ceis - ele pr&#243;prio descreveu que, ao fim de tr&#234;s anos, parecia ter perdido quase todo o dinheiro. Ao fim de quatro, v&#225;rias empresas abriram capital em bolsa e ele passou de &#8220;lista negra&#8221; da SBA para ter a sua fotografia pendurada na parede da ag&#234;ncia como <em>venture capitalist</em> do ano.</p><p>Com a chegada de John Fisher em 1991 e de Steve Jurvetson em 1994, a Draper Associates evoluiu para a Draper Fisher Jurvetson (DFJ), que se tornaria uma das empresas de <em>venture capital</em> mais influentes das d&#233;cadas seguintes.</p><p>Hoje, al&#233;m das empresas de investimento, Draper fundou tamb&#233;m a Draper University - o &#250;nico <em>bootcamp</em> do mundo dedicado a treinar &#8220;Startup Heroes&#8221;, com mais de 6.000 alunos de 104 pa&#237;ses que lan&#231;aram mais de 2.000 empresas, incluindo oito unic&#243;rnios. Criou tamb&#233;m um programa de televis&#227;o, <em>Meet The Drapers</em>, onde <em>startups</em> competem por investimento.</p><div><hr></div><h2>Porque &#233; que Tim Draper &#233; um nome relevante?</h2><p>Porque teve convic&#231;&#227;o suficiente para investir em categorias inteiras antes destas serem consideradas respeit&#225;veis - e fez isso repetidamente ao longo dos anos.</p><p>Investiu na Hotmail em 1996, na Skype quando as empresas europeias de internet eram praticamente imposs&#237;veis de financiar, na Baidu antes de se tornar o motor de busca dominante da China, na Tesla e SpaceX quando carros el&#233;ctricos e foguetes reutiliz&#225;veis eram considerados ideias absurdas, e Bitcoin quando a maioria dos investidores diziam que era um <em>scam</em>.</p><p>Para al&#233;m dos retornos, Draper deixou uma marca conceptual na ind&#250;stria que poucos investidores conseguiram: &#233; considerado o respons&#225;vel pelo termo <em>marketing viral</em> no contexto dos servi&#231;os de internet. A ideia de adicionar uma linha de rodap&#233; publicit&#225;ria ao Hotmail - transformando cada utilizador num promotor involunt&#225;rio - tornou-se o modelo que toda a ind&#250;stria de tecnologia de consumo ainda segue hoje. Gmail, Yahoo Mail, Dropbox, Uber: todos usam varia&#231;&#245;es desta estrat&#233;gia. </p><div><hr></div><h2>Investimentos pelos quais ficou mais conhecido</h2><h3>1. Hotmail e o <em>viral marketing</em></h3><p>Em 1996, dois fundadores, Sabeer Bhatia e Jack Smith, apresentaram a Draper um servi&#231;o de email baseado na web. Draper investiu $300.000 como <em><span>seed investment</span></em> e sugeriu adicionar uma assinatura clic&#225;vel no final de cada mensagem enviada - transformando cada utilizador num ve&#237;culo de distribui&#231;&#227;o involunt&#225;rio. A t&#225;ctica catapultou o Hotmail de zero para 1 milh&#227;o de utilizadores em menos de dois meses, chegando a 8,5 milh&#245;es em dezembro de 1997. A Microsoft adquiriu a empresa por cerca de $400 a $500 milh&#245;es.</p><p>Vale a pena sublinhar o que aconteceu aqui: com uma ideia de marketing, Draper transformou um investimento de <em>seed-stage</em> numa das aquisi&#231;&#245;es mais relevantes da hist&#243;ria dos prim&#243;rdios da internet. E o modelo - &#8220;usa o produto para promover o produto&#8221; - tornou-se a base de toda a estrat&#233;gia de <em>growth hacking</em> moderna.</p><h3>2. Baidu - a China antes de toda a gente</h3><p>Em 2001, Draper negociou com o CEO Robin Li para comprar 28% da Baidu em nome da DFJ por 9 milh&#245;es de d&#243;lares. A Baidu era, na altura, uma empresa com um ano de exist&#234;ncia sem grande interesse.</p><p>Draper foi o primeiro <em>venture capitalist</em> de Silicon Valley a investir na China atrav&#233;s do seu fundo global. N&#227;o foi apenas um investimento inteligente - foi uma tese geogr&#225;fica pioneira, numa altura em que investir na internet chinesa parecia ex&#243;tico na melhor das hip&#243;teses.</p><h3>3. Skype - o telefone gratuito que ia destruir as telecomunica&#231;&#245;es</h3><p>Draper apoiou a Skype quando a empresa estava a construir um produto de comunica&#231;&#227;o de voz na Europa, durante o per&#237;odo p&#243;s-<em>dotcom</em>, numa altura em que virtualmente ningu&#233;m financiava empresas europeias de internet.</p><p>A hist&#243;ria da reuni&#227;o com os fundadores da Skype tornou-se numa das hist&#243;rias mais repetidas de Draper: quando Niklas Zennstr&#246;m lhe disse que iam competir directamente com as operadoras de telecomunica&#231;&#245;es, e perguntou cautelosamente se ele alinhava, Draper respondeu que era ainda melhor do que pensava. Enquanto toda a gente via um neg&#243;cio imposs&#237;vel, Draper via uma oportunidade enorme. A DFJ detinha 10% da Skype em 2005, quando a empresa foi vendida &#224; eBay por 4,1 mil milh&#245;es de d&#243;lares.</p><h3>4. Tesla e SpaceX - a fic&#231;&#227;o cient&#237;fica como tese de investimento</h3><p>Em 2006, a DFJ investiu na Tesla na ronda de Series C. Em 2007, Draper voltou a investir na ronda Series D, desta vez atrav&#233;s da Draper Associates. Nessa altura, os carros el&#233;ctricos eram considerados um nicho exc&#234;ntrico para ambientalistas com muito dinheiro. A ideia de que se tornariam mainstream parecia, para a maioria dos investidores, optimismo excessivo.</p><p>O mesmo se aplicou &#224; SpaceX. Investir numa empresa que pretendia privatizar a explora&#231;&#227;o espacial - quando os governos dominavam absolutamente esse sector - exigia exactamente o tipo de convic&#231;&#227;o contra-intuitiva que define a abordagem de Draper.</p><h3>5. Bitcoin - de 19 milh&#245;es a uns bili&#245;es</h3><p>Esta &#233;, provavelmente, a jogada mais cinematogr&#225;fica da carreira de Draper. A 27 de Junho de 2014, Draper pagou cerca de 19 milh&#245;es de d&#243;lares por quase 30.000 Bitcoins que tinham sido confiscados do site Silk Road pelo US Marshals Service e colocados em leil&#227;o p&#250;blico.</p><p>Na altura, a maioria das pessoas via o Bitcoin como a moeda de um mercado negro agora encerrado (o defunto Silk Road). Draper viu uma oportunidade hist&#243;rica de comprar um activo de valor a pre&#231;o de saldo num leil&#227;o governamental.</p><p>Esses Bitcoins valem hoje mais de 3 mil milh&#245;es de d&#243;lares - representando uma das decis&#245;es de investimento individual com maior retorno na hist&#243;ria do <em>venture capital</em>.</p><p>Al&#233;m disso, em Setembro de 2014, Draper disse na Fox Business que previa que um Bitcoin chegasse a $10.000 &#8220;em tr&#234;s anos&#8221;. O pre&#231;o do Bitcoin acabou mesmo por ultrapassou os $10.000 a 29 de novembro de 2017. </p><h3>6. Theranos - o lado negro da convic&#231;&#227;o</h3><p>Isto n&#227;o seria um artigo honesto sobre Draper se n&#227;o mencionasse o Theranos. </p><p>Draper foi um dos primeiros investidores na startup de an&#225;lises de sangue Theranos, cuja fundadora Elizabeth Holmes foi posteriormente acusada de fraude massiva pela SEC. Em 2018, depois da SEC j&#225; ter acusado Holmes, Draper continuou a defend&#234;-la, dizendo que ela tinha sido &#8220;intimidada at&#233; &#224; submiss&#227;o&#8221;.</p><p>&#201; um epis&#243;dio que ilustra tanto a for&#231;a como a fraqueza do seu modelo: a mesma convic&#231;&#227;o que o fez defender o Bitcoin quando toda a gente se ria, tamb&#233;m o fez defender uma fraude quando toda a evid&#234;ncia indicava o contr&#225;rio.</p><div><hr></div><h2>A Filosofia de investimento de Tim Draper</h2><h4>Apostar em categorias, n&#227;o em empresas</h4><p>A filosofia central de Draper n&#227;o &#233; tanto identificar a empresa certa quanto identificar a <em>categoria</em> certa antes de ela existir. Email gratuito. Internet chinesa. Comunica&#231;&#227;o VoIP. Carros el&#233;ctricos. Explora&#231;&#227;o espacial privada. Bitcoin. Cada uma destas apostas foi feita quando a categoria ainda era ridicularizada.</p><blockquote><p><em>&#8220;I would look for places where the provider, country, or company is providing bad service at a high cost.&#8221;</em><br></p></blockquote><p>Esta &#233; a sua f&#243;rmula mais operacional: encontrar mercados onde algu&#233;m est&#225; a cobrar demasiado por um servi&#231;o mau - e apostar em quem vai destruir esse modelo.</p><h4>Liberdade como crit&#233;rio de investimento</h4><p>Um pilar fundamental da filosofia da Draper Associates &#233; apoiar startups que promovem liberdade, frequentemente empoderando indiv&#237;duos. Os exemplos incluem Hotmail e Skype (comunica&#231;&#227;o), Baidu (acesso &#224; informa&#231;&#227;o), Webflow (cria&#231;&#227;o), Robinhood, Coinbase e Bitcoin (controlo financeiro).</p><p>Draper tem uma vis&#227;o declaradamente libert&#225;ria: acredita que a tecnologia tem o poder de retirar poder &#224;s institui&#231;&#245;es - governos, bancos, operadoras - e devolv&#234;-lo a indiv&#237;duos. Esta n&#227;o &#233; apenas uma convic&#231;&#227;o filos&#243;fica. &#201; um crit&#233;rio de selec&#231;&#227;o.</p><h4>Abra&#231;ar o fracasso como parte do modelo</h4><p>Draper afirma que a sua maior vantagem sobre outros VCs igualmente inteligentes &#233; a sua disposi&#231;&#227;o absoluta para cometer erros e falhar. Porque espera activamente que cerca de 60% dos seus investimentos percam dinheiro, n&#227;o fica paralisado pelo medo do fracasso - em vez disso, foca-se exclusivamente em quanto uma startup poderia transformar a sociedade se a ideia realmente funcionasse.</p><p>Esta &#233; uma distin&#231;&#227;o importante: Draper n&#227;o faz <em>due diligence</em> para evitar falhar. F&#225;-lo para perceber <em>o tamanho do potencial</em> caso a ideia funcione.</p><h4>Convic&#231;&#227;o Contra o Consenso</h4><blockquote><p><em>&#8220;I will fail and fail again until I succeed.&#8221;</em></p><p></p></blockquote><p>Os investidores com os melhores <em>track records</em> de longo prazo tendem a ser aqueles que identificam grandes ondas antes de se tornarem algo consensual. Draper fez isso consistentemente ao longo de trinta anos: <em>viral marketing</em>, <em>consumer internet</em>, tecnologia chinesa, energia limpa, cripto.</p><p>A sua abordagem pressup&#245;e estar confort&#225;vel com ser o &#250;nico na sala a acreditar em algo - e manter essa convic&#231;&#227;o durante anos.</p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png" width="1200" height="200" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:200,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:23911,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/203819490?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YKS6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb85395af-1e3e-48ca-b588-9e40854d4ed0_1200x200.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Se algum termo deste artigo for novidade para ti, espreita o <strong>Dicion&#225;rio</strong> de apoio.</figcaption></figure></div><div><hr></div><h2>5 Li&#231;&#245;es de Tim Draper</h2><h4>1. Identificar a onda antes dos outros come&#231;arem a surfar</h4><blockquote><p><em>&#8220;I&#8217;m looking for industries that are going to be transformed by some of these new technologies.&#8221;</em></p><p></p></blockquote><p>Draper n&#227;o investiu na Hotmail porque era uma boa empresa de email. Investiu porque antecipou que a comunica&#231;&#227;o digital gratuita transformaria completamente a ind&#250;stria das telecomunica&#231;&#245;es. </p><p>N&#227;o investiu na Tesla porque era um bom carro. Investiu porque acreditava que a mobilidade el&#233;ctrica era inevit&#225;vel.</p><p>A li&#231;&#227;o n&#227;o &#233; &#8220;comprar as empresas certas&#8221;. &#201; &#8220;identificar as categorias certas&#8221; - e depois encontrar as melhores empresas dentro dessas categorias.</p><h4>2. O marketing viral est&#225; ao alcance de todos</h4><p>A ideia do rodap&#233; do Hotmail - transformar cada utilizador num canal de distribui&#231;&#227;o - &#233; talvez a contribui&#231;&#227;o mais democratiz&#225;vel de Draper. N&#227;o &#233; uma estrat&#233;gia reservada a startups multimilion&#225;rias. &#201; uma ideia que qualquer neg&#243;cio, produto, ou projecto pode aplicar.</p><h4>3. A convic&#231;&#227;o tem de sobreviver &#224; impopularidade</h4><blockquote><p><em>&#8220;People have asked me: when are you going to sell your Bitcoin? I look at them and I say: into what? Why would I ever sell the currency of the future for the currency of the past?&#8221;</em><br></p></blockquote><p>Quando Draper comprou Bitcoin em 2014, era algo considerado mesmo exc&#234;ntrico. A maioria dos seus pares no <em>venture capital</em> mantinha-se &#224; margem. Ele manteve a sua posi&#231;&#227;o. Hoje, esse investimento vale mais de 3 mil milh&#245;es de d&#243;lares.</p><p>A convic&#231;&#227;o de Draper n&#227;o &#233; irracional - &#233; fundamentada em teses sobre adop&#231;&#227;o tecnol&#243;gica e descentraliza&#231;&#227;o financeira que articulou publicamente durante anos. O que a distingue do simples optimismo &#233; a exist&#234;ncia de um racioc&#237;nio por baixo.</p><h4>4. Aceitar o fracasso como informa&#231;&#227;o, n&#227;o como derrota</h4><p>Draper espera activamente que cerca de 60% dos seus investimentos percam dinheiro. Esta expectativa consciente de falha retira-lhe o medo de falhar - e permite-lhe focar-se no potencial transformador das apostas que funcionam.</p><p>Esta &#233; uma re-conceptualiza&#231;&#227;o fundamental do risco: em vez de tentar evitar falhas, Draper aceita-as como custo de acesso &#224;s grandes vit&#243;rias.</p><h4>5. Liberdade como lente de an&#225;lise</h4><p>Um dos crit&#233;rios mais originais de Draper &#233; perguntar, sobre qualquer empresa ou tecnologia: isto empodera os indiv&#237;duos em rela&#231;&#227;o &#224;s institui&#231;&#245;es - ou &#233; o contr&#225;rio?</p><p>Hotmail deu &#224;s pessoas email gratuito, sem dependerem dos ISPs. Bitcoin d&#225; &#224;s pessoas controlo sobre o pr&#243;prio dinheiro, sem dependerem dos bancos. Coinbase e Robinhood democratizam o acesso a instrumentos financeiros antes reservados a uma elite. Este crit&#233;rio - empoderando ou controlando? - &#233; uma lente de an&#225;lise que se revelou &#250;til para Draper.</p><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Tim Draper e as limita&#231;&#245;es da sua abordagem</h2><p>Como de costume nestes artigos, h&#225; que olhar para os &#226;ngulos cegos das abordagens destes nomes sonantes do mundo dos investimentos. No caso de Draper, h&#225; alguns que s&#227;o dif&#237;ceis de ignorar.</p><h4>As previs&#245;es de Bitcoin - ter raz&#227;o na direc&#231;&#227;o mas falhar no <em>timing</em></h4><p>Esta &#233; a cr&#237;tica mais documentada. Em 2018, Draper previu que a Bitcoin chegaria a $250.000 at&#233; ao final de 2022. Esta previs&#227;o n&#227;o se concretizou - a Bitcoin atingiu um m&#225;ximo hist&#243;rico de aproximadamente $69.000 em Novembro de 2021.</p><p>A previs&#227;o foi posteriormente alargada para 2023, depois para 2025, e agora para um horizonte de 18 meses. &#201; f&#225;cil de perceber porque foi t&#227;o criticado nesta altura.</p><p>A defesa de Draper &#233; que est&#225; <em>&#8220;directionally right&#8221;</em> - o pre&#231;o m&#225;ximo que a Bitcoin alguma vez atingiu foi ~$125.000 em Outubro de 2025, o que ainda est&#225; longe dos $250.000. </p><p>Estar certo na direc&#231;&#227;o mas errado no <em>timing</em> pode sair caro a quem fica preso a prazos espec&#237;ficos.</p><h4>Theranos - o custo da convic&#231;&#227;o </h4><p>Como j&#225; vimos em cima, esta &#233; uma das maiores manchas no seu curr&#237;culo.</p><p>Recapitulando: Draper foi um dos primeiros investidores na Theranos. Depois da SEC j&#225; ter acusado a fundadora, Draper continuou a defend&#234;-la, dizendo que ela tinha sido &#8220;intimidada at&#233; &#224; submiss&#227;o&#8221;.</p><p>Este epis&#243;dio &#233; a ilustra&#231;&#227;o mais clara do risco do seu modelo: a mesma disposi&#231;&#227;o para acreditar contra o consenso que gerou acertos extraordin&#225;rios tamb&#233;m o impediu de reconhecer uma fraude quando a evid&#234;ncia era esmagadora. </p><p>A convic&#231;&#227;o sem mecanismos de revis&#227;o cr&#237;tica &#233; uma fragilidade.</p><h4>A quest&#227;o da autoria do marketing viral</h4><p>Sabeer Bhatia, co-fundador do Hotmail, confirmou que Draper foi apoiante da ideia do marketing viral, mas afirmou que a ideia original foi do seu co-fundador Jack Smith. Draper deu m&#250;ltiplas entrevistas a reclamar a paternidade da estrat&#233;gia. </p><p>A verdade provavelmente est&#225; algures no meio - mas a tend&#234;ncia de Draper para ser o narrador mais entusi&#225;stico das suas pr&#243;prias hist&#243;rias &#233; um padr&#227;o que os seus cr&#237;ticos assinalam com regularidade.</p><h4>Declara&#231;&#245;es p&#250;blicas controversas</h4><p>Draper tem uma rela&#231;&#227;o complexa com a modera&#231;&#227;o: j&#225; prop&#244;s dividir a Calif&#243;rnia em seis estados diferentes, tem posi&#231;&#245;es pol&#237;ticas pronunciadamente libert&#225;rias, e por vezes as suas declara&#231;&#245;es p&#250;blicas sobre cripto, regula&#231;&#227;o e finan&#231;as globais extrapolam muito para al&#233;m do que qualquer evid&#234;ncia pode suportar.</p><p>A consequ&#234;ncia pr&#225;tica para quem o segue: &#233; importante distinguir entre as suas teses de investimento - que t&#234;m um historial longo e documentado - e as suas previs&#245;es e posi&#231;&#245;es p&#250;blicas mais latas, que devem ser recebidas com o cepticismo adequado.</p><h4>A impraticabilidade para o pequeno investidor</h4><p>O que Draper faz - entrar em empresas numa fase em que praticamente n&#227;o h&#225; informa&#231;&#227;o dispon&#237;vel, aguardar anos por liquidez, e aceitar que 60% das posi&#231;&#245;es v&#227;o a zero - &#233; um modelo que requer acesso a <em><span>deal flow</span></em> privado, horizontes temporais muito longos, e capital suficiente para sobreviver a m&#250;ltiplos fracassos antes de um acerto transformador.</p><p>Para o investidor individual, sem estes mesmos recursos, copiar Draper &#233; quase imposs&#237;vel. O que &#233; poss&#237;vel copiar &#233; o <em>enquadramento</em>: pensar em tend&#234;ncias de longo prazo, ter convic&#231;&#227;o baseada em racioc&#237;nio pr&#243;prio, e aceitar que nem todas as posi&#231;&#245;es v&#227;o funcionar - desde que as que funcionam compensem as que n&#227;o funcionam.</p><div><hr></div><h2>Conclus&#227;o</h2><p>Tim Draper &#233;, acima de tudo, uma prova de que o <em>venture capital</em> de verdadeira convic&#231;&#227;o - apostar em categorias antes de elas existirem, manter essas apostas quando toda a gente se ri, e aceitar o fracasso como custo de acesso &#224; grandeza - pode gerar retornos que desafiam a imagina&#231;&#227;o.</p><p>N&#227;o &#233; um modelo para todos. Exige uma toler&#226;ncia &#224; incerteza, &#224; impopularidade e ao fracasso que a maioria das pessoas simplesmente n&#227;o tem. Mas as suas teses principais - liberdade como crit&#233;rio, distribui&#231;&#227;o viral como estrat&#233;gia, e o futuro como activo a comprar antes de o mercado o descobrir - s&#227;o princ&#237;pios que qualquer investidor pode adaptar &#224; sua escala.</p><div><hr></div><h2>Traduzir Tim Draper para o nosso dia a dia</h2><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje dedicada aos <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong>, partilho as minhas notas pessoais sobre como traduzir a abordagem de Draper para o dia a dia de micro investidores&#8230;</p>
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          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/tim-draper-investir-no-futuro-sem">
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          </a>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O IPO da SpaceX e a teoria do crash]]></title><description><![CDATA[Os dados VS o drama das redes sociais]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/o-ipo-da-spacex-e-a-teoria-do-crash</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/o-ipo-da-spacex-e-a-teoria-do-crash</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 24 Jun 2026 06:54:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/64c9a595-cb5e-48f3-b644-3c96b132fa87_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Este <em>Di&#225;rio</em> n&#227;o costuma cobrir a actualidade, mas quando h&#225; acontecimentos que amea&#231;am a estabilidade da economia e, por consequ&#234;ncia, de toda a gente que n&#227;o viva <em>off grid</em>, ent&#227;o acho que h&#225; motivo para uma reflex&#227;o.</p><p>O IPO da SpaceX aconteceu h&#225; perto de duas semanas, estabeleceu um novo recorde e os funcion&#225;rios da empresa que tinham sido compensados com ac&#231;&#245;es, ainda devem estar a celebrar.</p><p>J&#225; se passaram alguns dias e o tema continua a ser dos mais falados no meio dos mercados financeiros, media tradicional e claro, nas redes sociais - onde o exagero e a desinforma&#231;&#227;o habitual, tem levado a diversos conte&#250;dos a alertarem para o colapso iminente dos mercados globais.</p><p>Antes que o mundo acabe, vamos tentar perceber o que est&#225; em causa.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Este Di&#225;rio n&#227;o depende do Elon Musk. Para garantires a sua continuidade e independ&#234;ncia, considera tornar-te subscritor/a.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>Os n&#250;meros antes do drama</h2><p>A SpaceX estreou-se na bolsa no passado dia 12 de Junho de 2026 com o s&#237;mbolo <strong>SPCX</strong>, a um pre&#231;o de <strong>$135 por ac&#231;&#227;o</strong>, e levantou a m&#243;dica quantia de <strong>$75 mil milh&#245;es</strong>. </p><p>Para se ter uma ideia da escala: o anterior recorde de maior IPO da hist&#243;ria pertencia &#224; saudita Aramco, em 2019. A SpaceX fez <em>s&#243;</em> mais do dobro.</p><p>No primeiro dia de negocia&#231;&#227;o, as ac&#231;&#245;es subiram 30%, levando a capitaliza&#231;&#227;o de mercado para cerca de <strong>$2 trili&#245;es</strong> (sim, trili&#245;es). </p><p>Elon Musk n&#227;o vendeu uma &#250;nica ac&#231;&#227;o e manteve cerca de <strong>80% do poder de voto</strong> na empresa. </p><p>Aquilo que a SpaceX vai fazer a seguir &#233;, na pr&#225;tica, o que Elon Musk decidir.</p><p>Agora os n&#250;meros menos glamorosos:</p><ul><li><p><strong>Receitas em 2025:</strong> $18,7 mil milh&#245;es (crescimento de 33% face ao ano anterior)</p></li><li><p><strong>Preju&#237;zo l&#237;quido em 2025:</strong> $4,9 mil milh&#245;es</p></li><li><p><strong>Preju&#237;zo s&#243; no 1.&#186; trimestre de 2026:</strong> $4,28 mil milh&#245;es</p></li><li><p><strong>D&#237;vida acumulada:</strong> $41,3 mil milh&#245;es</p></li></ul><p>Portanto: a empresa cresce bem, mas perde dinheiro. E n&#227;o &#233; um detalhe menor - este &#233; precisamente um dos pontos no centro de toda a discuss&#227;o em torno deste IPO de &#8220;sucesso&#8221;.</p><p>O Starlink, o servi&#231;o de internet por sat&#233;lite da empresa, &#233; a parte mais lucrativa: <strong>$4,4 mil milh&#245;es de lucro operacional com margens de 39%</strong>. O problema &#233; que a fus&#227;o com a xAI (a empresa de intelig&#234;ncia artificial de Musk) consumiu tudo isso e ainda mais. A xAI sozinha queimou mais de <strong>$6 mil milh&#245;es em 2025</strong>.</p><p>Os economistas gostam de falar dos m&#250;ltiplos das avalia&#231;&#245;es que, no caso da SpaceX, se traduz no facto da empresa estar a ser negociada a cerca de <strong>96 vezes as suas receitas anuais</strong>. </p><p>Para se entender isto melhor, podemos comparar com a NVIDIA - a empresa que mais cresceu nos &#250;ltimos anos - e que negoceia a cerca de 30 vezes. </p><p>Esta compara&#231;&#227;o significa que a SpaceX &#233; tr&#234;s vezes mais &#8220;cara&#8221; do que a NVIDIA, com preju&#237;zos.</p><p>Qual &#233; a disson&#226;ncia aqui?</p><p>&#201; que a NVIDIA &#233; uma empresa que gera dinheiro, que tem receitas e lucros robustos, gra&#231;as a um produto claramente validado e desejado pelo mercado.</p><p>A SpaceX, apesar de ter neg&#243;cios e produtos reais, baseia o seu valor nos planos de longo prazo. Os lucros do Starlink n&#227;o chegam para suportar a sua avalia&#231;&#227;o. O seu valor est&#225; ancorado ao &#8220;potencial amanh&#227;&#8221; - sendo a infraestrutura espacial para IA e a expans&#227;o para Marte, as suas grandes promessas.</p><p>Para justificar a avalia&#231;&#227;o actual, um analista da Morningstar calculou que a SpaceX precisaria de atingir cerca de <strong>$1 bili&#227;o em receitas anuais at&#233; 2035</strong> - o que implicaria crescer 50% ao ano, durante dez anos seguidos. At&#233; hoje, ainda nenhuma empresa o fez a esta escala.</p><div><hr></div><h2>Os argumentos dos pessimistas (alguns v&#225;lidos, outros question&#225;veis)</h2><p>Nas redes sociais, o IPO da SpaceX transformou-se no &#8220;catalisador da pr&#243;xima grande crise&#8221; - ou ser&#225; mais catalisador para gostos, partilhas e <em>hype</em>?</p><h3>A liquidez</h3><p>Talvez o argumento mais s&#243;lido. Quando uma empresa levanta $75 mil milh&#245;es, esse dinheiro tem de vir de algum lado. Os investidores institucionais que compraram SpaceX venderam outras coisas para o fazer - provavelmente ac&#231;&#245;es da Apple, Nvidia, Microsoft. As estimativas apontam para que a inclus&#227;o da SpaceX nos &#237;ndices Nasdaq e S&amp;P 500 force os fundos de &#237;ndice a rebalancear as suas carteiras, criando press&#227;o de venda sobre as empresas que j&#225; l&#225; estavam. N&#227;o &#233; catastr&#243;fico, mas &#233; real.</p><h3>A bolha de avalia&#231;&#227;o</h3><p>Tamb&#233;m tem subst&#226;ncia este argumento. A Morningstar atribui 43% de probabilidade a um cen&#225;rio negativo em que a SpaceX valha menos de um ter&#231;o da avalia&#231;&#227;o do IPO. O S-1 (o prospecto enviado &#224; SEC) tem 38 p&#225;ginas de factores de risco, incluindo depend&#234;ncia excessiva de Musk. Se Elon Musk der um passo em falso - pol&#237;tico, pessoal ou empresarial - a ac&#231;&#227;o pode cair muito rapidamente.</p><h3>A compara&#231;&#227;o com 1999... </h3><p>Este argumento talvez j&#225; seja um pouco descontextualizado. Um analista do Bank of America escreveu que &#8220;2026 est&#225; a parecer-se com 1999&#8221;. E sim, h&#225; uma certa euforia no ar. Mas h&#225; diferen&#231;as importantes: a SpaceX tem receitas reais e crescentes, clientes reais, contratos governamentais e um produto - o Starlink - que gera lucros consistentes. </p><p>Isto n&#227;o &#233; bem o mesmo que as empresas da era <em>dotcom</em> sem receitas, a vender sonhos sobre &#8220;a internet vai mudar tudo&#8221;. &#201; uma empresa que lan&#231;a foguet&#245;es, que tem estado a construir uma infraestrutura pr&#243;pria para IA e que vende o acesso &#224; internet a mais de 9 milh&#245;es de utilizadores.</p><h3>O &#8220;colapso iminente do mercado&#8221; </h3><p>Este j&#225; me apareceu no Twitter/X, YouTube e Instagram e parece-me o argumento mais fraco de todos. Pesquisei, perguntei &#224; IA e n&#227;o encontrei nenhum mecanismo atrav&#233;s do qual o IPO de uma empresa - mesmo muito grande - possa causar um <em>crash</em> geral dos mercados. </p><p>O que pode acontecer &#233; algo normal nos mercados e de que j&#225; fal&#225;mos anteriormente - a rota&#231;&#227;o de capital - o dinheiro sai de umas empresas e vai para outras, neste caso, para a SpaceX. </p><p>Isso faz com que as ac&#231;&#245;es de outras empresas caiam. Mas n&#227;o &#233; uma crise sist&#233;mica. Quem anda a partilhar v&#237;deos com &#8220;ALERTA VERMELHO: A QUEDA COME&#199;A AGORA&#8221; provavelmente tamb&#233;m o fez em 2021, em 2022, e em 2023. </p><div><hr></div><h2>O efeito Musk e o elefante na sala</h2><p>A avalia&#231;&#227;o deste IPO levanta sobrancelhas mas aquilo que me parece mais preocupante &#233; outra coisa.</p><p>Elon Musk controla cerca de 80% dos votos da SpaceX. </p><p>A SpaceX absorveu a xAI. </p><p>Musk &#233; o maior accionista da Tesla. </p><p>Tem liga&#231;&#245;es ao governo americano atrav&#233;s de contratos com a  NASA e Departamento de Defesa. </p><p>E agora controla uma empresa cotada em bolsa com uma capitaliza&#231;&#227;o na casa dos $2 trili&#245;es, onde os accionistas minorit&#225;rios t&#234;m muito pouco poder (para n&#227;o dizer zero).</p><p>Qualquer decis&#227;o de Musk - fundir a SpaceX com outra empresa, desviar recursos para projectos pessoais, ou simplesmente postar uma coisa estranha no Twitter/X &#224;s 2 da manh&#227; - pode afectar directamente a carteira de milh&#245;es de investidores que n&#227;o t&#234;m qualquer forma de o contrariar. </p><p>Isto n&#227;o &#233; teoria da conspira&#231;&#227;o. Est&#225; escrito no prospecto.</p><p>A SpaceX foi estruturada de raiz para manter o controlo concentrado no fundador, em vez de seguir o modelo t&#237;pico de uma empresa cotada com poder espalhado pelos accionistas.</p><p>Isto foi feito atrav&#233;s da combina&#231;&#227;o de classes de ac&#231;&#245;es com direitos de voto diferentes, permitindo a Musk ter uma fatia menor do capital econ&#243;mico, mas uma fatia muito maior do poder de decis&#227;o.</p><p>A l&#243;gica foi: os investidores entram para financiar a empresa, mas aceitam que Musk continue a mandar. Ou seja, acreditam piamente na sua vis&#227;o de longo prazo e na sua toler&#226;ncia ao risco.</p><p>Se h&#225; uns anos t&#237;nhamos as estrelas da m&#250;sica a levar os f&#227;s a fazerem loucuras, hoje parece que temos os c&#233;rebros das <em>big tech</em> a fazerem o mesmo.</p><div><hr></div><h2>O que vem a seguir: OpenAI e Anthropic</h2><p>O IPO da SpaceX foi apenas o in&#237;cio... quem se recorda <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/ipos-mais-aguardados-de-2026">deste artigo</a> que escrevi em Janeiro, sabe do que estou a falar.</p><p>A <strong>Anthropic</strong> - a empresa que criou o Claude, o assistente de IA que est&#225; a tornar-se dominante no sector empresarial - apresentou o seu S-1 &#224; SEC a 1 de Junho, com uma avalia&#231;&#227;o estimada de $965 mil milh&#245;es, podendo estrear-se em bolsa no &#250;ltimo trimestre deste ano. As suas receitas anualizadas passaram os $47 mil milh&#245;es em Maio e a empresa dever&#225; registar o primeiro lucro operacional no segundo trimestre de 2026.</p><p>A <strong>OpenAI</strong> - a m&#227;e do ChatGPT - prepara-se para ser listada com uma avalia&#231;&#227;o pr&#243;xima de $1 bili&#227;o. A previs&#227;o que mais tenho visto aponta para in&#237;cios de 2027, mas considerando a febre actual de IPOs e IA, n&#227;o me surpreenderia se conseguissem antecipar a data.</p><p>Se estes dois IPOs se concretizarem entre 2026 e in&#237;cio de 2027, juntamente com a SpaceX, a capta&#231;&#227;o total poder&#225; ultrapassar $200 mil milh&#245;es - mais de quatro vezes o total de todos os IPOs americanos de 2025. </p><div><hr></div><h2>Isto &#233; importante. H&#225; riscos. Mas n&#227;o como diz o <em>hype</em> social.</h2><p>Acho muito dif&#237;cil que o IPO da SpaceX, em espec&#237;fico, cause uma crise financeira global. Mas que veio introduzir mudan&#231;as no mercado - sem d&#250;vida!</p><p>Daqui a menos de 1 ano, podemos estar a falar de apenas 3 empresas (SpaceX, OpenAI e Anthropic) que, em conjunto, est&#227;o avaliadas em cerca de <strong>$4 bili&#245;es</strong>.</p><p>Caso se confirme, isto &#233; um evento sem precedentes. </p><p>Efeitos reais que resultar&#227;o daqui:</p><p><strong>1. Rebalanceamento dos &#237;ndices.</strong> Quando a SpaceX, OpenAI e Anthropic entrarem no Nasdaq (a nova regra de &#8220;fast entry&#8221; da Nasdaq veio facilitar/acelerar o processo), os fundos de &#237;ndice - que representam mais de metade do dinheiro investido em bolsa - s&#227;o for&#231;ados a comprar essas ac&#231;&#245;es. Para isso, vendem outras. As &#8220;Magnificent 7&#8221; de hoje podem perder peso relativo nos &#237;ndices, criando press&#227;o vendedora estrutural naquelas que t&#234;m liderado os mercados nos &#250;ltimos anos.</p><p>Ao Nasdaq podemos juntar tamb&#233;m o S&amp;P 500, embora aqui o processo para garantir a elegibilidade seja mais lento, o que significa mais tempo at&#233; se materializar.</p><p><strong>2. O teste de avalia&#231;&#227;o da IA.</strong> Pela primeira vez, o mercado vai poder dar um pre&#231;o di&#225;rio e transparente &#224;s empresas de IA. Isto vai criar uma esp&#233;cie de refer&#234;ncia para toda a ind&#250;stria. Se a SpaceX cair 30%, a conversa sobre &#8220;bolha da IA&#8221; torna-se muito mais dif&#237;cil de ignorar. Se se mantiver ou subir, isso vai puxar mais capital para o sector.</p><p><strong>3. A perigosa liga&#231;&#227;o entre a economia americana e o mercado accionista.</strong> Os EUA s&#227;o a &#250;nica grande economia do mundo onde a sa&#250;de do mercado bolsista e a sa&#250;de econ&#243;mica s&#227;o praticamente sin&#243;nimos. </p><p>No contexto portugu&#234;s isto pode ser estranho, mas nos EUA, fundos de pens&#245;es, planos de reforma, poupan&#231;as - est&#225; tudo indexado a estes mercados. </p><p>Uma correc&#231;&#227;o violenta n&#227;o afecta apenas investidores.</p><p>Uma correc&#231;&#227;o violenta significa menos consumo, menos investimento, menos crescimento. </p><p>Neste contexto, a concentra&#231;&#227;o crescente do mercado em menos empresas - Apple, Nvidia, Microsoft, e agora SpaceX - aumenta aquilo que se chama de &#8220;risco sist&#233;mico&#8221;.</p><p>Portanto, o problema n&#227;o &#233; o IPO da SpaceX &#8220;<em>crashar</em> os mercados&#8221;. </p><p>O problema &#233; que torna um mercado j&#225; concentrado ainda mais concentrado, com empresas avaliadas a m&#250;ltiplos que dependem de um futuro que ainda n&#227;o existe.</p><p>Pode correr bem. Provavelmente at&#233; vai correr bem - pelo menos no curto prazo. H&#225; capital, procura e narrativa suficiente para isso.</p><p>Mas se alguma destas empresas decepcionar nas primeiras demonstra&#231;&#245;es de resultados p&#250;blicas - se o Starlink estagnar, se o ChatGPT perder quota de mercado, se a IA demorar mais a monetizar do que o prometido - a correc&#231;&#227;o pode ser r&#225;pida, violenta e transversal.</p><p>Como sempre, nos mercados: n&#227;o &#233; uma quest&#227;o de <em><strong>se</strong></em>, mas de <em><strong>quando</strong></em>.</p><p></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se achaste este artigo &#250;til, partilha-o com quem acha que o mercado vai cair amanh&#227;.</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/o-ipo-da-spacex-e-a-teoria-do-crash?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/o-ipo-da-spacex-e-a-teoria-do-crash?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Peter Lynch: encontrar Ações no centro comercial]]></title><description><![CDATA[Olhar &#224; nossa volta, ser paciente e outras li&#231;&#245;es para qualquer micro investidor]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/peter-lynch-encontrar-acoes-no-centro-comercial</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/peter-lynch-encontrar-acoes-no-centro-comercial</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 17 Jun 2026 06:47:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e5de6e09-c4df-4022-82b9-83afb4cbcc51_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; investidores que passam a vida agarrados ao Excel, a modelos de fluxo de caixa e relat&#243;rios de 400 p&#225;ginas que ningu&#233;m l&#234;. </p><p>E depois h&#225; Peter Lynch, que descobriu algumas das suas melhores ac&#231;&#245;es enquanto fazia compras com a mulher ou comia um donut.</p><p><em>Fun fact:</em> a abordagem de Lynch rendeu, em m&#233;dia, 29% ao ano durante 13 anos. </p><div><hr></div><h2>Quem &#233; Peter Lynch?</h2><p>Nasceu em 1944 e cresceu nos Estados Unidos numa altura em que o mercado accionista ainda n&#227;o era o desporto nacional que &#233; hoje. </p><p>Aos onze anos, come&#231;ou a fazer de <em>caddie</em> num clube de golfe de elite. Foi aqui que, a transportar tacos para executivos ricos, ouviu as primeiras conversas sobre ac&#231;&#245;es. </p><p>Enquanto que a maioria das crian&#231;as de onze anos est&#225; preocupada com cromos da bola, raridades como Lynch, fizeram networking n&#227;o-intencional com gestores de fundos.</p><p>Formou-se em Finan&#231;as em 1965. Come&#231;ou depois a trabalhar como analista de investimento na Fidelity Investments - empresa onde ficaria associado para o resto da sua carreira (e, na pr&#225;tica, para o resto da sua vida).</p><p>Em 1977, foi colocado &#224; frente do Fidelity Magellan Fund, um fundo ent&#227;o com apenas 18 milh&#245;es de d&#243;lares em activos sob gest&#227;o - basicamente o equivalente financeiro de receber as chaves de um Fiat 500, uma palmada nas costas e um &#8220;boa sorte&#8221;.</p><p>Treze anos depois, em 1990, quando Lynch deixou o fundo, este tinha passado de 18 milh&#245;es para mais de 14 mil milh&#245;es de d&#243;lares. Sim, leste bem - confirmei os n&#250;meros.</p><p>Depois de se retirar da gest&#227;o activa, manteve-se ligado &#224; Fidelity como Vice-Chairman, e tornou-se um autor <em>best-seller</em> - algo que poucos gestores de fundos conseguem fazer sem que o livro pare&#231;a um exerc&#237;cio de auto-promo&#231;&#227;o disfar&#231;ada de sabedoria.</p><div><hr></div><h2>Porque &#233; que Peter Lynch &#233; um nome relevante?</h2><p>A resposta curta: porque tornou o investimento em ac&#231;&#245;es compreens&#237;vel para pessoas normais ao mesmo tempo que conseguiu um dos melhores <em>track records</em> da hist&#243;ria financeira.</p><p>A resposta longa: porque, ao gerir o Magellan Fund de 1977 a 1990, entregou um retorno anual m&#233;dio de cerca de 29,2%, superando o S&amp;P 500 em praticamente todos os anos da sua gest&#227;o. </p><p>Em 2003, o Magellan Fund detinha ainda o melhor retorno a 20 anos de qualquer fundo mutualista da hist&#243;ria. Vinte anos. &#201; mais tempo do que a maioria dos casamentos.</p><p>Mas a verdadeira inova&#231;&#227;o de Lynch n&#227;o foi apenas o retorno - foi a <strong>democratiza&#231;&#227;o da ideia de investir</strong>. Numa ind&#250;stria cheia de jarg&#227;o, modelos complexos e linguagem desenhada para fazer os clientes sentirem-se incompetentes, Lynch disse para olharmos &#224; nossa volta: </p><blockquote><p><em>&#8220;A resposta pode estar &#224; tua frente.&#8221;</em></p></blockquote><p>Popularizou tamb&#233;m dois conceitos que continuam a fazer parte do vocabul&#225;rio de qualquer investidor s&#233;rio: o <strong>&#8220;tenbagger&#8221;</strong> - uma ac&#231;&#227;o que multiplica o investimento inicial por dez - e o conceito <strong>GARP (Growth At a Reasonable Price)</strong>, que equilibra o potencial de crescimento de uma empresa com a disciplina de n&#227;o pagar demasiado por ela.</p><p>E, ao contr&#225;rio de muitos gestores de fundos da sua gera&#231;&#227;o, escreveu livros - &#8220;<a href="https://amzn.to/4fDQHDs">One Up on Wall Street</a>&#8220; e &#8220;<a href="https://amzn.to/4fOJRex">Beating the Street</a>&#8220; - que se tornaram <em>bestsellers</em> e que continuam, d&#233;cadas depois, a ser recomendados a quem est&#225; a dar os primeiros passos no investimento.</p><div><hr></div><h2>Os investimentos pelos quais ficou mais conhecido</h2><h3>1. Dunkin&#8217; Donuts - o caf&#233; mais rent&#225;vel da hist&#243;ria?</h3><p>Esta &#233;, provavelmente, a hist&#243;ria mais contada sobre ele.</p><p>Lynch leu sobre a Dunkin&#8217; Donuts num jornal, mas s&#243; comprou ac&#231;&#245;es depois de visitar uma loja e gostar do caf&#233;. Parece aned&#243;tico, mas n&#227;o foi impulsivo: a experi&#234;ncia pessoal foi o ponto de partida, n&#227;o a decis&#227;o final. Depois disso veio a an&#225;lise - n&#250;meros, crescimento, expans&#227;o.</p><p>O resultado? A Dunkin&#8217; Donuts tornou-se um dos seus investimentos mais bem-sucedidos, exemplificando perfeitamente a sua filosofia de &#8220;investir no que conheces&#8221; - desde que, claro, tamb&#233;m fa&#231;amos o trabalho de casa.</p><h3>2. Hanes - n&#227;o desprezemos as meias de senhora!</h3><p>Outra hist&#243;ria cl&#225;ssica: a mulher de Lynch experimentou um novo produto de meias de senhora da Hanes e passou dias a elogi&#225;-lo. Lynch fez ent&#227;o a sua pesquisa habitual sobre a empresa - e comprou ac&#231;&#245;es para o Magellan Fund.</p><p>O investimento gerou um retorno de 30 vezes o capital investido.</p><p>Vale a pena parar para pensar: a fonte da informa&#231;&#227;o foi, literalmente, a conversa de jantar. A vantagem competitiva n&#227;o estava em Wall Street - estava no centro comercial.</p><h3>3. Taco Bell, McDonald&#8217;s e Pep Boys - os <em>tenbaggers</em> &#8220;escondidos &#224; vista de todos&#8221;</h3><p>Lynch identificou m&#250;ltiplos <em>tenbaggers</em> em empresas que praticamente toda a gente conhecia - Taco Bell, McDonald&#8217;s, Pep Boys. A ideia central era simples: muitas das maiores oportunidades de investimento n&#227;o est&#227;o escondidas em laborat&#243;rios secretos ou em sectores ex&#243;ticos. Est&#227;o em empresas que vemos todos os dias, mas que o mercado ainda n&#227;o reavaliou.</p><p>No caso da Taco Bell, Lynch identificou tend&#234;ncias de consumo emergentes e for&#231;a de marca antes de estas se tornarem amplamente reconhecidas - ilustrando uma vez mais a sua filosofia em ac&#231;&#227;o.</p><h3>4. Walmart - <em>baseball</em> aplicado aos mercados</h3><p>Lynch usava frequentemente uma met&#225;fora de <em>baseball</em> para explicar fases de crescimento empresarial: perguntar &#8220;em que <em>inning</em> do jogo estamos&#8221; - ou seja, em que fase de desenvolvimento se encontra a empresa.</p><p>A Walmart tornou-se um <em>tenbagger</em> 25 anos ap&#243;s a sua funda&#231;&#227;o - o que prova que mesmo empresas &#8220;maduras&#8221; podem ainda estar nas primeiras fases da sua verdadeira expans&#227;o, se o modelo de neg&#243;cio continuar escal&#225;vel. A li&#231;&#227;o aqui &#233; subtil mas poderosa: n&#227;o devemos assumir que &#8220;j&#225; &#233; tarde&#8221; s&#243; porque uma empresa j&#225; n&#227;o &#233; nova.</p><h3>5. Fannie Mae, Ford, Philip Morris - a diversidade que se esquece</h3><p>Apesar de ser associado principalmente a marcas de consumo, a estrat&#233;gia de Lynch incluiu investimentos bem-sucedidos em sectores t&#227;o distintos como servi&#231;os financeiros (Fannie Mae), autom&#243;vel (Ford) e tabaco (Philip Morris). A li&#231;&#227;o &#8220;investir no que conheces&#8221; n&#227;o significa limitar-mo-nos a um sector - significa fazer o trabalho de an&#225;lise em qualquer sector que compreendamos suficientemente bem.</p><div><hr></div><h2>A filosofia de investimento de Peter Lynch</h2><p>Numa &#250;nica frase, poder&#237;amos resumir a:</p><blockquote><p><em>&#8220;Sabe o que tens e sabe porque o tens.&#8221;</em></p></blockquote><h3>Investir no que conhecemos, sem esquecer o trabalho de casa</h3><p>Uma das contribui&#231;&#245;es mais duradouras de Lynch &#233; a ideia de que os investidores devem aproveitar a sua experi&#234;ncia pessoal e compreens&#227;o dos produtos do dia-a-dia para identificar oportunidades.</p><p>Mas - e aqui est&#225; o diferencial - a familiaridade com um produto n&#227;o &#233;, por si s&#243;, uma raz&#227;o para investir. &#201; apenas o ponto de partida - a observa&#231;&#227;o d&#225; a pista, a investiga&#231;&#227;o d&#225; a convic&#231;&#227;o.</p><h3><em>Tenbaggers</em> - a matem&#225;tica da paci&#234;ncia</h3><p>O termo &#8220;tenbagger&#8221; descreve uma ac&#231;&#227;o que aumenta dez vezes o seu valor desde o pre&#231;o de compra. Os <em>tenbaggers</em> s&#227;o tipicamente empresas mais pequenas, com espa&#231;o significativo de crescimento, em mercados em expans&#227;o e ainda ignoradas pelos investidores institucionais.</p><p>A matem&#225;tica por detr&#225;s da import&#226;ncia disto &#233; simples: numa carteira de dez ac&#231;&#245;es, basta uma &#250;nica <em>tenbagger</em> para compensar v&#225;rias posi&#231;&#245;es med&#237;ocres ou mesmo perdedoras.</p><h3>GARP - crescimento sim, mas sem loucuras </h3><p>Lynch popularizou a abordagem GARP (<em>Growth At a Reasonable Price</em>) - uma esp&#233;cie de ponte entre o <em>value investing</em> tradicional (comprar barato) e o <em>growth investing</em> puro (comprar crescimento, custe o que custar). </p><p>Em vez de escolher um lado, Lynch perguntava: este crescimento est&#225; dispon&#237;vel a um pre&#231;o que ainda faz sentido?</p><h3>Abordagem contr&#225;ria e empresas &#8220;secantes&#8221;</h3><p>Lynch procurava frequentemente oportunidades em empresas ignoradas ou subvalorizadas pelo mercado em geral. Empresas sem cobertura de analistas s&#227;o frequentemente subvalorizadas e ignoradas - e &#233; precisamente a&#237; que podem estar as melhores pechinchas.</p><p>Curiosamente, Lynch tinha um certo gosto por empresas com nomes aborrecidos, em sectores aborrecidos, com produtos aborrecidos. A l&#243;gica &#233; simples: ningu&#233;m quer falar sobre essas empresas em festas - o que significa que ningu&#233;m as est&#225; a sobrevaloriz&#225;-las por entusiasmo.</p><p>Nos dias que correm, com <em>hypes</em> a serem espalhados diariamente pelas redes sociais, esta abordagem &#233; quase um exerc&#237;cio de resist&#234;ncia.</p><h3>Permanecer investido <em>VS</em> o custo de tentar adivinhar o futuro</h3><blockquote><p><em>&#8220;Os investidores perderam muito mais dinheiro a preparar-se para corre&#231;&#245;es ou a tentar antecip&#225;-las do que nas pr&#243;prias corre&#231;&#245;es.&#8221;</em></p></blockquote><p>Lynch defendia que os investidores faziam melhor se ignorassem o ru&#237;do de curto prazo e se conseguissem concentrar-se em empresas com fundamentos s&#243;lidos que pudessem compor valor ao longo de anos.</p><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Peter Lynch e as limita&#231;&#245;es da sua abordagem</h2><p>Sejamos sinceros: nenhuma filosofia de investimento &#233; perfeita, e a de Lynch - apesar do enorme sucesso - n&#227;o &#233; excep&#231;&#227;o.</p><h3>1. &#8220;Invest in what you know&#8221; &#233; frequentemente mal interpretado</h3><p>Esta &#233;, de longe, a cr&#237;tica mais comum - e a mais merecida. Muitos investidores leem &#8220;invest in what you know&#8221; e ouvem apenas &#8220;compra ac&#231;&#245;es de empresas cujos produtos conheces&#8221;, saltando completamente a parte da an&#225;lise e pesquisa.</p><p>A familiaridade com o produto n&#227;o garante perspic&#225;cia de investimento. Gostar do caf&#233; da Nespresso n&#227;o nos diz nada sobre a d&#237;vida da empresa, as margens ou se a ac&#231;&#227;o est&#225; sobrevalorizada. Sem o &#8220;trabalho de casa&#8221; que Lynch sempre enfatizou, esta filosofia transforma-se rapidamente em &#8220;compra o que gostas&#8221; - que &#233; uma estrat&#233;gia de consumo, n&#227;o de investimento.</p><h3>2. O contexto era diferente - muito diferente</h3><p>Lynch operou principalmente entre os anos 70 e 90, numa altura em que a informa&#231;&#227;o sobre empresas era genuinamente dif&#237;cil de obter para o investidor individual - da&#237; a vantagem de &#8220;chegar primeiro&#8221; atrav&#233;s da observa&#231;&#227;o do dia-a-dia.</p><p>Hoje, com informa&#231;&#227;o instant&#226;nea, redes sociais, e milh&#245;es de investidores a usar aplica&#231;&#245;es de <em>trading</em>, a vantagem de &#8220;ver uma fila enorme numa loja Dunkin&#8217; Donuts&#8221; antes de Wall Street &#233;... significativamente menor. Se notaste, &#233; prov&#225;vel que mais 10.000 pessoas com a aplica&#231;&#227;o da corretora aberta no telem&#243;vel tamb&#233;m tenham notado.</p><h3>3. Sobreviv&#234;ncia ao <em>crash</em> de 1987 - sorte ou compet&#234;ncia?</h3><p>Embora Lynch tenha gerido o fundo com sucesso atrav&#233;s do <em>crash</em> de 1987, &#233; importante recordar que correu um risco substancial ao manter-se totalmente investido durante um dos eventos mais dram&#225;ticos da hist&#243;ria dos mercados modernos. A sua filosofia de &#8220;permanecer investido&#8221; funcionou - mas funcionou para algu&#233;m com a capacidade anal&#237;tica, os recursos e a equipa de Lynch. Para um investidor individual sem esse suporte, &#8220;n&#227;o vender em p&#226;nico&#8221; e &#8220;ignorar sinais reais de problemas&#8221; podem por vezes ser indistingu&#237;veis at&#233; ser tarde demais.</p><h3>4. A escala do Magellan Fund era uma vantagem (e mais tarde uma limita&#231;&#227;o)</h3><p>No in&#237;cio da carreira de Lynch, o Magellan Fund era pequeno o suficiente para investir em empresas mais pequenas e menos conhecidas - exactamente o tipo de empresa onde os <em>tenbaggers</em> se escondem. &#192; medida que o fundo cresceu para 14 mil milh&#245;es de d&#243;lares, esta vantagem diminuiu necessariamente: &#233; matematicamente mais dif&#237;cil mover a agulha de um fundo gigante com posi&#231;&#245;es em empresas pequenas. Para o pequeno investidor de hoje, isto &#233;, na verdade, uma boa not&#237;cia - temos a vantagem de escala que o Lynch do final da carreira j&#225; n&#227;o tinha.</p><h3>5. A diversifica&#231;&#227;o de Lynch era... um tanto ou quanto extrema</h3><p>O Magellan Fund, no seu auge, chegou a ter centenas de posi&#231;&#245;es simult&#226;neas - uma abordagem completamente diferente da concentra&#231;&#227;o extrema de outros investidores de que j&#225; fal&#225;mos (Chris Hohn, por exemplo). A filosofia &#8220;encontra os teus <em>tenbaggers</em>&#8220; funciona melhor quando podemos dar-nos ao luxo de ter muitas tentativas. Para o pequeno investidor com 10 posi&#231;&#245;es, um <em>tenbagger</em> &#233; fant&#225;stico - mas tr&#234;s ou quatro investimentos que v&#227;o a zero tamb&#233;m pesam muito mais.</p><div><hr></div><h2>O legado de Peter Lynch</h2><p>Peter Lynch deixou algo raro no mundo do investimento: uma filosofia genuinamente acess&#237;vel, sustentada por um dos melhores <em>track records</em> da hist&#243;ria financeira. </p><p>N&#227;o escondeu o seu m&#233;todo em f&#243;rmulas complexas nem em linguagem desenhada para impressionar. Disse, essencialmente: presta aten&#231;&#227;o, faz a tua pesquisa, s&#234; paciente e n&#227;o te deixes assustar pelo ru&#237;do.</p><blockquote><p><em>&#8220;Quem virar mais pedras ganha o jogo&#8221;.</em></p></blockquote><p>&#201; uma frase simples. Mas, como a maioria das coisas simples em investimento, &#233; simples de entender e extraordinariamente dif&#237;cil de executar consistentemente - durante 13 anos, sem desistir, sem entrar em p&#226;nico, sem se deixar seduzir por modas - foi isto que Lynch fez.</p><p>A pr&#243;xima vez que estiveres numa loja, num caf&#233;, ou a usar uma aplica&#231;&#227;o que parece ter conquistado todos os teus amigos - talvez n&#227;o seja apenas uma coincid&#234;ncia. Talvez seja uma pedra &#224; espera de ser virada.</p><div><hr></div><h2>Aplicar os ensinamentos de Peter Lynch no nosso dia a dia</h2><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje dedicada aos <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong>, partilho as minhas notas pessoais sobre Lynch, em particular, como traduzir tudo isto para o dia a dia de micro investidores&#8230;</p><p></p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/peter-lynch-encontrar-acoes-no-centro-comercial">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[USDT x USDC: o que precisas de saber]]></title><description><![CDATA[As Stablecoins que lideram o mercado e que (supostamente) nunca perdem valor]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/usdt-usdc-o-que-precisas-de-saber</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/usdt-usdc-o-que-precisas-de-saber</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 03 Jun 2026 06:53:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d6a1dce9-b641-4518-a7e0-385ca0a61d68_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Para fechar o (actual) top 10 das maiores criptomoedas por marketcap, falta falar da <strong>USDT</strong> e da <strong>USDC</strong> - as stablecoins de refer&#234;ncia.</p><p>Al&#233;m das d&#250;vidas iniciais sobre stablecoins - j&#225; <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/stablecoins-aquilo-que-precisas-de">esclarecidas neste artigo</a> - h&#225; tamb&#233;m uma outra pergunta constantemente repetida por quem acabou de chegar a este sector:</p><blockquote><p><em>&#8220;Se o Bitcoin pode valer 100 mil d&#243;lares num dia e 50 mil no seguinte, como &#233; que algu&#233;m usa isto para pagar coisas no dia a dia?&#8221;</em></p></blockquote><p>&#201; uma boa pergunta e a resposta s&#227;o precisamente as <strong>stablecoins</strong>.</p><p>J&#225; sabemos que s&#227;o criptomoedas com um valor &#8220;est&#225;vel&#8221;. Cada unidade vale sempre um d&#243;lar. N&#227;o vai a 2 d&#243;lares quando o mercado est&#225; euf&#243;rico, nem cai para 0,50 quando est&#225; em p&#226;nico. &#201; apenas... um d&#243;lar digital.</p><p>As duas maiores do mercado s&#227;o a <strong>USDT</strong> (criada pela Tether) e a <strong>USDC</strong> (criada pela Circle). </p><p>Juntas, representam mais de 85% do mercado de stablecoins e movem volumes que deixam muitos bancos tradicionais com inveja.</p><p>A hist&#243;ria de cada uma delas &#233; bem diferente e vale a pena conhecer ambas antes de decidir qual usar. &#201; isso que vais ficar a saber no final do artigo de hoje.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Para garantir que este site &#233; t&#227;o ou mais est&#225;vel que as stablecoins, considera tornar-te subscritor/a.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>USD<em>T</em> - a veterana com um passado complicado</h2><p>A <strong>USDT</strong> foi lan&#231;ada em 2014, com o objectivo de criar um activo digital indexado ao d&#243;lar americano, trazendo a estabilidade das moedas tradicionais ao mundo r&#225;pido e vol&#225;til das criptomoedas.</p><p>O projecto cresceu rapidamente. A empresa por tr&#225;s da USDT &#233; a <strong>Tether</strong>, sediada nas Ilhas Virgens Brit&#226;nicas - um pormenor importante ao qual j&#225; voltaremos.</p><h3>Para que serve no dia a dia</h3><p>Na pr&#225;tica, a USDT serve para:</p><ul><li><p><strong>Guardar valor sem sair do ecossistema cripto</strong> - quando um investidor vende alguma cripto e n&#227;o quer converter tudo para euros, converte para USDT. &#201; o equivalente a &#8220;estacionar&#8221; o dinheiro.</p></li><li><p><strong>Transfer&#234;ncias internacionais baratas e r&#225;pidas</strong> - enviar USDT de Lisboa para S&#227;o Paulo (ou qualquer outro ponto do planeta) tem um custo de frac&#231;&#245;es de c&#234;ntimos e chega em segundos, dependendo da rede usada.</p></li><li><p><strong>Pagamentos no mundo cripto</strong> - a maioria das plataformas de <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/defi-financas-descentralizadas">DeFi</a> e corretoras nativas de cripto usam USDT como par de negocia&#231;&#227;o principal.</p></li><li><p><strong>Acesso ao d&#243;lar em pa&#237;ses com moedas inst&#225;veis</strong> - na Argentina, na Turquia, no L&#237;bano, entre outros, o USDT &#233; frequentemente usado como alternativa ao d&#243;lar f&#237;sico, que &#233; dif&#237;cil de obter.</p></li></ul><h3>Como funciona a USDT</h3><p>Em teoria, o mecanismo &#233; simples: por cada USDT emitido, a Tether garante ter um d&#243;lar (ou equivalente) em reservas. Quando algu&#233;m compra 1.000 USDT, a Tether guarda 1.000 d&#243;lares. Quando algu&#233;m resgata, a Tether destr&#243;i os tokens e devolve o dinheiro.</p><p>A USDT n&#227;o est&#225; confinada a uma &#250;nica blockchain - funciona na Ethereum, Tron, Solana e muitas outras. Esta versatilidade ajuda a explicar porque &#233; a stablecoin mais usada numa vasta gama de plataformas e aplica&#231;&#245;es em todo o ecossistema cripto.</p><h3>As pol&#233;micas com a USDT</h3><p><strong>A quest&#227;o das reservas</strong></p><p>Desde o in&#237;cio que a Tether prometeu que o USDT estava 100% garantido por d&#243;lares em conta. Em 2019, descobriu-se que n&#227;o era bem assim.</p><p>O Procurador-Geral de Nova Iorque acusou a Tether e a sua empresa irm&#227; Bitfinex de usar as reservas para encobrir uma perda de 850 milh&#245;es de d&#243;lares. A Tether acabou por resolver o caso pagando uma multa de 18,5 milh&#245;es de d&#243;lares em 2021.</p><p>Nesse mesmo ano, a CFTC (regulador de derivados dos EUA) aplicou uma multa adicional de 41 milh&#245;es de d&#243;lares por ter induzido os utilizadores em erro sobre as suas reservas. Uma investiga&#231;&#227;o revelou que, num determinado per&#237;odo, a Tether tinha apenas 27,6% do valor do USDT em circula&#231;&#227;o em reservas.</p><p>Depois de milh&#245;es pagos em multas, a Tether mudou finalmente de pol&#237;tica. Hoje publica relat&#243;rios trimestrais sobre as suas reservas e afirma ter um excedente de activos. </p><p>A sua posi&#231;&#227;o em obriga&#231;&#245;es do Tesouro americano atingiu os 127 mil milh&#245;es de d&#243;lares em meados de 2025, tornando a Tether num dos maiores detentores de d&#237;vida p&#250;blica americana a n&#237;vel global.</p><p>O pormenor a destacar destes relat&#243;rios, &#233; que ainda n&#227;o est&#227;o sujeitos a auditorias independentes e completas...</p><p><strong>A quest&#227;o da centraliza&#231;&#227;o</strong></p><p>H&#225; uma grande ironia em usar uma stablecoin &#8220;descentralizada&#8221; quando a empresa emissora pode congelar os teus fundos a qualquer momento.</p><p>Sim, &#233; verdade, a Tether pode congelar USDT&#8217;s.</p><p>Em 2025, a Tether congelou 1,26 mil milh&#245;es de d&#243;lares em 4.163 endere&#231;os &#250;nicos, ligados a fraude, evas&#227;o de san&#231;&#245;es e burlas. Ao ritmo actual, 2026 pode superar esses totais.</p><p>Casos concretos:</p><ul><li><p>Em Abril de 2026, a Tether congelou 344 milh&#245;es de d&#243;lares em USDT em dois endere&#231;os na rede Tron, ligados a suspeitas de evas&#227;o de san&#231;&#245;es envolvendo o Ir&#227;o.</p></li><li><p>Em Novembro de 2023, congelou cerca de 225 milh&#245;es de d&#243;lares em USDT ligados a redes de tr&#225;fico humano no Sudeste Asi&#225;tico.</p></li></ul><p>Do ponto de vista moral, dif&#237;cil de criticar. Afinal, estamos a falar de casos de fraude e de burlas.</p><p>Do ponto de vista filos&#243;fico cripto - onde &#8220;nem o banco te pode bloquear o dinheiro&#8221; era o argumento distintivo - &#233; uma contradi&#231;&#227;o que vale a pena ter em conta.</p><p><strong>A quest&#227;o europeia</strong></p><p>Com a entrada em vigor do regulamento MiCA na Europa, surgiram os problemas para a USDT: v&#225;rias corretoras europeias removeram o USDT das suas plataformas, para se manterem e conformidade com as normas europeias e garantirem as licen&#231;as de opera&#231;&#227;o.  </p><p>Relembro tamb&#233;m o facto da sede da Tether ser num para&#237;so fiscal (Ilhas Virgens Brit&#226;nicas), algo que tamb&#233;m n&#227;o combina com as regras controladoras da U.E..</p><p>Com isto, quem ganhou foi a USDC, precisamente porque j&#225; estava em conformidade com a regula&#231;&#227;o europeia - j&#225; l&#225; vamos.</p><h3>A USDT em n&#250;meros (2026)</h3><ul><li><p><strong>Market cap:</strong> ~181-189 mil milh&#245;es de d&#243;lares (a maior stablecoin do mundo)</p></li><li><p><strong>Volume mensal:</strong> m&#233;dia de 703 mil milh&#245;es de d&#243;lares mensais em 2025, com pico de 1 bili&#227;o em Junho</p></li><li><p><strong>Redes suportadas:</strong> mais de 14, incluindo as principais: Ethereum, Tron, Solana.</p></li><li><p><strong>Lucro da Tether em 2024:</strong> 13 mil milh&#245;es de d&#243;lares - a maioria proveniente de juros das reservas em obriga&#231;&#245;es do Tesouro americano.</p></li></ul><p></p><div><hr></div><p></p><p></p><h2>USD<em>C</em> - a aluna bem comportada</h2><p>A <strong>USDC</strong> foi lan&#231;ada em 2018 pela empresa americana <strong>Circle</strong>. </p><p>Desde o in&#237;cio, a Circle posicionou-se de forma deliberadamente diferente da Tether: em vez de crescer rapidamente com m&#237;nima transpar&#234;ncia, optou por construir rela&#231;&#245;es com reguladores, bancos e institui&#231;&#245;es financeiras tradicionais.</p><p>A USDC era gerida pelo Centre Consortium, que inclu&#237;a a Circle e a Coinbase - o que desde cedo deu ao token credibilidade e distribui&#231;&#227;o. Em 2023, a Circle absorveu o cons&#243;rcio e ficou com controlo total.</p><p>Em Junho de 2025, a Circle foi para bolsa - o <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/ipos-o-que-precisas-sabe">IPO</a> levantou 1 bili&#227;o de d&#243;lares a 31 d&#243;lares por ac&#231;&#227;o, mas o pre&#231;o explodiu para 107 d&#243;lares em poucos dias, num sinal claro do apetite de Wall Street por exposi&#231;&#227;o regulamentada ao mundo cripto.</p><h3>Para que serve no dia a dia</h3><p>A USDC serve precisamente para os mesmos prop&#243;sitos b&#225;sicos que a USDT - guardar valor, transferir dinheiro internacionalmente, operar em DeFi. </p><p>A grande diferen&#231;a est&#225; no perfil de utilizador.</p><p>A USDC &#233; a stablecoin preferida de:</p><ul><li><p><strong>Institui&#231;&#245;es financeiras e empresas</strong> - bancos, fintechs e gestoras de activos que precisam de conformidade regulat&#243;ria antes de qualquer outra coisa.</p></li><li><p><strong>Utilizadores europeus</strong> - desde a implementa&#231;&#227;o do MiCA, a USDC &#233; o stablecoin mais compat&#237;vel com a regula&#231;&#227;o europeia.</p></li><li><p><strong>Aplica&#231;&#245;es DeFi institucionais</strong> - plataformas de empr&#233;stimo e gest&#227;o de activos que precisam de transpar&#234;ncia m&#225;xima nas reservas.</p></li><li><p><strong>Pagamentos via Visa e Mastercard</strong> - a USDC ganhou integra&#231;&#245;es com a Visa, Mastercard, Stripe e outras redes de pagamento que permitem liquida&#231;&#245;es on-chain e pagamentos a comerciantes.</p></li></ul><h3>Como funciona a USDC</h3><p>O mecanismo &#233; o mesmo da USDT - cada USDC emitido corresponde a um d&#243;lar em reservas. A diferen&#231;a est&#225; em <em>como</em> essas reservas s&#227;o geridas e <em>como</em> essa informa&#231;&#227;o &#233; comunicada ao p&#250;blico.</p><p>A Circle publica as participa&#231;&#245;es do fundo de reserva ao n&#237;vel de cada t&#237;tulo individualmente - uma raridade no mundo das stablecoins. A maioria dos emissores publica apenas agregados por categoria. Esta granularidade permite que qualquer pessoa verifique o perfil de maturidade real das obriga&#231;&#245;es do Tesouro detidas.</p><p>As reservas est&#227;o depositadas na <strong>BNY Mellon</strong> e s&#227;o geridas pela <strong>BlackRock</strong> - nomes de respeito no sector tradicional e que oferecem confian&#231;a a qualquer director financeiro.</p><p>A Circle realiza auditorias mensais de terceiros com empresas como a Deloitte e a Grant Thornton, garantindo 100% de colateraliza&#231;&#227;o com T&#237;tulos do Tesouro americano de curto prazo e dinheiro em institui&#231;&#245;es regulamentadas.</p><h3>Os problemas da USDC</h3><p>A Circle esfor&#231;a-se por ser a op&#231;&#227;o s&#233;ria, mas tamb&#233;m tem manchas no curr&#237;culo.</p><p><strong>O colapso do Silicon Valley Bank - Mar&#231;o de 2023</strong></p><p>Este foi o maior susto da USDC at&#233; &#224; data - e aconteceu porque a Circle fez exactamente o que se sup&#245;e que deve ser feito: guardou as reservas num banco regulamentado.</p><p>O problema: esse banco era o Silicon Valley Bank.</p><p>Quando o SVB entrou em colapso, a USDC perdeu a sua paridade com o d&#243;lar quase imediatamente. No ponto mais baixo, a USDC chegou a ser transaccionado a 0,87 d&#243;lares - 13% abaixo do valor suposto.</p><p>A Circle tinha 3,3 mil milh&#245;es de d&#243;lares bloqueados no SVB - cerca de 8% das reservas totais.</p><p>O p&#226;nico instalou-se. Foram queimados 2,34 mil milh&#245;es de USDC em poucas horas, com investidores a resgatar os seus tokens com pressa. A paridade s&#243; foi restaurada quando o governo americano garantiu todos os dep&#243;sitos no SVB, no fim de semana seguinte.</p><p>A Circle saiu do epis&#243;dio sem perdas efectivas para os utilizadores, mas com uma li&#231;&#227;o clara: guardar reservas em bancos regulamentados protege contra muita coisa, mas n&#227;o contra o colapso do pr&#243;prio banco.</p><p><strong>A depend&#234;ncia do sistema banc&#225;rio tradicional</strong></p><p>Novamente a grande ironia: a USDC foi desenhada para ser a vers&#227;o mais segura e transparente de uma stablecoin - e o seu maior susto veio de um banco falido, n&#227;o de qualquer problema interno. </p><p>&#201; a prova de que, por muito bem desenhado que seja uma stablecoin, a sua seguran&#231;a est&#225; parcialmente dependente do sistema financeiro que supostamente complementa.</p><p><strong>A queda do market cap em 2022-2023</strong></p><p>Entre 2022 e 2023, o market cap da USDC caiu quase 50% - n&#227;o porque o pre&#231;o tenha ca&#237;do (continuou a valer 1 d&#243;lar), mas porque muitos investidores optaram por alternativas como a USDT. Parte desta sa&#237;da foi directamente influenciada pelo epis&#243;dio do SVB.</p><h3>A USDC em n&#250;meros (2026)</h3><ul><li><p><strong>Market cap:</strong> ~70-75 mil milh&#245;es de d&#243;lares</p></li><li><p><strong>Crescimento em 2025:</strong> mais de 72%</p></li><li><p><strong>Auditorias:</strong> mensalmente pela Deloitte</p></li><li><p><strong>Conformidade regulat&#243;ria:</strong> MiCA (Europa), GENIUS Act (EUA), NY DFS BitLicense</p></li><li><p><strong>Gest&#227;o de reservas:</strong> BlackRock + BNY Mellon</p></li></ul><div><hr></div><h2>USD<em>T</em> e USD<em>C</em>: como est&#227;o a ser usadas pelas grandes institui&#231;&#245;es</h2><p>Ambas as stablecoins sa&#237;ram do nicho cripto e entraram no sistema financeiro convencional, mas por portas diferentes.</p><p><strong>USDT</strong> domina nos mercados emergentes, nas exchanges de criptomoedas e nas transa&#231;&#245;es informais. &#201; favorecida pela sua liquidez: os volumes di&#225;rios de negocia&#231;&#227;o da USDT flutuaram entre 40 e 200 mil milh&#245;es de d&#243;lares em 2025. Qualquer trader ou investidor que precise de mover grandes volumes, usa USDT porque h&#225; sempre contraparte dispon&#237;vel.</p><p><strong>USDC</strong> domina no segmento institucional regulamentado. A sua presen&#231;a no DeFi institucional torna-a mais usada por investidores institucionais, projectos de tokeniza&#231;&#227;o e tesourarias corporativas.</p><p>Alguns casos mais conhecidos de adop&#231;&#227;o institucional:</p><ul><li><p>a <strong>Visa</strong> integrou a USDC para liquida&#231;&#227;o de transac&#231;&#245;es na rede Ethereum, permitindo que parceiros paguem obriga&#231;&#245;es em USDC em vez de transfer&#234;ncias banc&#225;rias tradicionais.</p></li><li><p>a <strong>Stripe</strong> reactivou pagamentos em cripto usando USDC, permitindo que comerciantes recebam pagamentos em USDC e convertam automaticamente para moeda local.</p></li><li><p>a <strong>BlackRock</strong> gere o fundo de reserva da USDC - o maior gestor de activos do mundo &#233; tamb&#233;m o guardi&#227;o de uma stablecoin.</p></li></ul><div><hr></div><h2>USD<em>T</em> x USD<em>C</em>: qual &#233; a diferen&#231;a que importa?</h2><p>USDT e USDC fazem a mesma coisa - manter o valor de 1 d&#243;lar. As diferen&#231;as est&#227;o:</p><ul><li><p>em <strong>como</strong> o fazem, </p></li><li><p><strong>para quem</strong> foram desenhados,</p></li><li><p><strong>o que acontece quando as coisas correm mal.</strong></p></li></ul><p>A <strong>USDT</strong> &#233; a stablecoin mais l&#237;quida do mundo, com ra&#237;zes no mercado cripto desde 2014. </p><p>&#201; pr&#225;tica, est&#225; em todo o lado e &#233; especialmente &#250;til em pa&#237;ses onde o acesso ao d&#243;lar &#233; dif&#237;cil. O lado negro: a transpar&#234;ncia das reservas ainda deixa d&#250;vidas, a empresa est&#225; sediada fora dos EUA e a Europa est&#225; a restringir a sua circula&#231;&#227;o.</p><p>A <strong>USDC</strong> &#233; a stablecoin mais transparente e regulamentada do mercado. &#201; a op&#231;&#227;o preferida de institui&#231;&#245;es financeiras, bancos e empresas que precisam de conformidade regulat&#243;ria. O lado preocupante: quando o SVB faliu, percebemos que &#8220;guardado num banco regulamentado&#8221; n&#227;o &#233; sin&#243;nimo de &#8220;imposs&#237;vel de perder&#8221;.</p><p>Nenhuma das duas &#233; perfeita. Mas juntas, revelam algo importante sobre o estado das finan&#231;as digitais: as &#8220;moedas est&#225;veis&#8221; j&#225; existem em formato digital e t&#234;m utilidade comprovada - o que ainda est&#225; em aberto &#233; <em>quem</em> as controla e <em>sob que regras</em>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yc4H!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2e22b69a-790a-4b6d-a064-ca20babe304d_2184x1350.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yc4H!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2e22b69a-790a-4b6d-a064-ca20babe304d_2184x1350.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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href="https://www.diariocinzento.pt/p/usdt-usdc-o-que-precisas-de-saber?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional. Faz a tua pesquisa antes de qualquer investimento.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Chris Hohn: quando menos é mais]]></title><description><![CDATA[A filosofia radical do ingl&#234;s que bate o S&P 500 h&#225; 20 anos com uma carteira de 10 empresas.]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/chris-hohn-quando-menos-e-mais</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/chris-hohn-quando-menos-e-mais</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 27 May 2026 06:41:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0d30d156-2768-4f3f-8611-d2b2429497ee_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje acrescento um nome &#224; sec&#231;&#227;o &#8220;Mindset&#8221;, que &#233; talvez dos menos conhecidos. Um tipo discreto, pouco dado a entrevistas e um dos mais bem sucedidos da actualidade.</p><p>Mas n&#227;o se pense que &#233; um tipo acanhado, enfiado numa cave a ler relat&#243;rios de contas. L&#225; porque n&#227;o &#233; presen&#231;a ass&#237;dua nos <em>media</em>, n&#227;o significa que tenha problemas em meter-se nas decis&#245;es das direc&#231;&#245;es de grandes empresas.</p><p>Sir <strong>Christopher</strong> Anthony <strong>Hohn</strong> nasceu em 1966, no Reino Unido. Filho de um mec&#226;nico emigrante e de uma secret&#225;ria jur&#237;dica, n&#227;o cresceu propriamente no ambiente priveligiado que associamos aos gestores de <em>hedge funds</em> - pormenor importante, j&#225; que o t&#237;tulo de &#8220;Sir&#8221; poderia induzir em erro.</p><p>Licenciou-se na Universidade de Southampton em contabilidade e economia e como um curso n&#227;o era suficiente, foi depois para a Harvard Business School, onde conclu&#237;u um MBA com uma distin&#231;&#227;o acad&#233;mica das mais elevadas.</p><p>A sua carreira come&#231;ou por empresas de <em>private equity</em>, onde aperfei&#231;oou a abordagem de investimento activista, pela qual viria a ser conhecido.</p><p>Em 2003, fundou o The Children&#8217;s Investment Fund Management (TCI), um <em>hedge fund</em> brit&#226;nico focado em <em>value investing</em>, com sede em Londres. </p><p><em>Crian&#231;as</em> e <em>fundo de investimento </em>s&#227;o palavras que parecem n&#227;o combinar na mesma frase, mas a escolha do nome n&#227;o foi por acaso: a ideia original era que os lucros do fundo financiassem uma funda&#231;&#227;o de caridade dedicada a crian&#231;as em situa&#231;&#227;o de pobreza - o Children&#8217;s Investment Fund Foundation (CIFF).</p><p>Em 2014 foi nomeado <em>Knight Commander</em> da <em>Order of St Michael and St George</em>, pelas suas contribui&#231;&#245;es para a filantropia e o desenvolvimento internacional. Est&#225; explicada a origem do seu t&#237;tulo de <em>Sir</em>.</p><p>N&#227;o se deixem intimidar ou desmotivar por esta introdu&#231;&#227;o. H&#225; muito que se pode aprender com ele - na sec&#231;&#227;o final de hoje, partilho as minhas notas pessoais.</p><div><hr></div><h2>Porque &#233; que Chris Hohn &#233; um nome relevante?</h2><p>A resposta curta: porque criou um dos <em>hedge funds</em> mais rent&#225;veis da hist&#243;ria, a partir de princ&#237;pios simples executados com uma disciplina absolutamente implac&#225;vel.</p><p>Com 77 mil milh&#245;es de d&#243;lares em activos sob gest&#227;o, o TCI gerou quase 70 mil milh&#245;es de d&#243;lares em ganhos l&#237;quidos para os seus investidores desde a sua cria&#231;&#227;o. Para p&#244;r isto em perspectiva: o PIB de Portugal ronda os 280 mil milh&#245;es de euros. O TCI gerou, para os seus investidores, cerca de um quarto disso. Apenas com um fundo, que escolhe empresas a dedo.</p><p>Desde o seu lan&#231;amento em 2004, o TCI acumulou 68,4 mil milh&#245;es de d&#243;lares em ganhos l&#237;quidos, com um retorno anualizado de 18% contra 9% do S&amp;P 500 no mesmo per&#237;odo.</p><p>A reputa&#231;&#227;o de Hohn como negociador intransigente nas salas de conselhos de direc&#231;&#227;o valeu-lhe o t&#237;tulo de &#8220;o investidor activista mais temido do mundo&#8221; por parte do The Telegraph. N&#227;o &#233; um t&#237;tulo que se coloca no LinkedIn, mas &#233; mais impressionante do que a maioria.</p><p>Para al&#233;m dos n&#250;meros, Hohn trouxe ao sector uma abordagem que poucos tentaram e menos ainda executaram com sucesso: a combina&#231;&#227;o de an&#225;lise fundamental profunda com activismo accionista agressivo - e a disposi&#231;&#227;o para usar ambos em simult&#226;neo, numa carteira extremamente concentrada. &#201; mais ou menos como jogar xadrez com poucas pe&#231;as, mas saber exactamente o que fazer com cada uma delas.</p><div><hr></div><h2>Os Investimentos pelos quais ficou mais conhecido</h2><h3>1. Deutsche B&#246;rse e a London Stock Exchange (2005) - a estreia no activismo</h3><p>Hohn projectou-se para o primeiro plano logo de in&#237;cio, em 2005, quando o TCI se op&#244;s &#224; oferta da Deutsche B&#246;rse para adquirir a London Stock Exchange - inspirando uma insurrei&#231;&#227;o accionista que destruiu a proposta de aquisi&#231;&#227;o e levou ao afastamento do presidente executivo da bolsa alem&#227;.</p><p>Esta foi a primeira grande demonstra&#231;&#227;o p&#250;blica do seu m&#233;todo: identificar uma decis&#227;o de gest&#227;o que destr&#243;i valor para os accionistas, organizar a resist&#234;ncia, e n&#227;o sair da sala at&#233; a situa&#231;&#227;o se resolver. Funcionou na perfei&#231;&#227;o e estabeleceu o modelo para o que se seguiu.</p><h3>2. ABN AMRO (2007) - a maior transac&#231;&#227;o banc&#225;ria da hist&#243;ria</h3><p>Em 2007, Hohn comprou 1% das ac&#231;&#245;es do gigante banc&#225;rio holand&#234;s ABN Amro - o que representava entre 10 a 15% do capital do seu hedge fund - e apresentou uma resolu&#231;&#227;o na assembleia geral da empresa exigindo que esta se colocasse &#224; venda.</p><p>Com apenas 1% do capital, p&#244;s &#224; venda um dos maiores bancos europeus. A press&#227;o do TCI sobre o ABN Amro desencadeou a maior batalha de aquisi&#231;&#227;o na hist&#243;ria da banca, com o Royal Bank of Scotland a superar a proposta do Barclays. O cons&#243;rcio final - Royal Bank of Scotland, Fortis e Banco Santander - pagou cerca de 100 mil milh&#245;es de d&#243;lares.</p><p>Hohn acumulou ganhos m&#233;dios anuais de cerca de 40% nos primeiros quatro anos do fundo e construiu a empresa at&#233; atingir 19 mil milh&#245;es de d&#243;lares em activos. Tudo isto antes de cumprir cinco anos de actividade.</p><h3>3. CSX Corporation (2007-2008) - uma li&#231;&#227;o com tribunal inclu&#237;do</h3><p>As coisas nem sempre correm bem. A campanha activista contra a empresa ferrovi&#225;ria americana CSX foi um caso not&#243;rio disso.</p><p>Em vez de ceder &#224; press&#227;o do TCI, a CSX reagiu com t&#225;cticas agressivas, incluindo press&#227;o sobre o Congresso americano para interrogar o fundo. O processo judicial que se seguiu exp&#244;s e-mails privados de Hohn revelando os seus medos sobre a crise de cr&#233;dito e as d&#250;vidas sobre a sua pr&#243;pria abordagem.</p><p>O TCI conseguiu eleger quatro dos seus cinco directores para o conselho da CSX, mas as ac&#231;&#245;es da empresa ca&#237;ram cerca de 50% ap&#243;s a assembleia. O TCI declarou derrota e vendeu as suas posi&#231;&#245;es. O tribunal considerou que os fundos deveriam ter actuado de forma mais transparente na constru&#231;&#227;o das suas posi&#231;&#245;es, embora tenha negado o pedido mais consequente da CSX: bloquear os direitos de voto do TCI.</p><p>A li&#231;&#227;o de Hohn deste epis&#243;dio foi simples: o activismo &#233; uma ferramenta, n&#227;o uma identidade. E algumas batalhas n&#227;o valem o custo.</p><h3>4. Alphabet/Google (2022-2023) - uma carta, 12.000 despedimentos</h3><p>Em novembro de 2022, Hohn, em nome do TCI, escreveu uma carta aberta a Sundar Pichai, CEO da Alphabet (Google), afirmando que o n&#250;mero de colaboradores era excessivo e deveria ser reduzido, e que deveria haver mais esfor&#231;o para reduzir as perdas na unidade de condu&#231;&#227;o aut&#243;noma, Waymo.</p><p>A 20 de Janeiro de 2023, a Alphabet cortou 12.000 postos de trabalho - 6% da sua for&#231;a laboral. No mesmo dia, Hohn emitiu uma nova carta a Pichai pedindo cortes adicionais, com uma meta de 20%.</p><p>Uma carta, doze mil postos de trabalho. Independentemente da opini&#227;o que possamos ter sobre este epis&#243;dio, a influ&#234;ncia de Hohn &#233; ineg&#225;vel.</p><div><hr></div><h2>A Filosofia de Investimento de Chris Hohn</h2><h3>1. Fossos competitivos em primeiro lugar</h3><p>Hohn defende que o crit&#233;rio de investimento mais importante n&#227;o &#233; o crescimento, nem a novidade, mas sim a exist&#234;ncia de barreiras s&#243;lidas &#224; entrada - os fossos competitivos de que Buffett sempre falou. Empresas que, pela sua posi&#231;&#227;o no mercado, pela sua tecnologia, pelas suas licen&#231;as ou pelos seus custos de substitui&#231;&#227;o, s&#227;o muito dif&#237;ceis de atacar.</p><h3>2. Concentra&#231;&#227;o em vez de Diversifica&#231;&#227;o</h3><p>O TCI investe num n&#250;mero reduzido de empresas de longo prazo, com uma orienta&#231;&#227;o de propriet&#225;rio. O fundo &#233; altamente concentrado para maximizar o alpha.</p><p>Hohn n&#227;o acredita na diversifica&#231;&#227;o como princ&#237;pio de gest&#227;o de risco. Acredita que saber muito sobre poucas empresas &#233; muito mais valioso do que saber pouco sobre muitas. Nas suas palavras:</p><blockquote><p><em>&#8220;Pensamos de forma independente e n&#227;o temos medo de perder dinheiro ou investidores. Investimos de forma concentrada e para o longo prazo.&#8221;</em></p></blockquote><h3>3. Horizonte temporal longo</h3><p>Um conceito central na filosofia do TCI &#233; o que Hohn chama &#8220;time horizon arbitrage&#8221;: a vantagem competitiva que um investidor obt&#233;m por simplesmente estar disposto a esperar mais tempo do que o mercado. </p><p>A maioria dos fundos &#233; avaliada trimestralmente. O TCI pensa em anos. E essa diferen&#231;a de horizonte cria oportunidades.</p><p>O per&#237;odo m&#233;dio de deten&#231;&#227;o das posi&#231;&#245;es &#233; de 8 anos, segundo o pr&#243;prio Hohn.</p><h3>4. Activismo como ferramenta de protec&#231;&#227;o</h3><p>Embora seja frequentemente descrito como investidor activista, Hohn n&#227;o planeava inicialmente envolver-se nesse tipo de interven&#231;&#227;o. Mas rapidamente se tornou parte do seu repert&#243;rio - e hoje descreve o activismo como uma ferramenta para proteger os seus investimentos, mesmo que isso possa causar inc&#243;modos.</p><h3>5. Fluxo de caixa e poder de fixa&#231;&#227;o de pre&#231;os</h3><p>O TCI investe em empresas de alta qualidade com fluxo de caixa livre previs&#237;vel. E Hohn tem uma forma particularmente elegante de explicar porque &#233; que o poder de fixa&#231;&#227;o de pre&#231;os importa tanto:</p><blockquote><p><em>&#8220;Se conseguir precificar os seus produtos 1% acima da infla&#231;&#227;o e tiver uma margem de lucro de 20%, os seus lucros crescer&#227;o 5% mais rapidamente do que a receita... isto &#233; ainda mais importante devido ao efeito de alavancagem - n&#227;o h&#225; custos associados a isto.&#8221;</em></p></blockquote><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Chris Hohn e as limita&#231;&#245;es da sua abordagem</h2><p>Claro que um artigo destes n&#227;o podia fechar, sem mencionar aquilo que n&#227;o &#233; perfeito no universo de Hohn. At&#233; o melhor <em>hedge fund</em> do mundo tem os seus &#226;ngulos cegos.</p><h3>1. A concentra&#231;&#227;o - funciona at&#233; ao dia...</h3><p>A mesma concentra&#231;&#227;o que gerou retornos extraordin&#225;rios pode, em circunst&#226;ncias adversas, criar perdas devastadoras. </p><p>Em 2008, o TCI sofreu perdas de 43% num &#250;nico ano. Para um fundo com dezenas de posi&#231;&#245;es, 43% de queda &#233; grave. </p><p>Para um fundo com cerca de 10 posi&#231;&#245;es, pode ser catastr&#243;fico para investidores com horizontes mais curtos. </p><p>A concentra&#231;&#227;o &#233; uma espada de dois gumes.</p><h3>2. O activismo n&#227;o &#233; escal&#225;vel  e pode ter custos legais</h3><p>A campanha contra a CSX mostrou que o activismo agressivo pode ter consequ&#234;ncias legais e reputacionais significativas. </p><p>A experi&#234;ncia com a CSX foi um confronto doloroso com os riscos pol&#237;ticos e reais do investimento activista. Al&#233;m disso, &#224; medida que o TCI cresce, torna-se cada vez mais dif&#237;cil tomar posi&#231;&#245;es significativas sem mover o mercado - o que limita o universo de oportunidades dispon&#237;veis.</p><h3>3. A filantropia e os interesses cruzados</h3><p>Esta &#233;, provavelmente, a cr&#237;tica mais complexa. A estrutura TCI/CIFF levanta quest&#245;es sobre se o activismo clim&#225;tico de Hohn &#233; genuinamente altru&#237;sta ou se serve tamb&#233;m para valorizar as empresas j&#225; presentes no seu portef&#243;lio, tornando-as mais atractivas para investidores institucionais focados em ESG.</p><p>Hohn descreve o seu activismo como &#8220;oportunista, para proteger os seus investimentos&#8221; - o que &#233;, no m&#237;nimo, honesto. Mas levanta perguntas leg&#237;timas sobre onde termina a filantropia e onde come&#231;a a estrat&#233;gia de neg&#243;cio. A resposta, provavelmente, &#233;: algures no meio.</p><h3>4. Inimitabilidade para o investidor comum</h3><p>O que Hohn faz - identificar empresas com fossos competitivos s&#243;lidos, entrar em posi&#231;&#245;es significativas, comprometer-se durante 8 anos, e depois pressionar a gest&#227;o quando necess&#225;rio - requer recursos e uma toler&#226;ncia ao risco e &#224; impopularidade que est&#225; fora do alcance da esmagadora maioria dos investidores individuais.</p><p>Seguir a filosofia de Hohn &#233; poss&#237;vel. Replicar as suas t&#225;ticas &#233;, na pr&#225;tica, imposs&#237;vel para quem n&#227;o gere dezenas de milhares de milh&#245;es.</p><h3>5. O problema do Jap&#227;o e das culturas n&#227;o-ocidentais</h3><p>O governo japon&#234;s bloqueou o aumento da participa&#231;&#227;o do TCI de 9,9% para 20%, tendo sido a primeira vez que a lei de seguran&#231;a nacional foi usada contra um investidor estrangeiro.</p><p>A abordagem activista de Hohn pressup&#245;e um sistema de governo corporativo receptivo &#224; press&#227;o accionista - o que simplesmente n&#227;o existe em muitos mercados. </p><p>Funciona bem nos mercados anglo-sax&#243;nicos. N&#227;o resulta bem noutros contextos.</p><div><hr></div><h2>Conclus&#227;o</h2><p>Chris Hohn &#233; uma figura que desafia facilmente os r&#243;tulos. </p><p>&#201; simultaneamente um investidor cl&#225;ssico de <em>value investing</em> &#224; Buffett, um activista que n&#227;o hesita em entrar em confronto com os maiores conselhos de administra&#231;&#227;o do mundo e um filantropo que - seja qual for a motiva&#231;&#227;o exacta - canalizou milhares de milh&#245;es para causas reais.</p><p>O que o distingue, acima de tudo, &#233; a combina&#231;&#227;o de profundidade anal&#237;tica com convic&#231;&#227;o. </p><p>Hohn n&#227;o investe em muitas coisas. Investe em poucas que compreende extraordinariamente bem, e mant&#233;m-nas durante muito tempo - mesmo quando toda a gente discorda.</p><blockquote><p><em>&#8220;Investimos em empresas de alta qualidade com um cash flow previs&#237;vel.&#8221;</em></p></blockquote><p>&#201; uma ideia simples - como a maioria das ideias de investimento. </p><p>A dificuldade est&#225; sempre na execu&#231;&#227;o - na capacidade de manter a calma quando o mercado est&#225; em p&#226;nico, de manter as posi&#231;&#245;es quando os investidores pressionam para sair e de ter a honestidade de reconhecer quando se est&#225; errado.</p><p>Os registos provam que Hohn faz isto h&#225; mais de vinte anos, por isso, &#233; um investidor que merece ser estudado.</p><div><hr></div><p>Independentemente do que disse no ponto 4, na sec&#231;&#227;o de hoje dedicada aos <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong>, partilho as minhas notas pessoais, com as adapta&#231;&#245;es que podemos fazer para aplicar tudo isto &#224; nossa realidade&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/chris-hohn-quando-menos-e-mais">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ripple: a blockchain de fato e gravata ]]></title><description><![CDATA[Da ideia de melhorar o sistema banc&#225;rio a um processo gigantesco]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/ripple-a-blockchain-de-fato-e-gravata</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/ripple-a-blockchain-de-fato-e-gravata</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 20 May 2026 06:42:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a4ef2888-272c-4384-83a8-4478b75f6853_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Nos artigos anteriores sobre criptomoedas, j&#225; fal&#225;mos de projectos que querem descentralizar tudo, de blockchains que funcionam como computadores globais e de redes que movem stablecoins de um lado para o outro.</p><p>A <strong>Ripple</strong> &#233; um caso diferente. N&#227;o foi criada para destronar o sistema financeiro, mas sim para trabalhar <em>com</em> ele.</p><p>S&#243; isto, j&#225; &#233; suficientemente controverso no mundo das criptos para garantir anos de pol&#233;micas.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Este site &#233; apoiado pelos leitores. Para garantir a sua continuidade e teres acesso a conte&#250;dos exclusivos, considera tornar-te subscritor/a.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>O que &#233; a Ripple</h2><p>A <strong>Ripple</strong> &#233; uma empresa americana - sim, uma empresa a s&#233;rio, com escrit&#243;rios e tudo - fundada em 2012.</p><p>O objectivo era simples de explicar mas dif&#237;cil de resolver: tornar as transfer&#234;ncias internacionais de dinheiro mais r&#225;pidas, baratas e menos absurdas do que ainda continuam a ser em 2026.</p><p>Caso cl&#225;ssico: quando um portugu&#234;s envia dinheiro para o Brasil atrav&#233;s de um banco tradicional, a transac&#231;&#227;o pode demorar entre 2 a 5 dias &#250;teis e acumular taxas ao longo do caminho. O dinheiro passa por v&#225;rios bancos intermedi&#225;rios - os chamados <em>correspondent banks</em> - com cada um a cobrar a sua comiss&#227;o, como portagens numa auto-estrada.</p><p>A Ripple quis eliminar essas portagens.</p><p>Para isso, criou a sua pr&#243;pria rede de pagamentos - o <strong>RippleNet</strong> - e o seu pr&#243;prio token - o <strong>$XRP</strong>.</p><div><hr></div><h2>O que quis resolver a Ripple</h2><p>O sistema banc&#225;rio internacional tem um problema que toda a gente ignora at&#233; precisar de o usar: &#233; lento, opaco e caro.</p><p>A <strong>SWIFT</strong>, que &#233; a rede usada pelos bancos para comunicar entre si, foi criada em 1973. Mais de cinquenta anos depois, continua a ser a espinha dorsal das transfer&#234;ncias internacionais. &#201; como se ainda us&#225;ssemos um fax para enviar documentos importantes - tecnicamente funciona, mas h&#225; muito tempo que surgiram solu&#231;&#245;es melhores.</p><p>A Ripple identificou tr&#234;s problemas concretos, de que j&#225; fal&#225;mos noutros artigos:</p><ul><li><p><strong>Velocidade</strong> - as transfer&#234;ncias demoram dias quando podiam demorar segundos.</p></li><li><p><strong>Custo</strong> - as taxas dos bancos intermedi&#225;rios encarecem os envios, especialmente para valores mais pequenos.</p></li><li><p><strong>Liquidez</strong> - os bancos precisam de manter reservas em moeda local em cada pa&#237;s onde operam, o que imobiliza capital desnecessariamente.</p></li></ul><p>A solu&#231;&#227;o proposta pela Ripple foi usar o $XRP como &#8220;ponte&#8221; entre moedas. </p><p>Em vez de o banco A precisar de ter euros <em>e</em> d&#243;lares <em>e</em> reais <em>e</em> ienes em reserva, pode usar $XRP como moeda intermedi&#225;ria para converter tudo em tempo real.</p><p>&#201; um pouco como ter um tradutor universal entre idiomas financeiros.</p><div><hr></div><h2>Para que foi criado o $XRP</h2><p>O <strong>$XRP</strong> &#233; o token nativo da rede da Ripple.</p><p>Ao contr&#225;rio do Bitcoin, que &#233; <em>minado</em> (produzido progressivamente por computadores a resolver problemas matem&#225;ticos), o XRP foi criado todo de uma vez: <strong>100 mil milh&#245;es de tokens</strong>, criados no momento do lan&#231;amento.</p><p>Desses 100 mil milh&#245;es, uma boa parte ficou na posse da pr&#243;pria Ripple (a empresa), o que &#233; uma das raz&#245;es pelas quais muita gente no mundo das cripto torce o nariz - mas j&#225; l&#225; vamos.</p><p>O $XRP serve para:</p><ul><li><p><strong>garantir liquidez em tempo real</strong> - servir de ponte entre duas moedas diferentes numa transac&#231;&#227;o internacional, eliminando a necessidade de reservas pr&#233;-financiadas.</p></li><li><p><strong>pagar as taxas da rede</strong> - tal como nas outras blockchains, cada transac&#231;&#227;o na rede XRP Ledger tem uma taxa m&#237;nima, paga em $XRP. S&#227;o valores &#237;nfimos - frac&#231;&#245;es de c&#234;ntimo - mas existem.</p></li><li><p><strong>velocidade de liquida&#231;&#227;o</strong> - uma transac&#231;&#227;o na rede XRP Ledger confirma-se em 3 a 5 segundos. No sistema banc&#225;rio tradicional, pode demorar dias.</p></li></ul><div><hr></div><h2>Como funciona</h2><p>A rede da Ripple chama-se <strong>XRP Ledger</strong> (XRPL) e funciona de forma diferente da maioria das blockchains.</p><p>Em vez de usar <em>Proof of Work</em> (como o Bitcoin) ou <em>Proof of Stake</em> (como a Ethereum ou Solana), o XRPL usa um mecanismo chamado <strong>Federated Consensus</strong>.</p><p>Em linguagem n&#227;o t&#233;cnica: existe um conjunto de validadores de confian&#231;a - bancos, empresas, universidades - que concordam entre si sobre o estado correcto da rede. Quando a maioria concorda, a transac&#231;&#227;o &#233; confirmada. Sem mineradores, sem grandes consumos de energia, sem esperas.</p><p>O produto principal da Ripple para as institui&#231;&#245;es financeiras &#233; o <strong>On-Demand Liquidity (ODL)</strong> - um servi&#231;o que usa o $XRP como moeda de transi&#231;&#227;o para enviar dinheiro de um pa&#237;s para outro quase instantaneamente.</p><p>O processo &#233; simples:</p><ol><li><p>O banco emissor converte a moeda local em $XRP.</p></li><li><p>O $XRP &#233; transferido para o banco receptor em segundos.</p></li><li><p>O banco receptor converte o $XRP na moeda local de destino.</p></li></ol><p>O utilizador final nem sabe que o XRP esteve l&#225;. &#201; invis&#237;vel, como deve ser.</p><div><hr></div><h3>A teoria &#233; bonita, mas quem est&#225; realmente a usar? </h3><p>A Ripple tem efectivamente clientes reais. Mas - j&#225; sabias que vinha a&#237; um <em>mas</em> -  nem tudo o que aparece nos comunicados de imprensa significa o que parece.</p><p><strong>Os n&#250;meros</strong></p><p>A RippleNet fala de mais de 300 institui&#231;&#245;es financeiras em mais de 55 pa&#237;ses. </p><p>Cerca de 40% destas institui&#231;&#245;es usa o XRP activamente atrav&#233;s do ODL, em vez de apenas a infraestrutura de mensagens. O resto usa a rede para comunicar - mas n&#227;o necessariamente o XRP para liquidar. </p><p><strong>Esta distin&#231;&#227;o &#233; fundamental</strong> e muitos t&#237;tulos de imprensa ignoram-na convenientemente.</p><p>Alguns exemplos onde o XRP j&#225; funciona em produ&#231;&#227;o, n&#227;o apenas em pilotos:</p><ul><li><p><strong>SBI Holdings (Jap&#227;o)</strong> - atrav&#233;s da sua joint venture SBI Ripple Asia, a plataforma SBI Remit usa o ODL para processar transfer&#234;ncias internacionais quase em tempo real, principalmente nos corredores Jap&#227;o-Filipinas e Jap&#227;o-Vietname. Para os trabalhadores filipinos no Jap&#227;o que enviam dinheiro para casa, isto &#233; directamente mensur&#225;vel na carteira. </p></li><li><p><strong>Santander</strong> - foi um dos primeiros grandes bancos a levar a tecnologia da Ripple directamente aos seus clientes, atrav&#233;s do servi&#231;o One Pay FX, que usa a RippleNet para transfer&#234;ncias internacionais mais r&#225;pidas e transparentes. </p></li><li><p><strong>Intermex e Azimo</strong> - a Intermex, empresa americana de remessas, usa o ODL da Ripple para transac&#231;&#245;es com o M&#233;xico, reduzindo custos e os tempos de liquida&#231;&#227;o para quase instant&#226;neo. A Azimo, servi&#231;o brit&#226;nico de remessas, adoptou o ODL para acelerar transfer&#234;ncias para as Filipinas. </p></li><li><p><strong>Zand Bank e Mamo (UAE)</strong> - est&#227;o activos na rede Ripple Payments desde 2025, usando XRP e RLUSD para liquida&#231;&#245;es transfronteiri&#231;as consoante o corredor. O M&#233;dio Oriente &#233; um dos mercados mais activos da Ripple, pela quantidade de trabalhadores expatriados que enviam remessas para os pa&#237;ses de origem. </p></li><li><p><strong>BBVA e DZ Bank (Europa)</strong> - o BBVA usa o Ripple Custody para servi&#231;os de activos digitais para clientes de retalho no &#226;mbito do regulamento MiCA da Uni&#227;o Europeia, enquanto o DZ Bank alem&#227;o usa o mesmo servi&#231;o para a liquida&#231;&#227;o de obriga&#231;&#245;es tokenizadas. </p></li></ul><p><strong>Os corredores que mais crescem</strong></p><p>A Ripple revelou no in&#237;cio de 2026 que o volume da RippleNet cruzou uma taxa anualizada de 80 mil milh&#245;es de d&#243;lares, com a maior concentra&#231;&#227;o em tr&#234;s corredores: USD&#8594;PHP (d&#243;lares para pesos filipinos), USD&#8594;MXN (d&#243;lares para pesos mexicanos) e AED&#8594;INR (dirhams dos Emirados para rupias indianas). </p><p>N&#227;o &#233; por acaso: s&#227;o exactamente os corredores onde o sistema banc&#225;rio tradicional &#233; mais caro e mais lento - e onde as fam&#237;lias sentem mais a diferen&#231;a.</p><p><strong>O elefante na sala</strong></p><p>H&#225; um pormenor que tem de ser referido: muitas das 300 institui&#231;&#245;es usam apenas a camada de infraestrutura da RippleNet, tratando a Ripple como um fornecedor de pagamentos tradicional em vez de usar o XRP para liquida&#231;&#227;o. Mesmo nos corredores onde o ODL funciona, o XRP permanece no sistema apenas alguns segundos antes de ser convertido na moeda de destino.</p><p>O que significa que a adop&#231;&#227;o da RippleNet e a adop&#231;&#227;o do XRP n&#227;o s&#227;o a mesma coisa - e &#233; importante n&#227;o confundir as duas quando se est&#225; a avaliar o projecto.</p><div><hr></div><h2>As pol&#233;micas da Ripple e do $XRP</h2><p>Isto n&#227;o seria um artigo sobre criptomoedas se n&#227;o mencionasse algumas pol&#233;micas. E a Ripple tamb&#233;m as tem.</p><p><strong>A quest&#227;o da centraliza&#231;&#227;o</strong></p><p>Desde o in&#237;cio que o $XRP levantou sobrancelhas: a Ripple (a empresa) controla uma fatia enorme do total de tokens. Durante anos, foi acusada de vender $XRP no mercado para financiar as suas opera&#231;&#245;es, o que criava press&#227;o de venda constante sobre o pre&#231;o.</p><p>A Ripple respondeu bloqueando grande parte das suas reservas em <em>escrow</em> - contas que v&#227;o libertando tokens automaticamente ao longo do tempo - mas o argumento da centraliza&#231;&#227;o nunca desapareceu completamente.</p><p><strong>O processo da SEC</strong></p><p>Esta foi a pol&#233;mica mais ruidosa.</p><p>Em Dezembro de 2020, a <strong>SEC</strong> (o regulador de valores mobili&#225;rios dos EUA) processou a Ripple, alegando que o $XRP era um <em>security</em> - ou seja, um valor mobili&#225;rio - e que tinha sido vendido ilegalmente ao p&#250;blico sem o registo adequado.</p><p>O processo arrastou-se por anos e abalou o pre&#231;o do XRP. V&#225;rias corretoras americanas suspenderam as negocia&#231;&#245;es do token para n&#227;o se meterem em sarilhos.</p><p>Em Julho de 2023, chegou uma senten&#231;a parcial que foi celebrada como uma vit&#243;ria pela Ripple: o tribunal decidiu que as vendas de $XRP ao p&#250;blico em geral <strong>n&#227;o constitu&#237;am</strong> a venda de valores mobili&#225;rios. As vendas institucionais, essas sim, foram consideradas problem&#225;ticas.</p><p>O processo acabou por ser encerrado em 2024 com um acordo, e a Ripple pagou uma multa de cerca de <strong>125 milh&#245;es de d&#243;lares</strong> - muito menos do que os mil milh&#245;es que a SEC pedia inicialmente.</p><p>Ficou a sensa&#231;&#227;o de que a Ripple ganhou mais do que perdeu, embora o processo tenha custado tempo, uns bons milh&#245;es e muitas dores de cabe&#231;a.</p><p><strong>N&#227;o &#233; bem descentralizada</strong></p><p>O XRP Ledger tem um n&#250;mero relativamente pequeno de validadores, e a Ripple tem influ&#234;ncia significativa sobre a lista dos validadores considerados &#8220;de confian&#231;a&#8221;. Para os entusiastas da descentraliza&#231;&#227;o pura, isto &#233; uma blasf&#233;mia.</p><p>A Ripple reconhece que o sistema &#233; mais centralizado do que o Bitcoin, mas argumenta que isso &#233; uma caracter&#237;stica do sistema e n&#227;o uma falha - supostamente, &#233; isto que permite a velocidade e a efici&#234;ncia que os bancos precisam.</p><div><hr></div><h2>A utilidade no dia a dia</h2><p>Chegamos ao ponto que interessa &#224; maioria das pessoas... o $XRP n&#227;o foi concebido para o utilizador comum ir &#224;s compras com ele. </p><p>Foi desenhado para bancos e institui&#231;&#245;es financeiras moverem grandes volumes de dinheiro entre pa&#237;ses.</p><p>Dito isto, h&#225; casos de uso reais para pessoas normais:</p><ul><li><p><strong>Transfer&#234;ncias internacionais</strong> - algumas plataformas j&#225; usam a rede XRP Ledger para enviar remessas internacionais de forma mais barata. Se tens fam&#237;lia no estrangeiro ou recebes pagamentos de outros pa&#237;ses, plataformas que usam o ODL da Ripple podem ser uma alternativa mais barata aos bancos.</p></li><li><p><strong>Transac&#231;&#245;es r&#225;pidas e baratas</strong> - o XRP Ledger &#233; uma das redes mais eficientes para mover valor. Com confirma&#231;&#245;es em 3-5 segundos e taxas de frac&#231;&#245;es de c&#234;ntimo, &#233; uma op&#231;&#227;o pr&#225;tica para quem usa cripto para pagamentos.</p></li><li><p><strong>Investimento</strong> - a grande maioria das pessoas que compra $XRP hoje f&#225;-lo porque acredita que o pre&#231;o vai subir, especialmente agora que o processo com a SEC foi resolvido. </p></li><li><p><strong>DeFi na XRPL</strong> - nos &#250;ltimos anos e seguindo o exemplo da concorr&#234;ncia, o XRP Ledger expandiu-se para albergar aplica&#231;&#245;es descentralizadas e NFTs. Ainda &#233; um ecossistema pequeno comparado com a Ethereum, mas est&#225; a crescer. Para se ter uma ideia da discrep&#226;ncia em termos de utiliza&#231;&#227;o ao n&#237;vel do DeFi, actualmente, esta &#233; a posi&#231;&#227;o da XRPL no ranking das blockchains mais usadas:</p><ul><li><p>#1 Ethereum</p></li><li><p>#2 Solana</p></li><li><p>#3 BNB Chain</p></li><li><p><strong>#43 XRPL</strong></p></li></ul></li></ul><div><hr></div><h2>Resumindo... </h2><p>A Ripple &#233; um caso &#250;nico no mundo das cripto.</p><p>&#201; uma empresa com clientes reais, contratos reais com bancos reais - incluindo alguns dos maiores do mundo - e um produto que resolve um problema genu&#237;no.</p><p>Isto ajuda a explicar o motivo pelo qual &#233; pouco relevante ao n&#237;vel do DeFi (ao contr&#225;rio de outras blockchains que vimos anteriormente), mas ao mesmo tempo, tem garantido ao XRP um lugar entre as 5 maiores criptomoedas do mercado (por <em><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/market-cap-volatilidade-e-liquidez">market cap</a></em>).</p><p>Por outro lado, &#233; uma das criptomoedas mais centralizadas que existe, controlada em grande medida por uma &#250;nica empresa, com um historial regulat&#243;rio turbulento e uma rela&#231;&#227;o complicada com a filosofia descentralizadora que define o sector das criptomoedas.</p><p>Se o futuro das finan&#231;as internacionais passar por redes como a da Ripple, o $XRP tem um papel a desempenhar. </p><p>Se os bancos centrais avan&#231;arem com as suas pr&#243;prias moedas digitais (CBDCs) e tornarem o sistema SWIFT mais eficiente, a Ripple pode descobrir que o seu nicho encolheu.</p><p>Investir em $XRP &#233; acreditar na ideia de que o sistema financeiro tradicional adopta tecnologia blockchain - mas apenas o suficiente para ser mais r&#225;pido, n&#227;o o suficiente para deixar de ser o sistema financeiro tradicional.</p><p>O que, convenhamos, &#233; um equil&#237;brio dif&#237;cil de manter.</p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se achaste este artigo &#250;til, partilha-o!</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/ripple-a-blockchain-de-fato-e-gravata?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/ripple-a-blockchain-de-fato-e-gravata?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional. Antes de investires em qualquer activo, faz a tua pr&#243;pria pesquisa.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Michael Burry: o médico que investiu contra todos (e ganhou)]]></title><description><![CDATA[Da medicina, aos investimentos, passando por Hollywood...]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/michael-burry-o-medico-que-investiu-contra-todos</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/michael-burry-o-medico-que-investiu-contra-todos</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 13 May 2026 06:53:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c37650a6-9278-47f1-a2cc-480efbf2eec0_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Se viste o filme de 2015, &#8220;<em>The Big Short&#8221;, </em>o nome de hoje j&#225; &#233; familiar.</p><p>Ainda assim, acho que Michael Burry merece um artigo junto aos restantes grandes nomes dos <a href="https://www.diariocinzento.pt/t/mindset">artigos anteriores</a>.</p><p>Afinal de contas, n&#227;o &#233; todos os dias que um investidor faz algo digno de resultar num filme de Hollywood com nomes como Christian Bale, Steven Carrel e Ryan Gosling.</p><div><hr></div><h2>Quem &#233; Michael Burry</h2><p>Michael James Burry nasceu em 1971 na Calif&#243;rnia. Aos dois anos de idade, perdeu o olho esquerdo devido a um cancro raro e desde ent&#227;o usa um olho de vidro. Isto parece um detalhe irrelevante mas justificado pelo facto de que, aquilo que podia ser uma limita&#231;&#227;o, n&#227;o o impediu de ver o que os outros n&#227;o conseguiam ver nos mercados financeiros. </p><p>Estudou Economia e Pr&#233;-Medicina e concluiu o doutoramento em Medicina em 1997. Iniciou depois a sua especializa&#231;&#227;o em neurologia em Stanford e foi precisamente durante os turnos nocturnos que come&#231;ou a dedicar o tempo livre ao que rapidamente se tornaria uma obsess&#227;o: analisar empresas e identificar oportunidades que passavam despercebidas a outros.</p><p>A partir de 1996, come&#231;ou a publicar as suas an&#225;lises num f&#243;rum de discuss&#227;o financeira chamado Silicon Investor. A coisa correu t&#227;o bem que atraiu a aten&#231;&#227;o de empresas como a Vanguard e investidores de refer&#234;ncia como Joel Greenblatt - tudo isto enquanto ainda era m&#233;dico. </p><p>Basicamente, fazia o que alguns de n&#243;s tentamos fazer no trabalho - mas com resultados ligeiramente melhores.</p><p>Em 2000, abandonou a medicina e criou o fundo Scion Capital, financiado com uma heran&#231;a e empr&#233;stimos da fam&#237;lia.</p><div><hr></div><h2>Porque &#233; que Michael Burry &#233; um nome relevante?</h2><p>A resposta curta: porque apostou contra o mercado imobili&#225;rio americano numa altura em que toda a gente achava que a ideia era completamente absurda.</p><p>A resposta longa: porque o seu percurso redefiniu o que significa fazer an&#225;lise independente num mundo dominado pelo consenso de Wall Street.</p><p>O fundo Scion Capital registou retornos de ~489% entre novembro de 2000 e junho de 2008. Para p&#244;r isto em perspectiva: o mercado, no mesmo per&#237;odo, praticamente n&#227;o saiu do lugar - e em certos momentos, caiu.</p><p>Desde os primeiros anos, Burry superou consistentemente o mercado, nomeadamente durante o <em>crash</em> da bolha da internet, quando evitou as a&#231;&#245;es tecnol&#243;gicas sobrevalorizadas. Enquanto toda a gente estava euf&#243;rica com as dot-com, ele estava a ler balan&#231;os. </p><p>Entre 2005 e 2007, analisou extensivamente o mercado imobili&#225;rio americano e detectou uma bolha insustent&#225;vel nas hipotecas <em>subprime</em>. O que fez a seguir ficou para a hist&#243;ria e para o cinema.</p><div><hr></div><h2>Os investimentos pelos quais ficou conhecido</h2><h3>1. <em>The Big Short</em> - A aposta contra o mercado imobili&#225;rio</h3><p>Esta &#233; <em>a</em> jogada - deu origem ao livro de Michael Lewis e ao filme com Christian Bale a interpretar Burry de forma not&#225;vel.</p><p>Atrav&#233;s da sua an&#225;lise das pr&#225;ticas de concess&#227;o de cr&#233;dito hipotec&#225;rio em 2003 e 2004, previu correctamente que a bolha imobili&#225;ria colapsaria em 2007. Persuadiu o Goldman Sachs e outras firmas a venderem-lhe <em>credit default swaps</em> contra produtos financeiros baseados em hipotecas subprime que considerava vulner&#225;veis.</p><p>A l&#243;gica era simples (para quem se desse ao trabalho de a perceber): milh&#245;es de americanos tinham hipotecas com taxas de juro inicialmente baixas que iriam disparar ao fim de dois anos. Quando isso acontecesse, n&#227;o conseguiriam pagar. E quando n&#227;o conseguissem pagar, tudo o que estava constru&#237;do em cima dessas hipotecas desmoronaria.</p><p>Os bancos riram-se - o cl&#225;ssico &#8220;<em>too big to fail&#8221;</em>. O mercado ignorou-o. Alguns investidores desafiaram as suas escolhas e outros chegaram a retirar o dinheiro do seu fundo. Mas Burry manteve-se firme e confiante na sua an&#225;lise.</p><p>O resto ficou na hist&#243;ria e no cinema - o mercado imobili&#225;rio colapsou mesmo, Burry lucrou cerca 100 milh&#245;es de d&#243;lares para si pr&#243;prio e mais uns 700 milh&#245;es para os seus investidores.</p><h3>2. A aposta na GameStop (antes de ser uma <em>meme stock</em>)</h3><p>Em 2021, Burry tinha posi&#231;&#245;es na GameStop antes de a ac&#231;&#227;o se tornar um fen&#243;meno viral no Reddit. No entanto, ele disse que as vendeu antes da subida dram&#225;tica. Um cl&#225;ssico de Burry: identifica o valor antes de toda a gente, sai antes do caos. Ou seja, fez tudo certo e ainda assim perdeu a melhor parte. Os grandes tamb&#233;m falham, como diz o povo.</p><h3>3. Os investimentos contra a Nvidia e a Palantir em 2025</h3><p>Em 2025, os registos 13-F revelaram posi&#231;&#245;es curtas na Nvidia e na Palantir, sob a forma de op&#231;&#245;es <em>Put</em>. Burry publicou tamb&#233;m nas redes sociais algumas alus&#245;es a uma &#8220;bolha da IA&#8221;. O mercado, claro, ficou nervoso. Quando Burry fala, as pessoas ouvem - mesmo quando discordam. De referir que, &#224; data da publica&#231;&#227;o deste artigo, ele ainda tem estas posi&#231;&#245;es abertas. </p><p>Ou seja, ainda n&#227;o h&#225; propriamente um desfecho deste investimento contra a tend&#234;ncia do momento - no caso da Palantir, est&#225; a correr bem (em queda desde o in&#237;cio do ano). J&#225; no caso da Nvidia, nem por isso - a empresa subiu 10%+ desde o in&#237;cio de 2026.</p><div><hr></div><p><em>Alguns dos termos usados neste artigo podem ser novidade para quem est&#225; a come&#231;ar. Por isso, o DC tem um <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario">Dicion&#225;rio</a></strong> </em>&#128521;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png" width="1200" height="200" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:200,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:30392,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/195434206?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2c797b54-b82f-49eb-bfc8-0f7122368eef_1200x200.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><div><hr></div><h2>A Filosofia de investimento de Michael Burry</h2><p>Se tivesse de a resumir em apenas um ponto, recorreria a estas palavras do pr&#243;prio:</p><blockquote><p><em>&#8220;Toda a minha sele&#231;&#227;o de ac&#231;&#245;es &#233; 100% baseada no conceito de margem de seguran&#231;a.&#8221;</em></p></blockquote><h3>Margem de Seguran&#231;a</h3><p>Comprar algo por muito menos do que aquilo que realmente vale. Se uma empresa vale 100 e compramos por 60, temos uma almofada de 40 pontos antes de sequer come&#231;armos a perder dinheiro. Contas simples de fazer, mas mais dif&#237;cil de executar.</p><h3>An&#225;lise Fundamental Profunda</h3><p>Burry acredita que &#233; fundamental compreender o valor de uma empresa antes de investir um c&#234;ntimo. Ignora os r&#225;cios pre&#231;o/lucros e prefere focar-se no fluxo de caixa livre, considerando o retorno sobre o capital pr&#243;prio enganador e perigoso.</p><p>Diz ele que l&#234; <strong>cada p&#225;gina</strong> dos documentos financeiros das empresas que estuda.</p><h3>Pensamento Contr&#225;rio</h3><p>Sabes aquelas pessoas que s&#227;o do contra? Burry &#233; uma delas.</p><p>Como investidor contr&#225;rio, Burry procura oportunidades em activos subvalorizados ou ignorados pelo mercado, abrindo frequentemente posi&#231;&#245;es que v&#227;o contra o sentimento dominante.</p><p>Por outras palavras: quando toda a gente quer comprar, ele est&#225; a pensar em vender. Quando toda a gente quer vender, ele est&#225; a pensar em comprar. </p><p>Exige nervos de a&#231;o e uma toler&#226;ncia invulgar &#224; impopularidade. Quem viu o filme, j&#225; sabe que isso &#233; banal para ele.</p><h3>Independ&#234;ncia Total</h3><blockquote><p><em>&#8220;Acho que muitos fundos tiram as suas ideias de Wall Street. Prefiro ter as minhas pr&#243;prias ideias. Leio muito. Muitas not&#237;cias. Simplesmente sigo a minha intui&#231;&#227;o.&#8221; </em></p><p>- Michael Burry</p></blockquote><p>Em vez de seguir analistas e relat&#243;rios de bancos de investimento, Burry faz a sua pr&#243;pria pesquisa. &#201; o equivalente financeiro de nunca perguntar ao Google Maps e confiar no pr&#243;prio instinto - com a diferen&#231;a de que, neste caso, o instinto dele &#233; suportado por centenas de horas de leitura.</p><div><hr></div><div class="captioned-button-wrap" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/michael-burry-o-medico-que-investiu-contra-todos?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;}" data-component-name="CaptionedButtonToDOM"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Partilha este artigo com quem ainda acredita que investir = seguir dicas nas redes sociais.</em></p></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/michael-burry-o-medico-que-investiu-contra-todos?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.diariocinzento.pt/p/michael-burry-o-medico-que-investiu-contra-todos?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p></div><div><hr></div><h2>5 li&#231;&#245;es que podemos aprender com Michael Burry</h2><h3>1. A margem de seguran&#231;a &#233; o teu melhor amigo</h3><blockquote><p><em>&#8220;&#201; muito mais dif&#237;cil recuperar d&#243;lares perdidos do que perder d&#243;lares ganhos&#8221;.</em><br>- Michael Burry</p></blockquote><p>Parece &#243;bvio, s&#243; que n&#227;o. </p><p>A maioria dos investidores amadores passa mais tempo a sonhar com os ganhos do que a proteger-se das perdas. A preserva&#231;&#227;o do capital deve ser uma prioridade - evitar perdas significativas &#233; t&#227;o importante quanto gerar ganhos.</p><p></p><h3>2. Faz os trabalhos de casa</h3><p>Burry defende que a informa&#231;&#227;o de qualidade vem frequentemente de investiga&#231;&#227;o independente e n&#227;o da vis&#227;o consensual de Wall Street.</p><ul><li><p>N&#227;o seguir &#8220;dicas&#8221; de grupos de Telegram. </p></li><li><p>N&#227;o comprar porque algu&#233;m no Twitter disse que vai fazer &#8220;100x&#8221;. </p></li><li><p>Ler. Analisar. Pensar.</p></li></ul><p></p><h3>3. O mercado costuma ter raz&#227;o - mas quando erra, &#233; em grande</h3><p>A an&#225;lise de valor de Burry envolve pesquisa fundamental rigorosa para identificar empresas ou activos que transaccionam abaixo do seu valor intr&#237;nseco, com particular &#234;nfase em factores como baixos r&#225;cios pre&#231;o/lucros e fluxos de caixa descontados.</p><p>O mercado &#233; eficiente a maior parte do tempo. Mas por vezes, o p&#226;nico, o entusiasmo irracional ou simplesmente a pregui&#231;a, criam inefici&#234;ncias. &#201; aqui que est&#225; a oportunidade.</p><p></p><h3>4. A paci&#234;ncia n&#227;o &#233; opcional</h3><blockquote><p><em>&#8220;A minha posi&#231;&#227;o perante os meus investidores foi sempre: preciso de tr&#234;s a cinco anos&#8221;.</em><br>- Michael Burry</p></blockquote><p>O verdadeiro investimento em valor requer um horizonte temporal de longo prazo para permitir que o mercado reconhe&#231;a o valor intr&#237;nseco de um activo subvalorizado.</p><p>Burry esperou anos pelo colapso do mercado imobili&#225;rio. Os seus investidores ficaram furiosos. Ele manteve a posi&#231;&#227;o. </p><p>A maioria das pessoas n&#227;o tem paci&#234;ncia para este processo - e essa impaci&#234;ncia &#233; uma das raz&#245;es pelas quais o <em>value investing</em> ainda funciona.</p><p>Para quem conhece a abordagem de <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/warren-buffett-o-investidor-que-transformou">Warren Buffett</a>, isto n&#227;o &#233; novidade.</p><h3>5. Conhece-te a ti pr&#243;prio</h3><p>Isto n&#227;o &#233; um blog de auto-ajuda, mas a auto-consci&#234;ncia &#233; uma ferramenta poderosa. </p><p>Compreender a nossa pr&#243;pria psicologia pode ajudar-nos a identificar os nossos pontos fortes e fracos como investidores.</p><p>Burry sabe que n&#227;o &#233; um investidor mainstream. Sabe que vai contra o consenso. Sabe que vai ser criticado. Mas est&#225; tranquilo com isso. </p><p>Conhecer os nossos pr&#243;prios limites psicol&#243;gicos &#233; t&#227;o importante quanto conhecer os fundamentos das empresas em que investimos.</p><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Michael Burry e as limita&#231;&#245;es da sua abordagem</h2><p>Como habitual nestes artigos, parece-me importante olharmos para o outro lado da moeda. Entre as cr&#237;ticas que lhe fazem mais frequentemente est&#227;o:</p><h3>1. O Problema do <em>Timing</em></h3><p>Independentemente dos sucessos not&#225;veis, alguns argumentam que a sua abordagem contr&#225;ria pode levar a investimentos prematuros ou mal sincronizados, resultando em oportunidades perdidas ou perdas para os investidores.</p><p>Burry pode estar certo... 2-3 anos antes do mercado lhe dar raz&#227;o. E 2-3 anos &#233; muito tempo para a paci&#234;ncia da maioria dos investidores.</p><h3>2. Concentra&#231;&#227;o excessiva</h3><p>A abordagem de investimento concentrada de Burry, particularmente em certos sectores ou classes de activos, atra&#237;u cr&#237;ticas pela falta de diversifica&#231;&#227;o.</p><p>Para a maioria dos investidores, uma carteira com poucas posi&#231;&#245;es muito concentradas &#233; uma receita para noites sem dormir. </p><p>Burry tem arcaboi&#231;o psicol&#243;gico para isso. A maioria de n&#243;s, nem por isso.</p><h3>3. Dificuldade de replica&#231;&#227;o</h3><p>O que Burry faz &#233; extraordinariamente dif&#237;cil de replicar. </p><p>Quem &#233; que quer ou tem capacidade para ler cada p&#225;gina de cada relat&#243;rio? </p><p>Tem d&#233;cadas de pr&#225;tica. Tem uma toler&#226;ncia ao risco e &#224; impopularidade que a maioria das pessoas simplesmente n&#227;o tem. </p><p>E, seguir as suas posi&#231;&#245;es com base nos registos p&#250;blicos - que s&#227;o divulgados com uns 45 dias de atraso - &#233; um jogo perigoso.</p><h3>4. O vi&#233;s de sobreviv&#234;ncia</h3><p>Conhecemos o nome de Burry porque <em>acertou</em>. </p><p>H&#225; centenas de investidores contr&#225;rios que leram os mesmos livros, fizeram a mesma an&#225;lise e perderam tudo. O sucesso de Burry &#233; real - mas n&#227;o podemos ignorar que o mundo est&#225; cheio de pessoas que apostaram contra o mercado e... desapareceram.</p><h3>5. Acesso a instrumentos financeiros complexos</h3><p>A sua maior jogada envolveu <em>credit default swaps</em> - instrumentos financeiros que a grande maioria de n&#243;s dificilmente ter&#225; acesso. </p><p>Parte da genialidade de Burry esteve em criar um instrumento que literalmente n&#227;o existia para o que ele queria fazer. &#201; inspirador, mas praticamente inimit&#225;vel.</p><div><hr></div><h2>O que fazer com toda esta informa&#231;&#227;o?</h2><p>Para n&#243;s, comuns investidores, Michael Burry &#233; acima de tudo, <strong>um lembrete</strong> de que:</p><ul><li><p>os mercados n&#227;o s&#227;o infal&#237;veis,</p></li><li><p>o consenso n&#227;o &#233; sin&#243;nimo de verdade,</p></li><li><p>a an&#225;lise cuidadosa - por mais secante que seja - ainda tem valor num mundo obcecado com as tend&#234;ncias do momento.</p></li></ul><p>A sua hist&#243;ria <strong>mostra que o sucesso excepcional pode surgir</strong>: </p><ul><li><p>da an&#225;lise independente, </p></li><li><p>da compreens&#227;o profunda dos mecanismos econ&#243;micos,</p></li><li><p>da capacidade de mantermos as nossas convic&#231;&#245;es apesar da press&#227;o externa.</p></li></ul><p>N&#227;o precisamos de prever a pr&#243;xima crise financeira para aprender com ele. </p><p>Precisamos de estar bem informados, pensarmos mais, e reagirmos menos. </p><p>Simples e dif&#237;cil ao mesmo tempo. </p><p>Mas, provavelmente, &#233; tamb&#233;m a coisa mais valiosa que podemos fazer como investidores.</p><p>Com base nas li&#231;&#245;es do Michael Burry, criei a seguinte checklist para os <a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">apoiantes do DC</a>&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/michael-burry-o-medico-que-investiu-contra-todos">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Tron: a blockchain que cresceu à sombra…]]></title><description><![CDATA[Como uma das redes menos faladas, se tornou numa das mais usadas]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/tron-a-blockchain-que-cresceu-a-sombra</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/tron-a-blockchain-que-cresceu-a-sombra</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 06 May 2026 06:47:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e03202d4-f9f2-46da-84af-9f6d120b2e74_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Nos primeiros artigos sobre <a href="https://www.diariocinzento.pt/t/criptomoedas">criptomoedas</a>, j&#225; vimos que &#233; um sector em que a maioria dos projectos vive das narrativas.</p><p>Mas h&#225; tamb&#233;m alguns casos que vivem de utiliza&#231;&#227;o real.</p><p>A <strong>Tron</strong> est&#225; mais perto do segundo grupo.</p><p>N&#227;o costuma gerar tanto entusiasmo como a Ethereum ou a Solana. Mas, silenciosamente, tornou-se numa das redes mais usadas do mundo.</p><p>Especialmente para uma coisa muito espec&#237;fica: mover dinheiro digital.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Este site &#233; apoiado pelos leitores. Para garantir a sua continuidade e teres acesso a conte&#250;dos exclusivos, considera tornar-te subscritor/a.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h3>O que &#233; a Tron</h3><p>A <strong>Tron</strong> &#233; uma blockchain lan&#231;ada em 2017 por Justin Sun, numa altura em que a Ethereum crescia rapidamente.</p><p>E, ainda antes da Solana e da BNB Chain serem lan&#231;adas, Justin Sun tamb&#233;m quis resolver o problema que a Ethereum tinha. </p><p>Era preciso uma blockchain que permitisse escalar aplica&#231;&#245;es para milh&#245;es de utilizadores.</p><p>Assim surgiu a ideia ambiciosa de:</p><ul><li><p>criar uma internet descentralizada,</p></li><li><p>focada em conte&#250;dos digitais,</p></li><li><p>sem intermedi&#225;rios.</p></li></ul><p>Na pr&#225;tica, a Tron acabou por evoluir noutra direc&#231;&#227;o (ou adaptar-se &#224; realidade, se preferirmos).</p><p><strong>Hoje &#233; conhecida e usada essencialmente por ser uma rede r&#225;pida, barata e das mais comuns para enviar/receber stablecoins.</strong></p><p>A relev&#226;ncia desta utiliza&#231;&#227;o &#233; verific&#225;vel tamb&#233;m nas receitas - sim, para quem anda h&#225; anos a dizer que estes projectos de blockchain n&#227;o servem para nada, aqui fica uma pequena amostra do caso da Tron:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrkK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrkK!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrkK!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrkK!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrkK!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png 1456w" sizes="100vw"><img 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:994,&quot;width&quot;:1018,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:151308,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/196117850?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb8fbd83c-0ae7-46b7-bf6c-4dcdd38b5ded_1018x994.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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A Tron gera cerca de $1 milh&#227;o por dia em fees.</p><p>De referir que, estes dados s&#227;o de um s&#225;bado, numa altura em que o mercado arrefeceu - ou seja, o volume de transac&#231;&#245;es &#233; baixo. </p><p>Como j&#225; disse noutras ocasi&#245;es, convido-vos a consultarem estes dados numa altura em que o mercado est&#225; mais animado.</p><div><hr></div><h3>Para que serve o $TRX</h3><p>Tal como na Ethereum, Solana e BNB Chain, a Tron tamb&#233;m tem o seu pr&#243;prio token, o <strong>TRX</strong>.</p><p>E tem fun&#231;&#245;es bastante semelhantes &#224;s outras:</p><ul><li><p><strong>Pagar transac&#231;&#245;es</strong> - as taxas na Tron s&#227;o bastante baixas, ainda assim, t&#234;m de ser pagas e isso &#233; feito com $TRX.</p></li><li><p><strong>Staking</strong> - tal como outras blockchains <em>Proof of Stake</em>, os utilizadores podem bloquear os seus $TRX para ajudar a segurar a rede e receber recompensas por isso.</p></li><li><p><strong>Governan&#231;a</strong> - no caso da Tron, os detentores de $TRX podem votar num grupo de representantes que tem capacidade de decis&#227;o sobre a gest&#227;o e actualiza&#231;&#245;es da Tron.</p></li></ul><div><hr></div><h3>Que problemas resolve a Tron?</h3><p>Tal como nos artigos anteriores, vou deixar a parte t&#233;cnica de lado. </p><p>E, tamb&#233;m como nos casos que j&#225; vimos, aquilo que a Tron resolve n&#227;o &#233; assim radicalmente diferente da Solana ou BNB Chain:</p><ol><li><p>Custos baixos.</p></li><li><p>Rapidez na confirma&#231;&#227;o das transac&#231;&#245;es.</p></li><li><p>Infraestrutura para <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/stablecoins-aquilo-que-precisas-de">stablecoins</a>.</p></li></ol><p>O &#250;ltimo ponto, &#233; sem d&#250;vida o maior destaque da Tron, que continua a ser a principal rede para aquela que &#233; a maior stablecoin do mercado - $USDT (Tether).</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!7WYb!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91cd1b05-c098-446b-980f-1dabe1b93248_2560x1440.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!7WYb!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91cd1b05-c098-446b-980f-1dabe1b93248_2560x1440.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!7WYb!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91cd1b05-c098-446b-980f-1dabe1b93248_2560x1440.png 848w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/91cd1b05-c098-446b-980f-1dabe1b93248_2560x1440.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:819,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:288160,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/196117850?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91cd1b05-c098-446b-980f-1dabe1b93248_2560x1440.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>fonte: DeFiLlama</em></figcaption></figure></div><p>Isto &#233; particularmente relevante porque explica como a Tron se tornou numa das maiores infraestruturas para:</p><ul><li><p>transfer&#234;ncias internacionais de baixo custo;</p></li><li><p>pagamentos em mercados emergentes sem comiss&#245;es banc&#225;rias proibitivas;</p></li></ul><p>O &#250;ltimo ponto pode ser estranho para n&#243;s europeus, mas em muitos pa&#237;ses, usar Tron + USDT &#233; mais r&#225;pido e muito mais barato do que usar o sistema banc&#225;rio tradicional.</p><p></p><div><hr></div><h3>Pol&#233;micas &#224; volta da Tron</h3><p>A Tron n&#227;o &#233; propriamente conhecida por ser consensual. E n&#227;o tem nada a ver com &#8220;tribalismos&#8221; ou &#8220;clubismos&#8221;. &#201; mesmo por culpa pr&#243;pria.</p><ul><li><p><strong>O fundador</strong>. Justin Sun, &#233; uma figura bastante medi&#225;tica e ao longo dos anos, tem sido conhecido por estrat&#233;gias de marketing agressivas, com promessas ambiciosas e umas quantas pol&#233;micas p&#250;blicas.</p></li></ul><ul><li><p><strong>Acusa&#231;&#245;es regulat&#243;rias</strong>. Em 2023 a SEC (equivalente &#224; nossa CMVM) abriu um processo contra Justin Sun e os seus associados por venda de valores mobili&#225;rios n&#227;o registados e por manipula&#231;&#227;o de mercado. O processo foi fechado em Mar&#231;o deste ano, com as partes a chegarem a um acordo que passou pelo pagamento de uma multa de cerca de $10 milh&#245;es por parte de uma das empresas de Justin Sun.</p></li></ul><ul><li><p><strong>Centraliza&#231;&#227;o</strong>. Tal como a BNB Chain, a Tron tamb&#233;m tem um n&#250;mero reduzido de validadores que, aliado &#224; forma como &#233; feita a governan&#231;a da rede, faz com que seja considerada uma blockchain demasiado concentrada e dependente de apenas algumas pessoas.</p></li></ul><ul><li><p><strong>Vulnerabilidades de seguran&#231;a</strong>. Apesar da Tron n&#227;o ter tido tantos &#8220;apag&#245;es&#8221; como a Solana, investigadores independentes reportaram j&#225; potenciais falhas de seguran&#231;a.</p></li></ul><ul><li><p><strong>Problemas com aplica&#231;&#245;es (DeFi)</strong>. Tal como noutras blockchains, algumas aplica&#231;&#245;es DeFi da rede Tron j&#225; viram os seus <em>smart contracts</em> ser explorados, o que resultou na perda de fundos. Importa referir tamb&#233;m que, este n&#227;o &#233; propriamente um problema da Tron em si, mas sim da forma como s&#227;o desenvolvidas algumas das aplica&#231;&#245;es que correm nesta blockchain.</p></li></ul><div><hr></div><h3>A Tron no dia a dia</h3><p>Aqui repete-se um pouco aquilo que j&#225; foi dito para as outras blockchains de que falei anteriormente. Podemos usar a Tron para:</p><ul><li><p><strong>Fazer transfer&#234;ncias</strong> para outros pa&#237;ses, de forma r&#225;pida e barata. Por ser das maiores blockchains, a maioria das <em><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/digital-wallets-introducao">digital wallets</a></em> gen&#233;ricas &#233; compat&#237;vel com a rede Tron. Para quem prefere uma op&#231;&#227;o nativa da rede, a TronLink &#233; a recomendada pela pr&#243;pria Tron.</p></li><li><p><strong>Pagamentos informais</strong> - &#233; cada vez mais comum em alguns sectores/ind&#250;strias o pagamento de bens e servi&#231;os atrav&#233;s de stablecoins. Como j&#225; vimos, a Tron &#233; a mais usada por quem prefere $USDT.</p></li><li><p><strong>Staking</strong>. Para quem gosta desta blockchain ou quer investir nela para o m&#233;dio/longo prazo, o <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/staking-lending-pools-esclarecendo">staking</a> &#233; uma boa forma de obter recompensas (a vers&#227;o dividendos da blockchain).</p></li><li><p>Arbritragem entre corretoras. Isto &#233; algo mais t&#233;cnico e avan&#231;ado, mas a rapidez e o baixo custo da Tron, permitem a movimenta&#231;&#227;o r&#225;pida de fundos entre corretoras para tirar partido das diferen&#231;as de pre&#231;os dos activos. Esta &#233; uma utilidade bastante importante n&#227;o s&#243; para traders como para as pr&#243;prias corretoras.</p></li></ul><div><hr></div><h3>Resumindo... vale a pena?</h3><p>A resposta que toda a gente quer e que nunca &#233; assim t&#227;o linear.</p><p>A Tron come&#231;ou com a vis&#227;o ambiciosa de descentralizar a internet e acabou por se tornar numa rede bastante centralizada.</p><p>Mas, pelo meio do caminho, descobriu o seu papel na blockchain: actualmente, &#233; uma das infraestruturas mais eficientes para transferir valor.</p><p>Num mundo em que:</p><ul><li><p>a globaliza&#231;&#227;o passou de chav&#227;o a realidade;</p></li><li><p>as transfer&#234;ncias internacionais continuam caras;</p></li><li><p>os sistemas financeiros tradicionais s&#227;o lentos;</p></li></ul><p>Encontrar uma solu&#231;&#227;o que funciona, n&#227;o &#233; para todos.</p><p>A Tron fez e continua a fazer isso h&#225; quase 8 anos.</p><p>N&#227;o &#233; a blockchain mais sofisticada mas, para milh&#245;es de pessoas, &#233; &#250;til e funciona.</p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se achaste este artigo &#250;til, partilha-o!</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/tron-a-blockchain-que-cresceu-a-sombra?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/tron-a-blockchain-que-cresceu-a-sombra?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Bill Ackman: o investidor activista que gosta de uma boa luta]]></title><description><![CDATA[E que arrasta os outros com ele...]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/bill-ackman-o-investidor-activista</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/bill-ackman-o-investidor-activista</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Tue, 28 Apr 2026 06:58:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/264a6188-83cc-459c-ac8f-2d3567323a53_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Bill Ackman &#233; um investidor activista e fundador da Pershing Square Capital Management.</p><p>Nasceu em 1966, em Nova Iorque, e estudou em Harvard (licenciatura e MBA).</p><p>Fundou a Pershing Square em 2004 e rapidamente ficou conhecido por posi&#231;&#245;es ousadas, de elevada convic&#231;&#227;o e por batalhas p&#250;blicas com a gest&#227;o das empresas.</p><p>Se Warren Buffett investe em sil&#234;ncio, Ackman investe com megafone. </p><p>&#201; o tipo que n&#227;o se limita a comprar a&#231;&#245;es - compra a&#231;&#245;es <em><strong>e</strong></em> aten&#231;&#227;o medi&#225;tica.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Este site &#233; apoiado pelos leitores. Para garantir a sua continuidade e teres acesso a conte&#250;dos exclusivos, considera tornar-te subscritor/a.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>A relev&#226;ncia de Bill Ackman</h2><ul><li><p><strong>Popularizou o investimento activista moderno</strong> - o tipo de investidores que influenciam a estrat&#233;gia das empresas para desbloquear valor. </p></li><li><p><strong>Aproveitou a crise de 2008 como poucos.</strong> Investiu $60 milh&#245;es na General Growth Properties, uma operadora de centros comerciais americana &#224; beira da fal&#234;ncia. Comprou as a&#231;&#245;es depois destas desvalorizarem, tornou-se accionista maiorit&#225;rio e o seu lado activista entrou em campo. Pressionou a reestrutura&#231;&#227;o pela via judicial, argumentando que os activos imobili&#225;rios da empresa eram s&#243;lidos e valiosos, apesar da d&#237;vida avultada da empresa. Foi iniciado um processo de &#8220;fal&#234;ncia reorganizada&#8221; (segundo o Chapter 11), a empresa reergeu-se, foi vendida em 2010 e em pouco mais de 2 anos, rendeu ao fundo de Ackman perto de $1,6 bili&#245;es.</p></li><li><p><strong>Executou uma das opera&#231;&#245;es mais impressionantes da era COVID</strong>: um <em>hedge</em> de 27 milh&#245;es de d&#243;lares que rendeu 2,7 mil milh&#245;es em poucas semanas. No in&#237;cio da pandemia, investiu em <em>credit default swaps</em> - uma esp&#233;cie de seguro contra calotes de d&#237;vidas corporativas. Com o p&#226;nico nos mercados, os <em>spreads</em> de cr&#233;dito explodiram valorizando a sua posi&#231;&#227;o em quase 10000%.</p></li><li><p><strong>Ajudou a trazer as SPACs para o </strong><em><strong>mainstream</strong></em> com a Pershing Square Tontine Holdings. Uma SPAC (<em>Special Purpose Acquisition Company</em>), &#233; uma empresa &#8220;vazia&#8221; - n&#227;o vende nada nem tem funcion&#225;rios. Este tipo de empresas servem apenas para captar dinheiro do p&#250;blico, que &#233; guardado num banco, at&#233; encontrarem uma empresa privada para comprar e levar &#224; bolsa (<a href="https://www.diariocinzento.pt/p/ipos-o-que-precisas-saber">IPO</a>) de forma r&#225;pida. &#201; um atalho (legal) para listar uma empresa privada na bolsa. Ackman fez isto na ressaca de 2020, usando as redes sociais para viralizar a ideia, atraindo muita gente (famosos inclu&#237;dos).</p></li><li><p><strong>Comunica de forma aberta </strong>(alguns diriam <em>demasiado</em> aberta), tornando o seu racioc&#237;nio acess&#237;vel a outros investidores.<br></p></li></ul><p>Goste-se ou n&#227;o, &#233; uma das vozes mais influentes dos mercados atuais.</p><div><hr></div><h2>A filosofia de investimento de Bill Ackman</h2><p>A estrat&#233;gia de Ackman mistura activismo, investimento em valor e elevada convic&#231;&#227;o:</p><ul><li><p><strong>Concentra&#231;&#227;o:</strong> investe em poucas empresas, mas com forte convic&#231;&#227;o.<br></p></li><li><p><strong>Melhorar empresas e n&#227;o ter apenas participa&#231;&#245;es:</strong> &#233; conhecido pelo seu activismo por lutar por mudan&#231;as operacionais, melhor governan&#231;a e lideran&#231;a. N&#227;o se limita a comprar e esperar.<br></p></li><li><p><strong>Vis&#227;o de longo prazo:</strong> apesar do ru&#237;do medi&#225;tico, n&#227;o &#233; um <em>trader</em> - &#233; um propriet&#225;rio de longo prazo.<br></p></li><li><p><strong>Gest&#227;o de risco com </strong><em><strong>hedges</strong></em><strong>:</strong> A opera&#231;&#227;o de 2020 &#233; um exemplo cl&#225;ssico de prote&#231;&#227;o de capital. Resumidamente: ele n&#227;o vendeu as posi&#231;&#245;es de longo prazo, aguentou-as durante a queda, enquanto que usou 1% do portfolio para abrir uma posi&#231;&#227;o alavancada contra o mercado (a favor da queda). E, foi extremamente disciplinado na entrada e sa&#237;da desta posi&#231;&#227;o alavancada. Abriu-a com um custo baixo (ainda antes da queda generalizada do mercado) e fechou-a assim que o FED anunciou est&#237;mulos para ajudar a recuperar a economia p&#243;s-choque pand&#233;mico. Por outras palavras: assumiu um risco (na posi&#231;&#227;o alavancada) com um custo baixo e potencial de retorno alto. Se ele estivesse errado, poderia reequilibrar o portfolio, uma vez que manteve as posi&#231;&#245;es de longo prazo que beneficiariam de uma subida do mercado.<br></p></li><li><p><strong>Transpar&#234;ncia:</strong> Partilha frequentemente an&#225;lises detalhadas com o p&#250;blico.<br></p></li></ul><p>Podemos pensar nele como uma mistura entre Warren Buffett e Gordon Ramsay: quer que o neg&#243;cio funcione - e n&#227;o tem problemas em levantar a voz.</p><div><hr></div><h2>Li&#231;&#245;es para Iniciantes</h2><ol><li><p><strong>Foco em neg&#243;cios de qualidade</strong></p></li></ol><blockquote><p><em>&#8220;Se n&#227;o est&#225;s disposto a manter uma a&#231;&#227;o durante 10 anos, n&#227;o a compres por 10 minutos.&#8221;</em></p></blockquote><p>Para Ackman, a vis&#227;o de longo prazo vence o ru&#237;do de curto prazo.</p><ol start="2"><li><p><strong>Concentra-te nas melhores ideias</strong></p></li></ol><p>Ackman n&#227;o tem dezenas de posi&#231;&#245;es - escolhe poucas e aprofunda-as.</p><p>Para quem est&#225; a come&#231;ar, isto traduz-se em: menos ativos, mas devidamente estudados/analisados.</p><ol start="3"><li><p><strong>Tem uma tese clara</strong></p></li></ol><blockquote><p><em>&#8220;Tudo &#233; um investimento de longo prazo&#8230; at&#233; deixar de ser.&#8221;</em></p></blockquote><p>Por outras palavras: </p><ul><li><p>sabe porque compraste,</p></li><li><p>sabe o que invalida essa tese.</p></li></ul><ol start="4"><li><p><strong>Protege o risco</strong></p></li></ol><p>O <em>hedge</em> de 2020 explicado em cima, mostra como, mesmo com convic&#231;&#227;o numa posi&#231;&#227;o alavancada, a gest&#227;o de risco &#233; essencial para preservar o capital.</p><ol start="5"><li><p><strong>N&#227;o ter medo da cr&#237;tica</strong></p></li></ol><blockquote><p><em>&#8220;A rejei&#231;&#227;o n&#227;o te destr&#243;i.&#8221;</em></p></blockquote><p>Convic&#231;&#227;o + resili&#234;ncia = melhores resultados.</p><div><hr></div><h2>Como aplicar isto com pouco dinheiro</h2><ul><li><p>Investir em empresas que consigamos explicar de forma simples.</p></li><li><p>Usar ETFs como base e adicionar algumas a&#231;&#245;es nas quais temos alta convic&#231;&#227;o (baseada na respectiva an&#225;lise).</p></li><li><p>Escrever as nossas teses: porque compr&#225;mos, quais as expectativas e o que pode invalid&#225;-las.</p></li><li><p>Evitar diversifica&#231;&#227;o excessiva.</p></li><li><p>Definir regras de risco: por exemplo, se uma a&#231;&#227;o cair 20% por quest&#245;es de fundamentos, h&#225; que equacionar assumir esse preju&#237;zo em vez de esperar pelo melhor, que pode acabar em preju&#237;zos bem maiores.</p></li></ul><p>Ou seja, n&#227;o precisamos de ter um <em>hedge fund</em>, basta-nos uma folha de excel, disciplina e paci&#234;ncia.</p><div><hr></div><h2>As cr&#237;ticas a Bill Ackman</h2><ul><li><p>As suas <strong>batalhas p&#250;blicas</strong> podem amplificar problemas em vez de os resolver.</p></li><li><p><strong>Concentra&#231;&#227;o excessiva de posi&#231;&#245;es</strong> - Ackman costuma fazer apostas grandes em poucas teses, o que aumenta o risco de perdas fortes quando est&#225; errado.</p></li><li><p><strong>Teimosia em teses perdedoras</strong>. O caso da Valeant &#233; frequentemente mencionado pelos seus cr&#237;ticos. A empresa j&#225; sinalizava problemas mas, como Ackman tinha uma posi&#231;&#227;o grande, continuou a defend&#234;-la, chegando mesmo a entrar no <em>board</em> da empresa para ajudar a reorganiz&#225;-la. Infelizmente, j&#225; era demasiado tarde para recuperar. Ackman acabou por vender tudo e assumir mais tarde o erro e preju&#237;zos</p></li><li><p><strong>Uso de short selling agressivo e prolongado.</strong> A campanha contra a Herbalife foi o caso mais medi&#225;tico. Acusou publicamente a empresa de ser um esquema pir&#226;mide e abriu uma posi&#231;&#227;o <em>short</em> de $1 bili&#227;o contra a Herbalife. Esta campanha (que mais pareceu uma novela) durou quase 5 anos e acabou em derrota para Ackman - perdeu bastante dinheiro e alguma credibilidade.</p></li><li><p>O activismo exige influ&#234;ncia que investidores como n&#243;s n&#227;o t&#234;m - embora os princ&#237;pios sejam aplic&#225;veis. </p></li></ul><p>Bill Ackman &#233; daqueles nomes pouco consensuais:</p><ul><li><p>h&#225; quem o admire pela sua intelig&#234;ncia, influ&#234;ncia e estilo agressivo;</p></li><li><p>h&#225; quem n&#227;o goste da sua abordagem, por ro&#231;ar a irresponsabilidade, abuso de auto confian&#231;a e a consequente perda de objectividade.</p></li></ul><div><hr></div><p>Alguns dos termos usados neste artigo podem ser novidade para quem est&#225; a come&#231;ar. Por isso, o DC tem um <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario">Dicion&#225;rio</a></strong> &#128521;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png" width="1200" height="200" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:200,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:30392,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/dicionario&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/195434206?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2c797b54-b82f-49eb-bfc8-0f7122368eef_1200x200.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vW38!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3baaf08b-33d8-4942-99ca-f421430695ce_1200x200.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se achaste este artigo &#250;til, partilha-o!</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/bill-ackman-o-investidor-activista?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/bill-ackman-o-investidor-activista?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[BNB Chain: a blockchain barata que trouxe as massas]]></title><description><![CDATA[E algumas dores de cabe&#231;a tamb&#233;m...]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/bnb-chain-a-blockchain-barata</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/bnb-chain-a-blockchain-barata</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Apr 2026 06:42:44 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/358b8d98-acdd-4bd6-9819-8498ee864288_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Se a Ethereum &#233; vista como a &#8220;infraestrutura financeira&#8221; e a Solana como a &#8220;r&#225;pida e barata&#8221;, a <strong>BNB Chain</strong> ocupa um lugar um pouco diferente.</p><p>Na pr&#225;tica,<strong> &#233; uma blockchain</strong> que quis fazer algo parecido &#224; Ethereum mas <strong>muito mais barata e f&#225;cil de usar.</strong></p><p>O resultado foi uma das redes mais utilizadas do mundo cripto.</p><p>E tamb&#233;m uma das mais controversas.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Este site &#233; apoiado pelos leitores. Para garantir a sua continuidade e teres acesso a conte&#250;dos exclusivos, considera tornar-te subscritor/a.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>O que &#233; a BNB Chain</h2><p>A <strong>BNB Chain</strong> (antes conhecida como BSC - <em>Binance Smart Chain</em>) &#233; uma blockchain criada pela Binance - a maior corretora de criptomoedas do mundo.</p><p>Foi lan&#231;ada em 2020 com objectivos claros:</p><ul><li><p>permitir aplica&#231;&#245;es descentralizadas,</p></li><li><p>com custos baixos,</p></li><li><p>e alta compatibilidade com Ethereum.</p></li></ul><p>Na pr&#225;tica, isto quer dizer que &#233; uma rede onde &#233; poss&#237;vel:</p><ul><li><p>criar aplica&#231;&#245;es facilmente,</p></li><li><p>trocar tokens,</p></li><li><p>fazer <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/staking-lending-pools-esclarecendo">staking</a>, </p></li><li><p>usar <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/defi-financas-descentralizadas">DeFi</a>.</p></li></ul><p>Para quem esteja a pensar: <em>&#8221;mas n&#227;o &#233; isso que faz a Ethereum&#8221;?</em></p><p>&#201;! A diferen&#231;a &#233; que a BNB Chain permite fazer isso com custos bem mais baixos.</p><h2>Porque foi criada</h2><p>A BNB Chain surgiu num momento espec&#237;fico - podemos chamar-lhe o <em>boom</em> das blockchains.</p><p>Como j&#225; vimos no <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/solana-a-alternativa-rapida-e-barata">artigo sobre Solana</a>, em 2020&#8211;2021, a Ethereum estava:</p><ul><li><p>congestionada,</p></li><li><p>cara,</p></li><li><p>dif&#237;cil de usar para novos utilizadores.</p></li></ul><p>Era comum pagar $20, $50 ou mais por uma transac&#231;&#227;o.</p><p>A Solana n&#227;o foi a &#250;nica a ver uma oportunidade. A Binance tamb&#233;m quis aproveitar e criou a sua alternativa:</p><ul><li><p>mais r&#225;pida,</p></li><li><p>mais barata,</p></li><li><p>e f&#225;cil de integrar.</p></li></ul><h2>O que torna a BNB Chain diferente</h2><p>Aqui j&#225; ter&#237;amos de entrar no campo t&#233;cnico, mas como eu tamb&#233;m n&#227;o sou programador nem engenheiro, partilho aqui o essencial para destacar a BNB da concorr&#234;ncia.</p><p>A BNB Chain usa o modelo <em>Proof of Staked Authority</em> (PoSA) que, muito resumidamente, quer dizer:</p><ul><li><p>opera com poucos validadores (cerca de 21 activos) - isto quer dizer que h&#225; uma maior centraliza&#231;&#227;o;</p></li><li><p>os validadores s&#227;o seleccionados com base em staking;</p></li><li><p>o modelo PoSa permite processar transa&#231;&#245;es rapidamente, tornando-a &#225;gil.</p></li></ul><p>Daqui resulta ent&#227;o uma alternativa &#224; Ethereum, j&#225; que esta forma de operar na BNB Chain traz confirma&#231;&#245;es r&#225;pidas das transac&#231;&#245;es com custos baixos.</p><h2>A criptomoeda $BNB - para que serve?</h2><p>O <strong>$BNB</strong> come&#231;ou como um token de utilidade dentro da Binance. Isto significa que serve para:</p><ul><li><p><strong>Pagar taxas na rede</strong> - tal como na Ethereum &#233; preciso $ETH para pagar taxas, na BNB Chain &#233; preciso usar $BNB.</p></li><li><p><strong>Descontos na Binance</strong> - sendo um token criado pela corretora Binance, quer dizer que &#233; poss&#237;vel usar o token para obter descontos, pagar fees de transac&#231;&#245;es e participar em <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/airdrops">airdrops</a> (nota que, a participa&#231;&#227;o em airdrops pode estar limitada em alguns pa&#237;ses por quest&#245;es regulamentares). </p></li><li><p><strong>Staking</strong> - uma vez que o $BNB existe na BNB Chain - uma rede que utiliza um modelo de <em>proof of staking</em> - &#233; poss&#237;vel usar o $BNB para <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/staking-lending-pools-esclarecendo">staking</a>, ou seja, refor&#231;ar a seguran&#231;a da rede e obter recompensas por isso.</p></li></ul><h2>As vantagens da BNB Chain</h2><p>A BNB Chain e o token $BNB trouxeram ent&#227;o:</p><ul><li><p>transac&#231;&#245;es r&#225;pidas e baratas;</p></li><li><p>facilidade de utiliza&#231;&#227;o gra&#231;as &#224; compatibilidade com Ethereum, porque segue a mesma l&#243;gica de utiliza&#231;&#227;o das wallets e outras ferramentas;</p></li><li><p>a combina&#231;&#227;o com a infraestrutura de uma gigante como a Binance, que permitiu &#224; BNB Chain abrir as portas a milh&#245;es de utilizadores por todo o mundo.</p></li></ul><h2>Os problemas (e n&#227;o s&#227;o poucos)</h2><p>Temos de falar do outro lado da moeda. N&#227;o existem solu&#231;&#245;es perfeitas e a BNB n&#227;o &#233; excep&#231;&#227;o.</p><ul><li><p><strong>A centraliza&#231;&#227;o</strong>. Como referido em cima, a BNB Chain tem um n&#250;mero reduzido de validadores. Isto significa maior concentra&#231;&#227;o e maior controlo sobre a rede. Mas, por outro lado, menor descentraliza&#231;&#227;o, que &#233; uma das bandeiras/mais valias do uso de blockchains.</p></li><li><p><strong>Hacks e aproveitamento de falhas da rede</strong>. Uma das cr&#237;ticas gen&#233;ricas que costuma ser apontada &#224;s redes &#8220;baratas&#8221;, tem a ver com a sua seguran&#231;a. Em 2022, a BNB Chain perdeu cerca de $570 milh&#245;es devido a uma falha que foi aproveitada por pessoas mal intencionadas. Parte desse valor acabou por ser recuperado, mas os cr&#237;ticos da BNB ficaram com mais argumentos.</p></li><li><p><strong>Ecossistema com muitos </strong><em><strong>scams</strong></em>. O baixo custo de utiliza&#231;&#227;o de uma rede, infelizmente, pode ser aproveitado por <em>scammers</em> que criam projectos com muita facilidade, com o &#250;nico intuito de enganar os mais ing&#233;nuos e pessoas pouco informadas. Este n&#227;o &#233; um problema exclusivo da BNB Chain (tamb&#233;m acontece noutras redes de baixo custo) mas, devido ao tamanho da BNB, este tipo de <em>scams</em> acabou por ganhar maior visibilidade.</p></li></ul><h2>No dia a dia</h2><p>Deixando de lado os problemas, mas n&#227;o os ignorando, as utiliza&#231;&#245;es da rede BNB no dia a dia, s&#227;o muito similares &#224;s da Ethereum e Solana:</p><ul><li><p><strong>Envio de dinheiro</strong>. Utilizando wallets como a MetaMask ou Trust Wallets (as mais conhecidas/usadas neste ecossistema), &#233; poss&#237;vel enviar/receber BNB, stablecoins ou outros tokens compat&#237;veis com a BNB Chain. Tudo com taxas baixas (na ordem dos c&#234;ntimos).</p></li><li><p>Para quem gosta de usar a corretora Binance, ter $BNB em carteira &#233; &#250;til para ter acesso a taxas ainda mais baixas e a campanhas promocionais.</p></li><li><p><strong>Usar aplica&#231;&#245;es de DeFi</strong>. Trocar tokens, fazer empr&#233;stimos e fornecer liquidez a <em><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/staking-lending-pools-esclarecendo">pools</a></em>, s&#227;o as actividades mais comuns. S&#227;o v&#225;rias as aplica&#231;&#245;es, mas a PancakeSwap continua a ser a mais utilizada.</p></li><li><p><strong>RWAs</strong>. &#201; um sector crescente, como j&#225; vimos no <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/tokenizacao-de-activos-e-real-world">artigo dedicado ao assunto</a> e olhando para os aplicativos de DeFi mais utilizados na BNB Chain, podemos ver que no top 5, aparecem j&#225; 2 dedicados a este sector.</p></li></ul><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ap-z!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd17122a6-dc52-4c80-b134-b75d1ab8c0c6_501x298.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>fonte: DefiLlama</em></figcaption></figure></div><h2>Resumindo... vale a pena?</h2><p>Relembrando o in&#237;cio do artigo... a BNB Chain surgiu num contexto muito particular, em que desempenhou um papel fundamental ao abrir as portas da blockchain a muita gente que se sentia desconfort&#225;vel com a complexidade e taxas da Ethereum.</p><p>Apresentaram uma solu&#231;&#227;o barata, f&#225;cil de usar e compat&#237;vel com a pr&#243;pria Ethereum.</p><p>Isto ajudou milh&#245;es de pessoas a come&#231;arem a usar a blockchain e, anos depois, mesmo j&#225; existindo outras blockchains parecidas, a BNB Chain (antiga BSC) continua no top 3 das mais utilizadas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!15JL!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e7fd09e-a9ab-4ccd-a2b7-8aa8400b5c4a_444x200.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!15JL!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e7fd09e-a9ab-4ccd-a2b7-8aa8400b5c4a_444x200.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!15JL!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4e7fd09e-a9ab-4ccd-a2b7-8aa8400b5c4a_444x200.png 848w, 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class="image-caption"><em>fonte: DefiLlama</em></figcaption></figure></div><p>As compara&#231;&#245;es com a <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/ethereum-na-pratica-para-que-serve">Ethereum</a>, <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/solana-a-alternativa-rapida-e-barata">Solana</a> e outras, s&#227;o inevit&#225;veis.</p><p>Pondo de lado a vertente t&#233;cnica, na pr&#225;tica, para n&#243;s - utilizadores comuns - todas elas tentam fazer mais ou menos o mesmo, mas com diferentes compromissos e prioridades:</p><ul><li><p>seguran&#231;a,</p></li><li><p>descentraliza&#231;&#227;o,</p></li><li><p>rapidez</p></li><li><p>custos baixos,</p></li><li><p>efici&#234;ncia,</p></li><li><p>facilidade de utiliza&#231;&#227;o.</p></li></ul><p>A BNB Chain apostou nas &#250;ltimas tr&#234;s e, talvez isso justifique o motivo pelo qual, apesar das cr&#237;ticas, ela continue a constar no top das blockchains mais utilizadas.</p><p></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em>Se achaste este artigo &#250;til, partilha-o!</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/p/bnb-chain-a-blockchain-barata?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:&quot;button-wrapper&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary button-wrapper" href="https://www.diariocinzento.pt/p/bnb-chain-a-blockchain-barata?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><em><strong>NOTA:</strong></em> <em>Como de costume, nada do que aqui foi dito &#233; recomenda&#231;&#227;o de investimento. Este &#233; um artigo meramente informativo/educacional.</em></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Investir no contexto actual - parte 2]]></title><description><![CDATA[Como investir no meio da incerteza]]></description><link>https://www.diariocinzento.pt/p/investir-no-contexto-actual-parte-2</link><guid isPermaLink="false">https://www.diariocinzento.pt/p/investir-no-contexto-actual-parte-2</guid><dc:creator><![CDATA[Diário Cinzento]]></dc:creator><pubDate>Fri, 17 Apr 2026 06:57:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1ba42882-f9d1-4015-abb2-10b47d3811bb_1456x1048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Se leste o <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/investir-no-contexto-actual-parte-1">artigo anterior</a> e n&#227;o perdeste a vontade nem o interesse nestes temas, parab&#233;ns!</p><p>E, n&#227;o, os &#250;ltimos dias verdes n&#227;o mudaram a minha opini&#227;o porque, a n&#237;vel estrutural e a n&#237;vel macro, nada mudou:</p><ul><li><p>a quest&#227;o do Ir&#227;o continua sem solu&#231;&#227;o concreta &#224; vista;</p></li><li><p>permanecem as incertezas e amea&#231;as sobre Taiwan, Cuba e Gronel&#226;ndia;</p></li><li><p>a d&#237;vida p&#250;blica americana ultrapassou os $39 trili&#245;es e n&#227;o h&#225; solu&#231;&#227;o &#224; vista.</p></li></ul><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png" width="1114" height="235" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:235,&quot;width&quot;:1114,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:157640,&quot;alt&quot;:&quot;us-debt-clock&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.diariocinzento.pt/i/194273558?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="us-debt-clock" title="us-debt-clock" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_VW1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91c6a831-053a-4c54-9db3-c9d222392244_1114x235.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Partindo deste contexto dos primeiros meses de 2026, vamos ver que op&#231;&#245;es temos - o que fazer no meio desta confus&#227;o e incerteza?</p><p><em>Spoiler:</em> n&#227;o existe 1 resposta.</p><p>Mas existem op&#231;&#245;es que valem a pena ser consideradas com base em 2 pormenores importantes:</p><ol><li><p>o nosso horizonte temporal,</p></li><li><p>o nosso <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/qual-o-teu-perfil-de-risco">perfil de risco</a>.</p></li></ol><p>Antes disso, h&#225; outra coisa que &#233; importante entender - termos que provavelmente j&#225; ter&#225;s ouvido por a&#237;.</p><p></p><h2>Quedas, correc&#231;&#245;es e crashes</h2><p>&#201; frequente utilizarem-se termos espec&#237;ficos para descrever as quedas que acontecem nos mercados. </p><p><em>Drawdowns, dips, pullbacks, corrections, crashes</em> s&#227;o frequentemente usados. Por vezes h&#225; quem os misture mas, na realidade, significam coisas diferentes:</p><ul><li><p><em><strong>Market Drawdown</strong></em> - &#233; um valor percentual que mede a queda de um activo desde o seu &#250;ltimo pico, at&#233; ao valor mais baixo recente. Ajuda-nos a perceber o qu&#227;o vol&#225;til &#233; esse activo e o risco que representa no nosso portf&#243;lio.</p></li></ul><ul><li><p><em><strong>Dip</strong></em> - &#233; uma descida r&#225;pida, geralmente, tempor&#225;ria do pre&#231;o de um activo. Devido &#224; sua rapidez, costuma ser vista como uma oportunidade de compra. Infelizmente, s&#243; em retrospectiva sabemos se foi mesmo um <em>Dip</em> ou algo pior. Geralmente, considera-se um <em>dip</em> quando a queda &#233; &lt;5%.</p></li></ul><ul><li><p><em><strong>Pullback</strong></em> - &#233; um recuo tempor&#225;rio a meio de uma tend&#234;ncia, sem a alterar. Geralmente, um recuo de 5-10%.</p></li></ul><ul><li><p><em><strong>Correction</strong></em> - quando estamos a falar de uma queda na casa dos 10 a 20% face ao pico mais recente. Pode ser saud&#225;vel, se acontecer ap&#243;s a subida prolongada de um activo.</p></li></ul><ul><li><p><em><strong>Crash</strong></em> - aplica-se a quedas abruptas de mais de 20%. S&#227;o f&#225;ceis de identificar, porque s&#227;o acompanhadas de um p&#226;nico generalizado, com perdas r&#225;pidas na generalidade do mercado.</p></li></ul><p>Entender estes termos e percentagens &#233; importante, principalmente para quem est&#225; a come&#231;ar, porque ajuda-nos a perceber se estamos a falar de algo grave e sist&#233;mico ou se estamos a falar de uma oportunidade.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!lyH-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdc74ede0-8247-4d8b-97f4-bbb5c9aa35b7_1080x1350.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!lyH-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdc74ede0-8247-4d8b-97f4-bbb5c9aa35b7_1080x1350.png" width="1080" height="1350" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" 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Mas &#233; importante definir um prazo.</p><p><strong>Se vamos precisar do dinheiro em menos de 3 anos</strong>: investir na Bolsa &#233; um risco elevado - considerando o <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/investir-no-contexto-actual-parte-1">contexto actual</a>. Correc&#231;&#245;es de 10-20% nos principais &#237;ndices, podem levar anos a recuperar. &#201; imprevis&#237;vel. Exemplo cl&#225;ssico: quem investiu no S&amp;P500 no pico dos anos 2000, teve de esperar 12 anos para regressar ao mesmo valor (nem sequer estamos a falar de lucro).</p><p><strong>Se vamos precisar num per&#237;odo superior a 10 anos:</strong> a volatilidade e estas correc&#231;&#245;es acabam por ser ru&#237;do e material para not&#237;cias, mas n&#227;o motivo para nos preocuparmos. Quanto maior o nosso horizonte, menor precisar&#225; de ser a nossa preocupa&#231;&#227;o (assumindo que escolhemos activos de qualidade, naturalmente). A Hist&#243;ria mostra-nos isto mesmo e est&#225; cheia de exemplos.</p><div><hr></div><h2>Perfil de risco</h2><p>Este tema foi motivo para um dos primeiros artigos do DC e continua v&#225;lido. </p><p>Recomendo a leitura / re-leitura <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/p/qual-o-teu-perfil-de-risco">AQUI</a></strong>.</p><p>&#201; fundamental conhecer-mo-nos - sabermos como reagimos em alturas de stress. Isto ajuda n&#227;o s&#243; a gerir melhor a situa&#231;&#227;o como a tomar melhores decis&#245;es.</p><div><hr></div><h2>Erros comuns a evitar</h2><ul><li><p><strong>Comprar perto dos m&#225;ximos hist&#243;ricos</strong>, mesmo quando s&#227;o activos de qualidade. Pode ser tentador comprar Ouro ou um ETF de Petr&#243;leo mas, depois da subida mete&#243;rica que fizeram, &#233; expect&#225;vel que exista uma correc&#231;&#227;o (10-20%). Se isso n&#227;o acontecer, ent&#227;o significa que a situa&#231;&#227;o descrita <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/investir-no-contexto-actual-parte-1">anteriormente</a> se agravou</p></li><li><p><strong>Vender tudo</strong>. &#201; natural que perante o cen&#225;rio actual, a vontade seja a de vender e guardar o que sobra debaixo do colch&#227;o. Para quem est&#225; no verde e prev&#234; vir a precisar do dinheiro investido nos pr&#243;ximos 1-2 anos, ent&#227;o sim, vender pode justificar-se. De resto, a Hist&#243;ria tem nos mostrado que os per&#237;odos de maior incerteza, s&#227;o os indicados para investir ou refor&#231;ar posi&#231;&#245;es de longo prazo.</p></li><li><p><strong>Procurar a agulha no palheiro.</strong> Quando pouco ou nada parece subir, h&#225; a tenta&#231;&#227;o de procurar qual o pr&#243;ximo activo que ir&#225; brilhar ou disparar. Geralmente, s&#227;o tamb&#233;m activos com um n&#237;vel de risco elevado que nem sempre compensa. Aqui entra tamb&#233;m algo para que <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/warren-buffett-o-investidor-que-transformou">Warren Buffett</a> alerta constantemente: evitar investir em activos que n&#227;o compreendemos.</p></li><li><p><strong>Esperar pela altura certa</strong>. Nem os melhores analistas conseguem acertar no fundo do mercado e muita gente acaba por perder oportunidades, por esperar pelo pre&#231;o mais baixo poss&#237;vel.</p></li></ul><div><hr></div><h2>O cinzento n&#227;o &#233; sexy, mas funciona</h2><p>Pegando no ponto anterior e pensando em op&#231;&#245;es objectivas, h&#225; uma outra pergunta para a qual me parece relevante termos resposta:</p><blockquote><p>Preferimos uma rentabilidade de <strong>2</strong>% ao ano ou de <strong>-7</strong>%?</p></blockquote><p>No contexto actual, olhar para coisas pouco sexy como Certificados de Aforro, Contas Remuneradas ou ETF&#8217;s de mercados monet&#225;rios, pode acabar por fazer sentido para muita gente.</p><p>Estas op&#231;&#245;es dificilmente dar&#227;o um retorno superior a 2-3% ao ano. Mas, investir em sectores que est&#227;o a ser claramente afectados por toda uma incerteza que n&#227;o tem fim &#224; vista e uma economia fr&#225;gil, &#233; apontar para uma probabilidade elevada de fechar o ano com um retorno negativo.</p><p>No exemplo em cima, mencionei -7% como exemplo aleat&#243;rio. Nem eu nem ningu&#233;m sabe qual vai ser a rentabilidade dos &#237;ndices ou das a&#231;&#245;es de alguma das Mag 7 mas, com base naquilo que j&#225; foi explicado, n&#227;o &#233; nenhum absurdo considerar-se que alguma destas op&#231;&#245;es possa fechar 2026 no negativo.</p><p>Ou seja, para quem n&#227;o gosta de investir apenas em um ou dois ETF&#8217;s durante anos a fio, considerar op&#231;&#245;es menos sexy mas com uma rentabilidade previs&#237;vel, ainda que pequena, pode fazer sentido numa perspectiva de rota&#231;&#227;o de capital e de preserva&#231;&#227;o do mesmo.</p><div><hr></div><h3>E outras op&#231;&#245;es?</h3><p>Tudo o que foi mencionado anteriormente, baseia-se em boas pr&#225;ticas de mercado e dados hist&#243;ricos que podem ser validados por qualquer pessoa.</p><p>Na sec&#231;&#227;o de hoje - <strong><a href="https://www.diariocinzento.pt/subscribe">dedicada aos apoiantes do Di&#225;rio Cinzento</a></strong> - partilho a minha an&#225;lise. Op&#231;&#245;es que considero v&#225;lidas para investidores/as mais activos com base em tudo o que foi dito.</p><p></p>
      <p>
          <a href="https://www.diariocinzento.pt/p/investir-no-contexto-actual-parte-2">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item></channel></rss>